O DESAFIO DAS ÁGUIAS: Burton e Eastwood em Filme de Guerra que Segue Muito Interessante

O DESAFIO DAS ÁGUIAS, filme de guerra que o cineasta novaiorquino Brian G. Hutton (o mesmo do anárquico e memorável GUERREIROS PILANTRAS) fez em 1968 já tem 52 anos de sua realização e segue com seu interesse intacto. É baseado em um livro do famoso escritor Alistair MacLean.

O Major John Smith (Richard Burton parecendo mais velho que os 43 anos que tinha) é escolhido para chefiar uma missão militar cujo objetivo era libertar um General americano capturado pelos nazistas na Áustria, sabendo informações estratégicas sobre a invasão da Europa pelos aliados. Ocorre que o prisioneiro está sendo interrogado pelos inimigos no castelo de Schloss Adler, localizado na Alsácia, de dificílimo acesso. Misteriosa e injustificadamente, é incluído na missão, um jovem tenente americano (Clint Eastwood), frio e excelente na arte de matar por todas as formas conhecidas.

As duas personagens femininas do filme já evidenciam que O DESAFIO DAS ÁGUIAS é um filme que foge aos lugares comuns do gênero. Embora bonitas e sedutoras, Mary Ure (ao que se diz ela própria sobrevivente da Segunda Guerra) e Ingrid Pitt, vivem Mary e Heidi, duas agentes que não hesitam em matar, se arriscar e atirar bombas e manejar metralhadoras como se fossem coisas comuns. Eram precursoras do empoderamento feminino no cinema.

A produção é bem característica de Filme B (bem feito mas com carências de produção). As cenas com projeções de fundo e utilizações de miniaturas são bem evidentes, há alguns coadjuvantes bem ruinzinhos e a parte final com agentes duplos e triplos é bem confusa.

Há, no entanto, muita coisa original em WHERE EAGLES DARE. Clint Eastwood – recém chegado dos maravilhosos spaghetti western de Sergio Leone – segue matando inimigos a granel, com uma frieza espantosa. Ele mata mais de uma centena de soldados nazistas durante a missão. Estas cenas lembram um pouco o cinema de Tarantino porque, ao contrário do era comum na época, se vê o sangue saindo dos corpos atingidos pelas balas disparadas pelo Tenente Schaffer.

Outra coisa muito fora do padrão é o helicóptero em que voa o General nazista encarregado do interrogatório. Sem conhecer helicópteros, parece óbvio que aquele tipo não existia na Segunda Guerra Mundial (pelo menos nunca vi em filmes do gênero), o que interpreto como mais uma ousadia criativa de Hutton.

O importante é que 52 anos depois de feito, WHERE EAGLES DARE segue sendo extremamente interessante de se ver. Um filme de guerra que não perde seu charme inovador.

WHERE EAGLES DARE, a war film that New York filmmaker Brian G. Hutton (the same as the anarchic and memorable KELLY’S HEROES) made in 1968 is already 52 years old and continues with his interest intact. It is based on a book by the famous writer Alistair MacLean.

Major John Smith (Richard Burton looking older than the 43 years he was) is chosen to head a military mission aimed at freeing an American General captured by the Nazis in Austria, knowing strategic information about the Allies’ invasion of Europe . It turns out that the prisoner is being interrogated by enemies in the castle of Schloss Adler, located in Alsace, which is very difficult to access. Mysteriously and unjustifiably, a young American lieutenant (Clint Eastwood), cold and excellent in the art of killing in all known ways, is included in the mission.

The two female characters in the film already show that WHERE EAGLES DARE is a film that escapes the common places of the genre. Although beautiful and seductive, Mary Ure (who is said to be a World War II survivor herself) and Ingrid Pitt, live Mary and Heidi, two agents who do not hesitate to kill, take chances and throw bombs and handle machine guns as if they were common things. They were precursors of female empowerment in cinema.

The production is very characteristic of Film B (well done but with production shortages). The scenes with background projections and uses of miniatures are very evident, there are some very bad suporting actors and the final part with double and triple agents is very confusing.

There is, however, a lot of originality in WHERE EAGLES DARE. Clint Eastwood – just arrived from Sergio Leone‘s wonderful western spaghetti – continues to kill enemies in bulk, with amazing coldness. He kills more than a hundred Nazi soldiers during the mission. These scenes are somewhat reminiscent of Tarantino‘s cinema because, contrary to what was common at the time, blood is seen coming from the bodies hit by the bullets fired by Lieutenant Schaffer.

Another very unusual thing is the helicopter in which the Nazi General in charge of the interrogation flies. Without knowing helicopters, it seems obvious that that type did not exist in World War II (at least I never saw it in films of the genre), which I interpret as another creative boldness by Hutton.

The important thing is that 52 years after being made, WHERE EAGLES DARE continues to be extremely interesting to see. A war film that does not lose its innovative charm.

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