ROADKILL: Série da BBC Sobre 10 Downing Street Mostra Ambição, Traições, Escândalos e Vaidades

A BBC lançou em 20 de outubro de 2020 (por enquanto somente para quem acessa o IPlayer da BBC) sua nova série flagship ROADKILL, uma espécie de autópsia nada condescendente do Gabinete de Primeiro Ministro do Governo Inglês, o famoso escritório localizado em 10 Downing Street. A Primeira Ministra conservadora Dawn Allison (a excelente atriz inglesa Helen McCrory, de PEAKY BLINDERS e THE QUEEN) se vê às voltas com inúmeras crises do Gabinete, boa parte das quais ligadas às manifestações profissionais e confusões da vida pessoal de um dos seus principais Ministros, o liberal Peter Laurence (que grande ator é Hugh Laurie, o eterno Gregory House, em outro trabalho antológico).

Nos 4 capítulos desta primeira temporada, Laurence processa um tablóide que o acusou de querer ganhar dinheiro com a privatização do sistema de Saúde, vê surgir uma filha ilegítima que está presa, investe contra o sistema prisional inglês que prende muito e reabilita pouco, é envolvido em uma crise familiar quando uma filha descobre sua namorada de muitos anos, é cobrado pela amante sobre o segredo de sua relação, sofre um acidente de carro quase fatal e ainda quer ser promovido, tomando o cargo da Primeira Ministra.

Só um roteiro absolutamente brilhante poderia examinar tantos temas, de forma profunda, analítica, divertida e contundente em tão poucos capítulos. David Hare (roteirista de AS HORAS e O LEITOR para citar apenas dois filmes) é um mestre na arte de escrever roteiros dinâmicos e incisivos. Seus personagens e diálogos tem uma perfeita simbiose entre realidade e ficção.

Como sempre nas séries inglesas, o elenco (inclusive dos pequenos coadjuvantes é perfeito. O diretor Michael Keillor ( CB STRIKE e LINE OF DUTY) é impecável na condução de Sidse Babett Knudsen (BORGEN e WESTWORLD), Saskia Reeves (LUTHER) extraordinária como a esposa traída, Millie Brady (a filha mais moça viciada em cocaína), a notável atriz negra Shalom Brune-Franklin como a filha bastarda e presidiária, Olivia Vinall (Julia, a assistente da PM que manipula a todos), Iain de Caestecker (Duncan, o assessor com agenda própria) e Sarah Green (como a repórter que não se conforma com o resultado do julgamento) de Laurence.

Apenas para ficar em um dos temas da série: a liberdade de expressão e seu conflito permanente com os limites impostos pelo interesse público e pela privacidade são vistos com lupa em meia dúzia de cenas antológicas na redação do jornal que investiga os malfeitos de Peter Laurence. Até onde o interesse do editor chefe e da repórter é a busca de uma notícia de interesse público e qual o limite da perseguição política e da vingança contra um só político?

Fiquei encantando com ROADKILL. É uma série de TV modelar no campo da intriga política. Tudo se encaixou muito bem e funcionou à perfeição. Há tensão, emoção, cinismo, humor, entretenimento, crítica às instituições, paranoia na medida exata. A crítica tem citado um número excessivo de clichês. Na minha opinião, ROADKILL apenas mostrou a realidade. A vida é cheia de clichês. Ainda mais na política.

The BBC released on October 20, 2020 its new flagship series ROADKILL, a sort of non-condescending autopsy from the Office of Prime Minister of the English Government, the famous office located at 10 Downing Street. Conservative Prime Minister Dawn Allison (the excellent English actress Helen McCrory, of PEAKY BLINDERS and THE QUEEN) is grappling with numerous Cabinet crises, much of which are linked to the professional manifestations and confusions of the personal life of one of her main Ministers , the liberal Peter Laurence (what a great actor is Hugh Laurie, the eternal Gregory House, in another anthological work).

In the 4 chapters of this first season, Laurence sues a tabloid that accused him of wanting to make money from the privatization of the health system, sees the appearance of an illegitimate daughter who is imprisoned, invests against the English prison system that holds a lot and rehabilitates little, is involved in a family crisis when a daughter discovers his long-time girlfriend, is charged by his lover about the secret of their relationship, suffers an almost fatal car accident and still wants to be promoted, taking over as Prime Minister.

Only an absolutely brilliant script could examine so many themes, in a deep, analytical, fun and forceful way in so few chapters. David Hare (screenwriter for THE HOURS and THE READER to name just two films) is a master in the art of writing dynamic and incisive scripts. His characters and dialogues have a perfect symbiosis between reality and fiction.

As always in the English series, the cast (including the small supporting actors is perfect. Director Michael Keillor (CB STRIKE and LINE OF DUTY) is impeccable in the conduct of Sidse Babett Knudsen (BORGEN and WESTWORLD), Saskia Reeves (LUTHER) extraordinary as the betrayed wife, Millie Brady (the youngest daughter addicted to cocaine), the noted black actress Shalom Brune-Franklin as the bastard and inmate, Olivia Vinall (Julia, the PM assistant who manipulates everyone), Iain de Caestecker (Duncan , the advisor with his own agenda) and Sarah Green (as the reporter who does not conform to the outcome of Laurence’s trial.

Just to stay on one of the themes of the series: freedom of expression and its permanent conflict with the limits imposed by the public interest and privacy are seen with a magnifying glass in half a dozen anthological scenes in the newsroom of the newspaper that investigates Peter Laurence’s misdeeds. How far is the interest of the editor-in-chief and the reporter in the search for news of public interest and what is the limit of political persecution and revenge against a single politician?

I was delighted with ROADKILL. It is a model TV series in the field of political intrigue. Everything fit together very well and worked perfectly. There is tension, emotion, cynicism, humor, entertainment, criticism of institutions, paranoia in the exact measure. Criticism has cited an excessive number of clichés. In my opinion, ROADKILL just showed the reality. Life is full of clichés. Even more in politics.

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