OS 7 DE CHICAGO

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É FERNANDO ERNESTO CORREA.

Vi e revi esse interessantíssimo filme no NETFLIX. Surpreendeu-me. Eu não tinha a menor ideia da importância do evento tema ocorrido em agosto de 1968 em Chicago. Lá acontecia a convenção nacional do Partido Democrático para homologar a candidatura de Humphey à presidência nas eleições marcadas para novembro. Ele perdeu para o republicano Nixon.

Houve um movimento, espontâneo por um lado e sincronizado por outro, de minorias de toda a espécie visando a aproveitarem a visibilidade nacional para se manifestarem no encontro dos democratas. Richard Daley, quase prefeito vitalício de Chicago (1955/1976), aliado de Humphey, tomou providências descomunais para impedir a manifestação popular. Além da polícia local, requisitou força federal, ou seja, ao invés de manter a ordem, com sua ação facista e autoritária alimentou a desordem que virou uma verdadeira batalha campal.

Vamos ao filme, que trata do julgamento de 7 (ou 8) “bagunceiros” que teriam infringido a Lei da Segurança Nacional, sujeitos a penas de até 10 anos. O filme dá uma visão comovedora do sucedido na convenção e no seu entorno, especialmente no julgamento. Tudo isso enriquecido por imagens reais (em preto e branco) que remetem aos principais “combates” e suas origens.

Roteiro, produção e direção irrepreensíveis de Aaron Sorkin. Os acusados (7 ou 8) com desempenhos incrivelmente harmônicos dentro do caos geral. Destaco Sacha Baron Cohen no papel de hippie; Eddie Redmayne (Oscar de Melhor Ator) como um réu bem comportado, posto que cínico; Joseph Lewitt perfeito no papel de um promotor violento, mas com alguma consciência – aí houve uma liberdade de criação no texto. Também saliento o trabalho de Frank Langella como um juiz totalmente parcial e disposto a botar todos os réus na cadeia pelo máximo de tempo possível.

Chega de falar sobre o enredo. Quero concluir essa minha crítica com a observação de que essa “película” (não gosto deste sinônimo de filme) serve também como uma lição de história política e social. Há apenas 50 anos, no primeiríssimo mundo, eram completamente desconsiderados e, no caso, esmagados a liberdade de expressão e os direitos das minorias.

Não percam essa magistral produção que reporta a um acontecimento muito importante da história norte-americana pouco acompanhado e mal analisado pelos brasileiros, embora sua grande repercussão mundial.

TODAY’S CINEMARCO GUEST IS FERNANDO ERNESTO CORREA.

I saw and reviewed this interesting film on NETFLIX. It surprised me. I had no idea of ​​the importance of the theme event that took place in August 1968 in Chicago. There, the Democratic Party’s national convention was held to ratify Humphey’s candidacy for the presidency in the elections scheduled for November. He lost to Republican Nixon.

There was a movement, spontaneous on the one hand and synchronized on the other, of minorities of all kinds in order to take advantage of national visibility to demonstrate at the meeting of the Democrats. Richard Daley, almost life-long mayor of Chicago (1955/1976), an ally of Humphey, took extraordinary measures to prevent popular demonstration. In addition to the local police, he requested federal strength, that is, instead of maintaining order, his facist and authoritarian action fueled the disorder that turned into a true pitched battle.

We go to the film, which deals with the trial of 7 (or 8) “messy” who would have violated the National Security Law, subject to sentences of up to 10 years. The film gives a moving view of what happened at the convention and its surroundings, especially at the trial. All of this enriched by real images (in black and white) that refer to the main “battles” and their origins.

Irreproachable script, production and direction by Aaron Sorkin. The accused (7 or 8) with incredibly harmonious performances within the general chaos. I highlight Sacha Baron Cohen as a hippie; Eddie Redmayne (Oscar of Best Actor) as a well-behaved defendant, though cynical; Joseph Lewitt perfect in the role of a violent promoter, but with some awareness – there was a freedom of creation in the text. I also emphasize Frank Langella‘s work as a fully partial judge and willing to put all defendants in jail for as long as possible.

No more talking about the plot. I want to conclude my criticism with the observation that this “film” (I don’t like this synonym for film) also serves as a lesson in political and social history. Only 50 years ago, in the very first world, they were completely disregarded and, in this case, freedom of expression and the rights of minorities were crushed.

Do not miss this masterful production that reports to a very important event in North American history, which has been poorly followed and poorly analyzed by Brazilians, despite its great worldwide repercussion.

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