O Golfe: Inspiração de Vida no Cinema

O CONVIDADO DO CINEMARCO DE HOJE É LUIZ FELIPE FONTOURA BECKER.

É um prazer e uma satisfação ter sido lembrado para contribuir com o Blog com um tema que me é muito caro: “O Golfe Inspiração de Vida no Cinema “. Nunca realizei tal tarefa mas aceito o desafio pois em tempos de pandemia sabe-se lá quais revelações estarão escondidas atrás da porta , mestre Mário Quintana.

Para início de conversa devo destacar os encantos que me levaram à paixão pelo esporte bretão: era uma tarde de sábado e como sempre fazia, aos 12 anos de idade, estava eu jogando futebol no Colégio Anchieta Novo, de onde sai a pé (pois a Avenida Nilo Peçanha terminava onde hoje é o portão de saída do Colégio), para pegar uma carona com meu pai que jogava golfe no Porto Alegre Country Clube, a mais ou menos 15 minutos de caminhada, pelo meio de um descampado que terminava na Vila Caddie, portão dos fundos do clube. 

Ao chegar no clube meu pai ainda jogava e uma tia muito querida, a Maria Machado, estava terminando a aula de golfe com o professor Ivo dos Santos e me perguntou “não queres bater umas bolas ?“

Após cinco minutos o desafio estava me consumindo, pois acertei as primeiras três tacadas e as demais foram um desastre . Não preciso dizer que nas semanas que se passaram comecei a pedir substituição no segundo tempo do futebol e ia rapidamente para o clube para bater bolas e tentar conquistar o status de jogador perante a família para conseguir um jogo de tacos usados (na época não existia material disponível no Brasil ).

A oportunidade  surgiu com o torneio de duplas para iniciantes , um jogador com handicap e um iniciante. Era agosto de 1969 e fui designado para jogar com o Marcos Herrmann.  Ao final de longos 18 buracos, fomos vencedores. Era a minha redenção.  Ganhei tacos usados femininos que haviam sido usados pela minha mãe (que já não jogava mais  golfe).

Dito isto, passo a contar que a primeira surpresa para um garoto que praticava vários esportes é que o golfe não tem juiz e que as decisões partem do parceiro que marca o seu escore num cartão de papel, sendo as regras conhecidas e devendo ser aplicadas pelo próprio jogador sem interferência externa (com raras exceções técnicas); a gente diz a quantidade de tacadas que fez em cada buraco. Não existe interferência do adversário no teu jogo .

Passados alguns meses me dei conta que se jogava mal não tinha a quem atribuir o meu desempenho a não ser à minha falta de dedicação e atenção. Isto pra quem é esportista, mexe muito com a cabeça pois a bola está sempre parada, ninguém interfere na jogada, não tem catimba do adversário. Ou seja, estás diante de ti mesmo e se quiseres culpar alguém vai pro vestiário e tente te afogar na pia.

Um esporte como este é a magia da vida em estado puro. Geralmente, os filmes exploram este lado humano indescritível de intimidade do jogador contra seus demônios a cada tacada;, é a tua história a cada tacada,  teu passado, presente e futuro escrachado na tua frente.

Os roteiristas de cinema exploraram de maneira magnífica este lado pessoal e mágico, onde não existe o cavalo que não correu ou refugou o obstáculo, o adversário que era melhor ou mais forte, o juiz que “roubou”. Nada disto. Se não fostes bem foi por questões pessoais muito particulares (às vezes muito distantes do campo de jogo), uma paixão não correspondida, um negócio mal feito e tudo enfim que nos cerca no dia a dia, fazendo do nosso desenvolvimento pessoal o desenvolvimento do próprio jogo. 

Em matéria de exemplos são várias produções cinematográficas que nos fazem encarar a magia da telona através do esporte com todos os ingredientes necessários a que possamos desfrutar de momentos inesquecíveis e paisagens deslumbrantes dos campos de golfe e das sedes dos clubes mundo afora.

