O FATO HUMANO: Greene, Preminger e a Guerra Fria

Costumo dizer que uma das coisas mais interessantes da vida é passar por épocas e fatos que anos depois ficam difíceis de ser compreendidos por quem não viveu aqueles momentos e situações dramáticas. A Guerra Fria é uma destas épocas marcadas na história. A rivalidade entre a União Soviética e os países ocidentais (principalmente os EUA), a paranóia reinante e a tensão permanente parecem hoje (felizmente) exagerados por quem viveu aquele período.

O FATOR HUMANO (THE HUMAN FACTOR), filme que o premiadíssimo cineasta austro-húngaro Otto Preminger (LAURA, ANATOMIA DE UM ASSASSINATO, CARMEN JONES, EXODUS) fez em 1979 é um perfeito exemplar desta época.

O escritor inglês Graham Greene fez a novela clássica que narra a busca do responsável por vazar informações secretas do serviço de inteligência britânico para os russos, gerando uma busca incessante e cheia de mirabolantes estratégias de parte dos cabeças do setor. O roteiro do premiado Tom Stoppard sabe valorizar as principais cenas e tensões da novela de Greene.

Um elenco excepcional valorizou ainda mais a trama. Nicol Williamson, Sir. Richard Attemborough, John Gielgud, Derek Jacobi, Robert Morley, Ann Todd e a belíssima modelo Somali Iman são um grupo extraordinário que dá vida aos personagens de Greene.

O mais curioso de se ver – passados 41 anos do lançamento do filme – é uma certa ingenuidade no planos para descobrir o traidor. Há cenas de verdadeira comicidade, como aquela em que um dos encarregados da investigação leva dois suspeitos a um clube de striptease para observar seus comportamentos.

O filme ainda se aprofunda na cruel história da África do Sul e do apartheid, já que o protagonista trabalhou lá para o Governo inglês, lá conheceu sua mulher e teve episódios pessoais de enfrentamento da triste realidade da discriminação racial.

O FATOR HUMANO – um filme mais do que interessante – está disponível na Amazon Prime Brasileira. É uma obra respeitável, pelos nomes envolvidos em sua produção e realização e pelos temas que aborda, de ontem e de hoje.

I usually say that one of the most interesting things in life is going through times and facts that years later are difficult to be understood by those who have not experienced those dramatic moments and situations. The Cold War is one of those times marked in history. The rivalry between the Soviet Union and Western countries (mainly the USA), the reigning paranoia and the permanent tension today seem (fortunately) to be exaggerated by those who lived through that period.

THE HUMAN FACTOR, a film that the award-winning Austro-Hungarian filmmaker Otto Preminger (LAURA, ANATOMY OF A MURDER, CARMEN JONES, EXODUS) made in 1979 is a perfect example of this time.

The English writer Graham Greene made the classic novel that narrates the search for the person responsible for leaking secret information from the British intelligence service to the Russians, generating an incessant search and full of amazing strategies by the heads of the sector. The screenplay by the award-winning Tom Stoppard knows how to value the main scenes and tensions in Greene’s novel.

An exceptional cast further enhanced the plot. Nicol Williamson, Sir. Richard Attemborough, John Gielgud, Derek Jacobi, Robert Morley, Ann Todd and the beautiful model Somali Iman are an extraordinary group that brings Greene’s characters to life.

The most curious thing to see – 41 years after the release of the film – is a certain naivety in the plans to discover the traitor. There are scenes of real comedy, such as one in which one of the investigators takes two suspects to a strip club to observe their behavior.

The film still delves into the cruel history of South Africa and apartheid, as the protagonist worked there for the English Government, met his wife there and had personal episodes of confronting the sad reality of racial discrimination.

THE HUMAN FACTOR – a more than interesting film – is available on Brazilian Amazon Prime. It is a respectable work, due to the names involved in its production and realization and the themes it addresses, from yesterday and today.

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