O ESPIÃO QUE SAIU DO FRIO: Obra Genial de John Le Carré em Filme Maravilhoso

Ontem eu resolvi prestar uma homenagem silenciosa a John Le Carré.

Fui rever O ESPIÃO QUE SAIU DO FRIO (THE SPY WHO CAME IN FROM THE COLD), filme que o cineasta novaiorquino Martin Ritt fez em 1965 a partir do livro mais famoso do mestre Le Carré.

Um espião inglês, em final de carreira, recusa um cargo burocrático, e vai para uma última missão, a mais perigosa de sua vida. Fingir uma traição para acessar a alta cúpula de espionagemda Cortina de Ferro.

O filme foi indicado a 2 Oscars, Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante (Oskar Werner), 4 BAFTAS (Fotografia, Direção de Arte, Filme Britânico e Ator Britânico), um David di Donatello (Melhor Ator) e um Edgar Allan Poe Award.

Martin Ritt – autor de grandes filmes como THE FRONT, CONRACK, NORMA RAE – fez aqui outra obra cinematograficamente brilhante. O clima de seu filme, acentuado por uma belíssima fotografia em preto e branco, é frio e permanentemente tenso.

THE SPY WHO CAME IN FROM THE COLD tem tudo o que celebrizou John Le Carré. Trama de espionagem complexa, sentimento a flor da pele, idas e vidas, personagens memoráveis e um jogo de espionagem que Le Carré soube criar (e narrar) como nenhum outro.

Richard Burton, o premiado ator galês, teve desempenhos inesquecíveis em muitos do 79 filmes em que atuou. O psiquiatra Martin Dysart, de EQUUS, por exemplo, é um momento sublime na arte de interpretar. Seu Alec Leamas é primoroso. Um espião corajoso, idealista, frio e extremamente profissional. O arquétipo do herói de Le Carré.

O elenco do filme tem Oskar Werner (JULES ET JIM), Claire Bloom (maravilhosa como o sopro romântico e sensual em um filme propositadamente frio), Sam Wannmaker, Rupert Davies e Bernard Lee (o famoso M, chefe de James Bond), aqui sensacional como Mr. Patmore, o dono do mercadinho.

Hoje é difícil explicar aos jovens o clima reinante durante a Guerra Fria. EUA (e seus aliados) temerosos do poderio militar da União Soviética e seus parceiros da Cortina de Ferro (que termo datado). Paranoia (recíproca) e medo eram as palavras de ordem. Arame Farpado, muros altos e soldados que atiravam para matar na fronteira entre Berlim ocidental e Berlim Oriental eram as imagens que viviam em nossas cabeças, assustadoras.

Talvez este seja o filme que melhor captou este clima. A história de John Le Carré – fielmente levada às telas por Martin Ritt – é perfeita.

Ave John Le Carré!

Yesterday I decided to pay a silent tribute to John Le Carré.

I went to review THE SPY WHO CAME IN FROM THE COLD, a film that New York filmmaker Martin Ritt made in 1965 from the most famous book by master Le Carré.

An English spy, at the end of his career, refuses a bureaucratic position, and goes on one last mission, the most dangerous of his life. Pretend betrayal to access the Iron Curtain’s high espionage dome.

The film was nominated for 2 Oscars, Won the Golden Globe for Best Supporting Actor (Oskar Werner), 4 BAFTAS (Photography, Art Direction, British Film and British Actor), a David di Donatello (Best Actor) and an Edgar Allan Poe Award.

Martin Ritt – author of great films like THE FRONT, CONRACK, NORMA RAE – made another cinematographically brilliant work here. The mood of your film, accentuated by beautiful black and white photography, is cold and permanently tense.

THE SPY WHO CAME IN FROM THE COLD has everything that made John Le Carré famous. Complex espionage plot, skin feeling, comings and goings, memorable characters and a spy game that Le Carré knew how to create (and narrate) like no other.

Richard Burton, the award-winning Welsh actor, had unforgettable performances in many of the 79 films in which he starred. EQUUS psychiatrist Martin Dysart, for example, is a sublime moment in the art of acting. His Alec Leamas is exquisite. A brave, idealistic, cold and extremely professional spy. The archetype of the hero of Le Carré.

The cast of the film has Oskar Werner (JULES ET JIM), Claire Bloom (wonderful as the romantic and sensual breath in a purposefully cold film), Sam Wannmaker, Rupert Davies and Bernard Lee (the famous M, James Bond boss) ), here sensational as Mr. Patmore, the owner of the grocery store.

Today it is difficult to explain to young people the climate prevailing during the Cold War. USA (and its allies) fearing the military might of the Soviet Union and its Iron Curtain partners (what a dated term). Paranoia (reciprocal) and fear were the watchwords. Barbed wire, high walls and soldiers who shot to kill on the border between West Berlin and East Berlin were the scary images that lived in our heads.

Perhaps this is the film that best captured this mood. John Le Carré’s story – faithfully brought to the screen by Martin Ritt – is perfect.

Ave John Le Carré!

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