Dunkirk merece estar sempre fresco na memória

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Por que revisitar Dunkirk três anos após de seu lançamento? É provável que você, leitor, já conheça o filme. Afinal, Dunkirk recebeu não menos que 14 indicações ao Oscar, Quentin Tarantino coroou-o como melhor filme da década, seu elenco conta com Tom Hardy, Mark Rylance e Harry Styles. Mas ainda que tenha sido assistido, a pergunta é válida. E caso não tenha (ou a memória falhe), não se preocupe, este texto não tem spoilers.

Dunkirk é um filme para ser revisto. Não fosse a história de um dos eventos mais memoráveis da Segunda Guerra Mundial, Dunkirk talvez seja o que há de melhor e mais sofisticado em filmes do gênero. Comecemos pelo primeiro ponto. Em 1940, soldados ingleses e franceses foram encurralados na praia de Dunkirk, litoral norte da França. A derrota era iminente, aviões alemães atiravam panfletos com os dizeres “Vocês estão encurralados”. É neste contexto que o filme se inicia, narrando a jornada destes soldados em busca da sobrevivência.

Dunkirk entrelaça três temporalidades distintas. Na praia, a história se passa em uma semana. No mar, um dia. No ar, uma hora. Em cada ambiente os personagens são confrontados por uma tensão Hitchcockiana. Não há heróis, apenas a “encarnação da fragilidade humana”, para usar as palavras de Jeffis Carvalho. Em comum às três histórias, imagens e uma trilha sonora visceral de Hans Zimmer. Dunkirk é um suspense sem tréguas, contado pela perspectiva do soldado Tommy (Fionn Whitehead), do piloto Farrier (Tom Hardy), e da embarcação de Mr. Dawson (Mark Rylance). Embarcação que, como o leitor bem deve recordar, atravessou o Canal da Mancha junto de outras centenas de barcos civis na tentativa de salvá-los. “Parecia toda a Inglaterra”, descreveu Kenneth Branavagh, ator que interpreta o Comandante Bolton.

O filme é produzido de forma magistral nas mãos de seu roteirista e diretor, Christopher Nolan. Avesso aos efeitos especiais, Nolan traz às telas cenas que jamais foram vistas. Aviões Spitfires não pousavam em uma praia desde o fim da guerra. No filme, eles são filmados em formato IMAX em perseguições que entraram para a história do cinema. O famoso píer de Dunkirk foi refeito (para então ser destruído novamente) exatamente nos moldes da época. Algumas das embarcações são as mesmas usadas no resgate.

Seja pelo relato histórico, seja pela excelência na produção, Dunkirk merece estar sempre fresco na memória. Mas se o leitor foi realmente convencido, deixo por fim uma última sugestão. O filme vai bem com um chá, talvez uma Maracugina.

Why revisit Dunkirk three years after its release? It is likely that you, the reader, already know the film. After all, Dunkirk received no less than 14 Oscar nominations, Quentin Tarantino crowned him as the best film of the decade, his cast includes Tom Hardy, Mark Rylance and Harry Styles. But even if it was already seen, the question is valid. And if you don’t (or your memory fails), don’t worry, this text has no spoilers.

Dunkirk is a film to be reviewed. Even if this is not the story of one of the most memorable events of World War II, Dunkirk is perhaps the best and most sophisticated film of its kind. Let’s start with the first point. In 1940, English and French soldiers were cornered on Dunkirk beach, on the northern coast of France. The defeat was imminent, German planes were throwing pamphlets with the words “You are cornered”. It is in this context that the film begins, narrating the journey of these soldiers in search of survival.

Dunkirk mixes three distinct temporalities. On the beach, the story takes place in a week. At sea, one day. In the air, an hour. In each environment the characters are confronted by a Hitchcockian tension. There are no heroes, only the “incarnation of human fragility”, to use the words of Jeffis Carvalho. In common with the three stories, images and a visceral soundtrack by Hans Zimmer. Dunkirk is a relentless thriller, told from the perspective of soldier Tommy (Fionn Whitehead), pilot Farrier (Tom Hardy), and Mr. Dawson’s boat (Mark Rylance). A vessel that, as the reader may well recall, crossed the English Channel along with hundreds of other civilian boats in an attempt to save them. “It looked like all of England,” described Kenneth Branagh, an actor who plays Commander Bolton.

The film is masterfully produced in the hands of its screenwriter and director, Christopher Nolan. Averse to special effects, Nolan brings to the screen scenes that have never been seen before. Spitfires planes have not landed on a beach since the end of the war. In the film, they are filmed in IMAX format in pursuits that went down in cinema history. The famous Dunkirk pier was redone (and then destroyed again) exactly as it was at the time. Some of the boats are the same ones used in the rescue.

Whether for its historical report or for its excellence in production, Dunkirk deserves to be always fresh in his memory. But if the reader was really convinced, I finally leave one last suggestion. The film goes well with tea, maybe a Maracugina.

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