A MULHER DO ARTISTA: A Grande Arte é Aprender a Amar

Apareceu no “early release” da Apple TV+ e da Amazon, um dos melhores filmes deste ano: o drama A MULHER DO ARTISTA, que o cineasta americano Tom Dolby (roteirista e diretor de THE LAST WEEKEND e parente dos famosos engenheiros de som que criaram a marca DOLBY) escreveu e dirigiu em 2019, lançado a pouco no streaming.

Um pintor octagenário (Bruce Dern incrível) começa a mostrar sinais de demência e hostilidade nas aulas de arte que ele dá para alunos selecionados por uma fundação em sua casa nos Hamptons, em Nova Iorque. Diagnosticado com Mal de Alzheimer, ele fica ainda mais pressionado pela proximidade daquela que promete ser sua última exposição, muito aguardada pela imprensa especializada e por sua empresária. Sua vida é guiada pela esposa de muitos anos (a sueca Lena Olin em um de seus melhores papeis) que equilibra o amor por ele, a dor pelas explosões e agressões verbais e a frustração dela própria ter abandonado a carreira de artista por ele e pelo casamento sem filhos.

É difícil se fazer um drama tão denso e profundo e, ainda assim, ser um filme fascinante, que prenda o espectador sensibilizado por aqueles personagens de ficção tão reais que parecem ser pessoas que conhecemos. Neste ponto, Olin e Dern desde já, se candidatam aos prêmios de interpretação do ano. Seus trabalhos são sensíveis, repletos de nuances, ao mesmo tempo exuberantes e contidos, absolutamente emocionantes.

A tarefa a que a esposa se propõe de promover a paz do marido com a filha do primeiro casamento que ele não vê há anos, uma ativista gay (a atriz inglesa Juliet Rylance da série THE KNICK) que tem um filho antes que ele não possa mais se lembrar dela é incrivelmente tocante e sensível. Gera cenas tensas, difíceis mas de um humanismo sem igual.

A MULHER DO ARTISTA, além de tudo, é um filme visualmente belíssimo. Como a arte é um de seus temas centrais, a alternância de cores é um recurso magnificamente empregado por Dolby e sua equipe.

O elenco ainda tem o canadense Avan Jogia, uma renascida Stephanie Powers (lembram de A GAROTA DA U.N.C.L.E. e CASAL 20), o menino Ravi Cabot-Conyers e Tonya Pinkins.

A crítica torceu o nariz para A MULHER DO ARTISTA, salientando ser descabido focar no sofrimento das pessoas próximas como se fosse maior que o do próprio idoso com demência. Não concordo. Acho que o filme mostra, na medida exata, a dor de todos por esta fase tão difícil. E o melhor é que o faz com sensibilidade e lirismo.

It appeared in the early release of Apple TV + and Amazon Prime Video, one of the best films of this year: the drama THE ARTIST’S WIFE, which American filmmaker Tom Dolby (writer and director of THE LAST WEEKEND and a relative of the famous sound engineers who created the brand DOLBY) wrote and directed in 2019, just released in streaming.

An octagenarian painter (incredible Bruce Dern) begins to show signs of dementia and hostility in the art classes he gives to students selected by a foundation at his home in the Hamptons, New York. Diagnosed with Alzheimer’s disease, he is even more pressured by the proximity of what promises to be his last exhibition, much awaited by the specialized press and his businesswoman. His life is guided by his wife of many years (the Swedish Lena Olin in one of his best roles) who balances the love for him, the pain of the explosions and verbal aggressions and the frustration of her own abandoning her artistic career for him and for a childless marriage.

It is difficult to make such a dense and profound drama and yet be a fascinating film, which captures the viewer touched by those fictional characters so real that they seem to be people we know. At this point, Olin and Dern are now applying for the year’s interpretation awards. Their works are sensitive, full of nuances, at the same time exuberant and contained, absolutely exciting.

The task that the wife sets out to promote peace between her husband and the daughter of the first marriage he has not seen in years, a gay activist (English actress Juliet Rylance from the series THE KNICK) who has a son before he cannot remembering her is incredibly touching and sensitive. It generates tense, difficult scenes but of an unparalleled humanism.

THE ARTIST’S WIFE, after all, is a visually beautiful film. Since art is one of its central themes, the alternation of colors is a resource magnificently employed by Dolby and his team.

The cast also has Canadian Avan Jogia, a reborn Stephanie Powers (reminiscent of THE GIRL OF THE U.N.C.L.E. and HART BY HART), the boy Ravi Cabot-Conyers and Tonya Pinkins.

Movie critics wrinkled their noses at THE ARTIST’S WIFE, stressing that it was unreasonable to focus on the suffering of those close to him as if it were greater than that of the elderly with dementia. I do not agree. I think the film shows, to the exact extent, everyone’s pain for this very difficult phase. And the best part is that it does it with sensitivity and lyricism.

2 Replies to “A MULHER DO ARTISTA: A Grande Arte é Aprender a Amar”

  1. Caro Marco,MM me disse que a filha dele postou algo aqui e queria ler mas não consegui.parabens pelo blog,muito útil ,principalmente nestes tempos😂abraço!

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