ESTADOS UNIDOS VS. BILLIE HOLIDAY: Filmaço Sobre Uma Mulher Notável e Complicada

O ano da pandemia gerou grandes filmes. Cada novo título a que a gente tem acesso parece melhor que o anterior. UNITED STATES VS. BILLIE HOLIDAY, dirigido pelo americano Lee Daniels é nada mais nada menos que um filme espetacular, impressionante, notável.

Estreado esta semana no HULU, o filme se debruça sobre a vida e carreira da maravilhosa cantora negra americana Billie Holiday, eternamente um dos maiores nomes da história da música e especificamente do Jazz.

Mulher pobre de infância terrível (foi abandonada pelos pais, violentada várias vezes por parentes e pessoas próximas, teve que se prostituir ainda menina para sobreviver), quando foi descoberta por um produtor de discos como uma cantora extraordinária, Billie Holiday fez uma carreira meteórica, se tornando um dos maiores nomes femininos da história da música, mas durante o tempo todo envolvida com drogas pesadas (foi viciada em heroína) e bebida sem medida (alcoólatra, morreu de cirrose hepática, aos 44 anos).

Desde o início da carreira, quando tornou célebre a canção STRANGE FRUIT, sobre o linchamento de negros (um hino poderoso contra o racismo) passou a sofrer uma perseguição sem fim pelo FBI de J.Edgar Hoover, através do agente da Divisão de Narcóticos Harry Anslinger, que a consideravam “un-american”.

É muito difícil falar sobre o maravilhoso filme de Daniels. É uma sucessão de cenas incríveis, poderosas e contundentes, uma canção violenta contra o racismo criada em cima da carreira notável de uma mulher à frente do seu tempo. Há cenas visualmente deslumbrantes, seja nos shows de Billie (o que são as cenas dos concertos lotados no Carnegie Hall, em NY?), seja nos delírios e pesadelos levados pela heróina, seja no uso alternado do preto e branco, um dos melhores da história do cinema.

Neste particular, o que dizer da interpretação da atriz e cantora Andra Day, uma ex-designer egressa do Fashion Fund de Anna Wintour que aparece cantando em mais de 30 filmes mas faz aqui sua segunda aparição como atriz (a outra foi no ótimo filme MARSHALL). Poderia ser seu último trabalho. Será eterno. Sua Billie Holiday é visceral, determinada, fascinante, múltipla, contraditória, uma mulher impressionante e tão poderosa quanto frágil. Ela canta (maravilhosamente), fala, grita, apanha, se droga, bebe demais, se destrói ao som de canções eternas.

O elenco também é memorável: Leslie Jordan, Miss Lawrence, Natasha Lyone, Trevante Roades (maravilhoso como o agente do FBI Jimmy Fletcher, apaixonado por Billie), Dusan Dukic e Garret Hedlund (incrível como Anslinger).

UNITED STATES VS. BILLIE HOLIDAY é um extraordinário filme. Tão poderosos quanto a canção STRANGE FRUIT: um hino contra o racismo e uma ode à luta pela liberdade.

Fruta Estranha

Árvores do sul produzem uma fruta estranha,
Sangue nas folhas e sangue nas raízes,
Corpos negros balançando na brisa do sul,
Frutas estranhas penduradas nos álamos.

Cena pastoril do valente sul,
Os olhos inchados e a boca torcida,
Perfume de magnólias, doce e fresca,
Então o repentino cheiro de carne queimando.

Aqui está a fruta para os corvos arrancarem,
Para a chuva recolher, para o vento sugar,
Para o sol apodrecer, para as árvores derrubarem,
Aqui está a estranha e amarga colheita.

The year of the pandemic gave us great films. Each new title that we have access looks better than the previous one. UNITED STATES VS. BILLIE HOLIDAY, directed by American Lee Daniels is nothing short of a spectacular, impressive, remarkable film.

Premiered this week at HULU, the film focuses on the life and career of the American black singer Billie Holiday, eternally one of the greatest names in the history of music and specifically Jazz.

Poor woman of terrible childhood (she was abandoned by her parents, raped several times by relatives and close people, she had to prostitute herself as a girl to survive), when she was discovered by a record producer as an extraordinary singer, Billie Holiday made a meteoric career, becoming one of the biggest female names in the history of music, but during the whole time involved with heavy drugs (was addicted to heroin) and drink without measure (alcoholic, died of liver cirrhosis, at the age of 44).

Since the beginning of his career, when the song STRANGE FRUIT, about the lynching of blacks (a powerful anthem against racism), became notorious, she suffered endless persecution by J. Edgar Hoover’s FBI, through the Division agent of Narcotics Harry Anslinger, who considered her “un-American”.

It is very difficult to talk about the wonderful Daniels film. It is a succession of incredible, powerful and blunt scenes, a violent song against racism created over a remarkable career of this woman, a person ahead of her time. There are visually stunning scenes, whether at Billie’s concerts (what are the scenes from crowded concerts at Carnegie Hall, NY?), or in the delusions and nightmares brought on by the heroin, or in the alternate use of black and white, one of the best in cinema history.

In this regard, what about the interpretation of actress and singer Andra Day, a former designer from the Fashion Fund by Anna Wintour who appears singing in more than 30 films but makes her second appearance here as an actress (the other was in great MARSHALL movie). It could be her last job. It will be eternal. Her Billie Holiday is visceral, determined, fascinating, multiple, contradictory, an impressive woman and as powerful as fragile. She sings (wonderfully), talks, screams, gets beat up, does drugs, drinks too much, destroys herself to the sound of eternal songs.

The cast is also remarkable: Leslie Jordan, Miss Lawrence, Natasha Lyone, Trevante Roades (wonderful as the FBI agent Jimmy Fletcher, in love with Billie), Dusan Dukic and Garret Hedlund (remarkable as Anslinger).

UNITED STATES VS. BILLIE HOLIDAY is an extraordinary film. As powerful as the song STRANGE FRUIT: a hymn against racism and a poem about the fight for freedom.

Strange Fruit

Southern trees bear strange fruit,
Blood on the leaves and blood at the root,
Black bodies swinging in the southern breeze,
Strange fruit hanging from the poplar trees.

Pastoral scene of the gallant south,
The bulging eyes and the twisted mouth,
Scent of magnolias, sweet and fresh,
Then the sudden smell of burning flesh.

Here is fruit for the crows to pluck,
For the rain to gather, for the wind to suck,
For the sun to rot, for the trees to drop,
Here is a strange and bitter crop.

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