São minhas recomendações em tempos de pandemia: na Netflix temos “The Short Game” (fala de jogadores no mundial infantil, onde as famílias tem um envolvimento crucial e alguns transferem aos filhos suas expectativas). Bom para os pequenos também, é “O Melhor Jogo da História” um clássico que mostra a jornada de um menino humilde que adorava o jogo, com um desfecho bem legal.

“Lendas da Vida “, uma história densa da recuperação do ser humano, com os excelentes Matt Damon e Will Smith é outro filme excelente. Após voltar da guerra e começar a beber o jogador Matt Damon é escolhido por sua cidade para representá-la num grande torneio e seu caddie (quase um treinador) é Will Smith

Contei um pouco da minha história com o esporte para contextualizar aos leitores e os personagens do meu início, mas a verdade é que um vício sempre tem a primeira vez .

It is a pleasure and satisfaction to have been reminded to contribute to the Blog with a theme that is very dear to me: “The Golf: Life Inspiration in Cinema“. I never did such a task but I accept the challenge because in pandemic times, who knows what revelations will be hidden behind the door, Master Mário Quintana.

To begin with, I must highlight the charms that led me to the passion for the Breton sport: it was a Saturday afternoon and as I always did, at the age of 12, I was playing soccer at New Anchieta School, from where I left on foot (because the Avenida Nilo Peçanha ended where today is the exit gate of the School), to catch a ride with my father who played golf at Porto Alegre Country Club, about 15 minutes walk, through a field that ended in Vila Caddy, at club’s back gate.

When I arrived at the club, my father was still playing and a very dear aunt, Maria Machado, was finishing the golf class with professor Ivo dos Santos and asked me “don’t you want to hit some balls?”

After five minutes the challenge was consuming me, because I got the first three strokes right and the rest were a disaster. Needless to say, in the weeks that passed I started to ask for substitution in the second half of soccer and I went quickly to the club to hit balls and try to achieve player status with the family to get a game of used clubs (at the time there was no golf material available in Brazil).

The opportunity arose with the doubles tournament for beginners, a handicap player and a beginner. It was August, 1969 and I was assigned to play with Marcos Herrmann. At the end of a long 18 holes, we were winners. It was my redemption. I got used female clubs that had been used by my mother (who no longer played golf).

That said, I will say that the first surprise for a boy who played several sports is that golf has no referee and that the decisions come from the partner who writes his score on a paper card, the rules being known and should be applied by player himself without external interference (with rare technical exceptions); we say the number of strokes we made in each hole. There is no interference from the opponent in your game.

After a few months I realized that if I played badly, I had no one to attribute my negative performance to except my lack of dedication and attention. This for those who are sportsmen, moves the head a lot because the ball is always stopped, no one interferes in the play, there is no opponent’s tricks. That is, you are in front of yourself and if you want to blame someone, go to the locker room and try to drown yourself in the sink.

A sport like this is the magic of life in its purest form. Generally, films explore this indescritible human side of the player’s intimacy against his demons at every shot; it’s your story at every shot, your past, present and future scribbled in front of you.

The film writers explored this personal and magical side in a magnificent way, where there is no horse that did not run or refuse the obstacle, the opponent who was better or stronger, the referee who “stole”. None of this. If you didn’t do well it was due to very private personal issues (sometimes very far from the field of play), a lost passion, a bad business deal and everything that surrounds us on a daily basis, making our personal issues the development of our own game.

As examples, there are several cinematographic productions that make us face the magic of the big screen through sport with all the necessary ingredients so that we can enjoy unforgettable moments and breathtaking views of the golf courses and the headquarters of clubs around the world.

These are my recommendations in times of pandemic: on Netflix we have “The Short Game” (talks about players in the children’s world, where families have a crucial involvement and some transfer their expectations to their children). Good for the little ones too, “The Best Game in History” is a classic that shows the journey of a humble boy who loved the game, with a very nice ending.

“The Legend of Bagger Vances”, a dense story of the recovery of the human being, with the excellent Matt Damon and Will Smith is another outstanding film. After returning from the war and starting drinking, the player Matt Damon is chosen by his city to represent it in a big tournament and his caddy (almost a coach) is Will Smith

I told a little about my history with the objective to contextualize the readers and the characters from my beginning, but the truth is that an addiction always has the first time.

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