FIRST COW: Simples, Genial e Fascinante Fábula do Oeste

Muitos amigos meus me falaram do filme FIRST COW, premiadíssimo trabalho dirigido pela cineasta natural de Miami, Kelly Reichardt (CERTAIN WOMEN), que andou encantando todos por onde foi exibido. Ontem fui até os filmes da apple TV+ e mergulhei de cabeça neste western estilizado, magistralmente concebido e realizado.

FISRT COW conta a história de dois homens que se encontram no Oregon nos primórdios da colonização do Oeste Americano. Um é um cozinheiro talentoso e o outro um imigrante japonês ansioso por achar uma atividade rentável naquele mar de oportunidades. Ao verem que um inglês que comanda o local tem uma vaca, resolvem “roubar” leite todas as noites e fazer quitutes diferentes de tudo o que as pessoas tem à disposição para comer. Rapidamente viram um sucesso no mercado local, provocando filas e a atenção do “dono da vaca”.

Sem dúvida, dá para dizer que FIRST COW é um western. Se passa no Oeste Americano em seus tempos inicias de colonização. Tem tiros, perseguições, índios, colonizadores, militares tudo o que o western consagrou. Mas o olhar de Reichardt, embora profundamente respeitoso, é criativo e diferente.

Há muitos aspectos fascinantes no filme de Reihardt. O primeiro é a simplicidade. Muitas vezes já vimos histórias simples gerarem grandes filmes. Sofisticação não é um elemento necessário ou imprescindível de um grande filme. Aqui os personagens são pessoas simples, pobres (em regra), cujas ambições são pequenas (no início) e plenamente atingíveis.

O segundo é a valorização da amizade. O western construiu muito de sua mítica em cima da amizade entre homens brutalizados. FIRST COW aproxima dois homens tão diferentes entre si, mas tão iguais em sua parceria. Lindo de se ver.

Claro que estão presentes as mazelas da humanidade como a força bruta (desde a fila para adquirir os bolinhos vendidos pelos protagonistas), a intolerância da perseguição aos transgressores da lei, a arrogância dos políticos e militares em postos de comando e muito mais.

John Magro faz um extraordinário Cokie. Orion Lee é um magnífico King-Lu. Os diálogos entre eles são ricos, humanos e divertidos. O espectador fica hipnotizado pelas cenas com os dois homens dizendo coisas tão simples quanto profundas.

Toby Jones, Ala Shawkat, René Aubergenois e Scott Shepherd fazem um elenco ótimo.

O crítico do THE NEW YORK TIMES, A.O.Scott escreveu sobre FIRST COW: “E os prazeres da “FIRST COW” são profundos e substanciais. O estilo de Reichardt é direto e contido, às vezes ao ponto da austeridade, mas no seu melhor – em “Old Joy”, “Wendy e Lucy” e neste, talvez seu melhor traço até agora – ela encontra uma rica ressonância poética na planície, imagens e palavras pouco evidentes. (A fotografia grosseira e pictórica é de Christopher Blauvelt). E também uma veia dura de humor. A pomposidade do Factor Chief e seu círculo, que falam da moda parisiense e da disciplina militar, é ridícula (embora também potencialmente letal). As ocasionais brigas leves que borbulham entre Cookie e King-Lu têm seu próprio absurdo encantador, como se Robert Altman estivesse dirigindo um episódio de “The Odd Couple” escrito por Samuel Beckett.”

FIRST COW não somente se inscreve entre os melhores filmes do ano de 2020 como na minha opinião vai ser lembrado por muitos anos como mais uma pequena jóia do cinema.

Many of my friends told me about the film FIRST COW, an award-winning work directed by Miami-born filmmaker Kelly Reichardt (CERTAIN WOMEN), who has been enchanting everyone where it was shown. Yesterday I went to the Apple TV + films and dove into this stylized, masterfully designed and realized western.

FISRT COW tells the story of two men who are in Oregon at the beginning of the colonization of the American West. One is a talented cook and the other a Japanese immigrant eager to find a profitable activity in that sea of ​​opportunities. When they see that an Englishman who runs the place has a cow, they decide to “steal” milk every night and make delicacies different from everything that people have to eat. They quickly saw a success in the local market, causing queues and the attention of the “owner of the cow”.

Undoubtedly, you can say that FIRST COW is a western. It takes place in the American West in its early colonization times. There are shots, chases, Indians, colonizers, soldiers, everything that the Western consecrated. But Reichardt’s look, while deeply respectful, is creative and different.

There are many fascinating aspects to Reihardt’s film. The first is simplicity. We have often seen simple stories generate great films. Sophistication is not a necessary or essential element of a great film. Here the characters are simple people, poor (as a rule), whose ambitions are small (at the beginning) and fully attainable.

The second is the appreciation of friendship. The western has built much of its mythic on the friendship between brutalized men. FIRST COW brings two men so different from each other, but so equal in their partnership. Beautiful to see.

Of course, the ailments of humanity are present, such as brute force (from the line to acquire the cookies sold by the protagonists), the intolerance of the persecution of lawbreakers, the arrogance of politicians and soldiers in command posts and much more .

John Magro makes an extraordinary Cookie. Orion Lee is a magnificent King-Lu. The dialogues between them are rich, human and fun. The viewer is mesmerized by the scenes with the two men saying things as simple as they are profound.

Toby Jones, Ala Shawkat, René Aubergenois and Scott Shepherd make a great cast.

THE NEW YORK TIMES critic A.O.Scott wrote about FIRST COW: “And the pleasures of “First Cow” are deep and substantial. Reichardt’s style is direct and restrained, sometimes to the point of austerity, but at her best — in “Old Joy,” “Wendy and Lucy” and in this, perhaps her finest feature so far — she finds a rich poetic resonance in plain, unshowy images and words. (The rough, painterly cinematography is by Christopher Blauvelt). And also a flinty vein of humor. The pomposity of the Chief Factor and his circle, who talk of Paris fashions and military discipline, is ridiculous (if also potentially lethal). The occasional mild quarrels that bubble up between Cookie and King-Lu have their own charming absurdity, as if Robert Altman were directing an episode of “The Odd Couple” written by Samuel Beckett. “

FIRST COW is not only registered among the best films of the year 2020, but in my opinion it will be remembered for many years as another little gem of cinema.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.