PAIS E FILHAS: Tragédias Demais com Elenco Incrível

Encontrei no Amazon Prime Video um filme recente (2016), com um elenco incrível composto por Russell Crowe, Jane Fonda, Amanda Seyfried, Diane Kruger, Aaron Paul, Bruce Greenwood, Octavia Spencer, Janet McTeer e Quvenzhané Wallis. Mais do que isto, dirigido pelo talentosos cineasta italiano Gabriele Muccino, de O ÚLTIMO BEIJO e À PROCURA DA FELICIDADE.

PAIS E FILHAS conta a história de um escritor ganhador do Prêmio Pullitzer que sofre uma tragédia. Sua esposa morre em um acidente de carro, onde ele fica seriamente ferido, passando a ter uma lesão neurológica que lhe impõe gravíssimas sequelas. Quem sai ilesa do desastre é a filha pequena de cinco anos. Internado em uma clínica durante quase um ano, ele é obrigado a deixar a filha com a irmã da falecida e seu marido. Quando deixa a clínica, é surpreendido pelo desejo dos tios da menina em adotá-la. Obstinado o escritor vai se submeter a todos os tipos de sacrifícios para ficar com a filha.

O filme tem uma segunda linha narrativa, 25 anos depois, onde a menina já crescida é uma estudante de psicologia que se depara com uma impossibilidade de se afeiçoar a qualquer pessoa, optando por aventuras sexuais de uma noite só. No trabalho como estagiária, ele recebe o caso de uma menina negra que parou de falar quando a mãe morreu.

O melodrama é um gênero cinematográfico que já teve seu apogeu há muitas décadas atrás. E O VENTO LEVOU é um clássico do gênero. As graves e seguidas desventuras que a guerra impõe à Scarlett O’Hara e seus familiares são um modelo exemplar de melodrama. O diretor alemão radicado em Hollywood na década de 40, Douglas Sirk ficou conhecido como diretor de melodramas.

PAIS E FILHAS tenta seguir esta linha. Contando com este cast incrível (Crowe tem mais um notável tour de force como o pai em dificuldades e Jane Fonda está magnífica como sua agente) pretendeu criar uma história dramática que seguidamente levasse o espectador às lágrimas.

Passou do ponto. O roteiro do estreante Brad Desch tem tragédias demais para uma vida só. Os mocinhos são bonzinhos demais e os vilões são apenas maus o tempo inteiro. Os ricos são desprovidos de princípios enquanto os pobres são fortalezas morais. Sexo está ligado a problemas graves de comportamento. Advogados são pessoas inescrupulosas e gananciosas. E há diálogos francamente ruins e artificiais, como quando a tia diz à sobrinha com ar de filósofa: “Homens podem viver sem amar. Nós não conseguimos.” Arghhh

Não que inexistam algumas boas cenas em PAIS E FILHAS. O talento indiscutível dos atores e atrizes proporcionam alguns momentos emocionantes. Mas a gente fica imaginando como esta história, melhor roteirizada e dirigida poderia ter sido um grande melodrama. Ficou somente um dramalhão.

I found on Amazon Prime Video a recent film (2015), with an incredible cast composed by Russell Crowe, Jane Fonda, Amanda Seyfried, Diane Kruger, Aaron Paul, Bruce Greenwood, Octavia Spencer, Janet McTeer and Quvenzhané Wallis. More than that, directed by the talented Italian filmmaker Gabriele Muccino, from THE LAST KISS and IN PURSUIT OF HAPPYNESS.

FATHERS AND DAUGHTERS tells the story of a writer winner of the Pullitzer Prize, who suffers a tragedy. His wife dies in a car accident, where he is seriously injured, having a neurological injury that imposes very serious consequences. Who emerges unscathed from the disaster is the small daughter of five years. Interned in a clinic for almost a year, he is forced to leave his daughter with the deceased’s sister and her husband. When he leaves the clinic, he is surprised by the girl’s uncles’ desire to adopt her. Stubborn, the writer will undergo all kinds of sacrifices to be with his daughter.

The film has a second narrative line, 25 years later, where the girl already grown up is a student of psychology is faced with an impossibility to become attached to anyone, opting for sexual adventures of just one night. At work as an intern, she receives the case of a black girl who stopped talking when her mother died.

Melodrama is a cinematographic genre that reached its peak many decades ago. GONE WITH THE WIND is a classic of the genre. The serious and repeated misfortunes that the war imposes on Scarlett O’Hara and her family are an exemplary model of melodrama. The German director living in Hollywood in the 1940s, Douglas Sirk became known as the big director of melodramas.

FATHERS AND DAUGHTERS tries to follow this line. Counting on this incredible cast (Crowe has another notable tour de force as the struggling father and Jane Fonda is magnificent as his agent) he intended to create a dramatic story that would soon bring the viewer to tears.

It passed the point. Newcomer Brad Desch‘s script has too many tragedies for a lifetime. The good guys are too good and the bad guys are just bad all the time. The rich are unprincipled while the poor are moral strongholds. Sex is linked to serious behavior problems. Lawyers are unscrupulous and greedy people. And there are frankly bad and artificial dialogues, like when the aunt says to her niece with a philosophical air: “Men can live without loving. We can’t do it.” Arghhh

Not that there are some good scenes in FATHERS AND DAUGHTERS. The indisputable talent of the actors and actresses provide some touching moments. But we wonder how this story, with a better script and direction could have been a great melodrama. Only a tearly story remained.

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