PIECES OF A WOMAN: Vidas aos Pedaços

PIECES OF A WOMAN, do cineasta húngaro Kornél Mundruczó é um violento soco no estômago do espectador, o que resulta num filme difícil, indigesto, duro de se ver, mas que paradoxalmente tem um imenso afeto e humanismo em todos os seus momentos.

Um casal jovem, afastado da família dela que não gosta do genro pobretão, resolve ter o primeiro filho em um parto caseiro. A parteira escolhida está indisponível no momento do nascimento e indica uma colega. O parto sai terrivelmente mal e a menina nascida morre instantes depois.

O fato – compreensivelmente – quebra em pedaços a vida de todos os envolvidos. Martha, a mãe (espetacular interpretação da ascendente atriz canadense Vanessa Kirby, a Princesa Margareth de THE CROWN) fica absolutamente catatônica, neurótica, agressiva e incapaz de qualquer gesto de carinho com todos que a cercam. Sean, o pai (Shia LaBoeuf, em interpretação nervosa) chora sem parar, deixa o emprego, volta à bebida e drogas e começa a ter seguidas brigas com a esposa enlutada. Elizabeth, a avó rica, outro trabalho magnífico da grande atriz Ellen Burstyn (seis indicações ao Oscar de Melhor Atriz e uma estatueta por ALICE NÃO MORA MAIS AQUI) vê a vida de todos desabar com a tragédia e procura desesperadamente repor as coisas nos trilhos ao custo que for. Eva, a parteira (a também canadense Molly Parker, notável) é acusada cível e criminalmente de homicídio culposo e passa a ser centro de atenções da mídia pelo horrível acontecimento.

PIECES OF A WOMAN é um filme muito dramático, sobre mulheres e seus sentimentos diante de uma tragédia. Embora tenha um relevante personagem masculino, a cena é das mulheres. Por isso, ainda mais surpreendente é a sensibilidade de Mundruczó ao conduzir as difícies cenas do inspirado roteiro da também húngara Katav Wéber. Cada cena do roteiro é muito demandante emocionalmente.

Há muitas cenas brilhantes no roteiro e no filme. Sem dar spoiler, o monólogo de Elizabeth e a cena da fotografia com Martha são por baixo, primorosas dos pontos de vista cinematográfico e humano. Dois momentos sublimes de dor e emoção.

PIECES OF A WOMAN é um filme muito forte. Mas tão brilhantemente executado quanto sua tristeza interior.

PIECES OF A WOMAN, by the Hungarian filmmaker Kornél Mundruczó is a violent punch in the stomach of the viewer, which results in a difficult, indigestible film, hard to see, but that paradoxically with immense affection and humanism in all its moments .

A young couple, estranged from her family who do not like the poor son-in-law, decides to have their first child in a home birth. The chosen midwife is unavailable at birth and indicates a colleague. Childbirth goes terribly bad and the born girl dies moments later.

The fact – understandably – breaks the lives of everyone involved in pieces. Martha, the mother (spectacular interpretation of up-and-coming Canadian actress Vanessa Kirby, Princess Margareth of THE CROWN) is absolutely catatonic, neurotic, aggressive and incapable of any kind of affection towards everyone around her. Sean, the father (Shia LaBoeuf, in a nervous interpretation) cries nonstop, quits his job, goes back to drinking and drugs and starts to have several fights with his grieving wife. Elizabeth, the wealthy grandmother, another magnificent work by the great actress Ellen Burstyn (six Oscar nominations for Best Actress and a statuette for ALICE DOESN’T LIVE HERE ANYMORE) sees everyone’s life collapsing with tragedy and desperately seeks to put things back on track whatever cost. Eva, the midwife (also Canadian Molly Parker, notable) is civilly and criminally accused of manslaughter and becomes the center of media attention for the horrible event.

PIECES OF A WOMAN is a very dramatic film, about women and their feelings in the face of a tragedy. Although it has a relevant male character, the scene is all of women. Therefore, even more surprising is Mundruczó’s sensitivity in conducting the difficult scenes of the inspired script by the Hungarian Katav Wéber. Each scene in the script is very emotionally demanding.

There are many brilliant scenes in the script and in the film. Without spoiler, Elizabeth’s monologue and the photography scene with Martha are underneath, exquisite from a cinematic and human point of view. Two sublime moments of pain and emotion.

PIECES OF A WOMAN is a very strong film. But as brilliantly executed as its inner sadness.

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