THE MAURITANIAN: Um Filme Espetacular Sobre uma História Real e Poderosa

Ontem à tarde resolvi dar um presente para a Ana Cássia e para mim. Aluguei na Apple TV+, por US$ 19,99, o filme THE MAURITANIAN, que Kevin McDonald fez com Jodie Foster, Benedict Cumberbatch, Shailene Woodley e o extraordinário ator Tahar Rahim (O PROFETA).

Valeu cada cent.

Trata-se de um filme espetacular, daqueles que aparece raramente.

Um descendente de árabes é preso em sua cidade natal supostamente por ter sido um dos recrutadores dos terroristas que perpetraram os atentados de 11 de setembro. Sem jamais ter sido formalmente acusado, ele ficou preso durante 15 anos na Prisão de Guantanamo, base americana em uma praia cubana.

Mouhamedou Ould Slahi – o personagem real – escreveu um livro sobre sua experiência, que serve de base para o excepcional roteiro de Michael Bronner, Rory Haines e Sohrab Noshirvani, um exemplo de como se contar uma história verdadeira.

Uma advogada interessada em causas humanitárias se interessa pelo caso e vai se envolver até o fim na batalha para conseguir justiça para Slahi. Maltratada pela mídia americana com a pecha de “a advogada dos terroristas”, duvidada pelos sócios, questionada pela colega mais jovem, ela se firma na convicção de que não está defendendo Slahi, mas a Constituição Americana.

O trabalho de Jodie Foster (recentemente premiado com o Globo de Ouro) é incrível. Minimalista, contido e poderoso. As emoções não aparecem a flor da pele. O trabalho da advogada exige frieza e estratégia. A emoção deve ficar para a parte.

Benedict Cumberbatch, o Promotor encarregado pelo exército de fazer a acusação, inicia sua tarefa cheio de certezas e convicções e vai ficando cheio de dúvidas à medida em que se aprofunda no caso. Como na vida, as certezas inabaláveis são amigas da ignorância. A integridade de seu personagem não estava à venda.

Tahar Rahim é um caso à parte. anos atrás ele apareceu para o mundo como Malik em O PROFETA. aqui faz uma trabalho ainda melhor, mostrando toda a trajetória de Slahi, da prisão aos dias atuais, inclusive (um recurso admirável do filme) com cenas do próprio na atualidade.

Shailene Woodley mostra as hesitações e paixões características dos mais jovens. Se emociona ao falar com a mãe do preso e “inventa” coisas para atenuar a dramaticidade extrema do drama de Slahi.

O diretor escocês Kevin McDonald (O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA e INTRIGAS DE ESTADO) faz seu melhor filme. Ancorado em uma história poderosas, cria imagens, cenas e diálogos memoráveis. Um drama incrível, em que os recursos de linguagem de McDonald, alterando formatos de imagens em cada época da narrativa é um elemento superior.

O mais incrível é que o filme não deixa claro (e nem é seu propósito) se Slahi era ou não culpado do que lhe atribuíam. O direito à presunção de inocência e a um julgamento justo são muito mais importantes.

Uma lição de direito, de vida e de cinema.

Yesterday afternoon I decided to give a gift to Ana Cássia and myself. I rented on Apple TV +, for $ 19.99, the movie THE MAURITANIAN, which Kevin McDonald made with Jodie Foster, Benedict Cumberbatch, Shailene Woodley and the extraordinary actor Tahar Rahim (THE PROPHET).

Worth every cent.

It is a spectacular film, one that rarely is made.

A descendant of Arabs is arrested in his hometown allegedly for being one of the recruiters of the terrorists who carried out the 9/11 attacks. Without ever being formally charged, he was imprisoned for 15 years in Guantanamo Prison, an American base on a Cuban beach.

Mouhamedou Ould Slahi -the real character- wrote a book about his experience, which serves as the basis for Michael Bronner‘s, Rory Haines’ and Sohrab Noshirvani’s exceptional script, an example of how to tell a true story.

A lawyer interested in humanitarian causes is interested in the case and will be involved until the end in the battle to obtain justice for Slahi. Mistreated by the American media with the slogan of “the lawyer for terrorists”, she is doubted by the partners, questioned by the younger colleague, but she stands on the conviction that she is not defending Slahi, but the American Constitution.

The work of Jodie Foster (recently awarded the Golden Globe Award) is incredible. Minimalist, restrained and powerful. Emotions do not appear on the surface. The lawyer’s job requires coolness and strategy. The emotion must be left aside.

Benedict Cumberbatch, the prosecutor in charge by the army to make the accusation, begins his task full of certainties and convictions and becomes full of doubts as he delves into the case. As in life, unshakable certainties are friends of ignorance. His character integrity was not for sale.

Tahar Rahim is a very special case. Years ago he appeared to the world as the outstanding Malik in THE PROPHET. Here he does an even better job, showing the entire trajectory of Slahi, from prison to the present day, including (an admirable feature of the film) with scenes of his own today.

Shailene Woodley shows the hesitations and passions that are characteristic of young people. She is thrilled to speak with the prisoner’s mother and “make up” things to mitigate the extreme drama of Slahi’s drama.

Scottish director Kevin McDonald (THE LAST KING OF SCOTLAND and STATE OF PLAY) makes his best film. Anchored in a powerful story, he creates memorable images, scenes and dialogues. An incredible drama, in which McDonald’s language resources, changing image formats in each epoch of the narrative is a superior element.

The most incredible thing is that the film does not make it clear (and neither is its purpose) whether or not Slahi was guilty of what was attributed to him. The right to a presumption of innocence and a fair trial is much more important.

A lesson about law, life and cinema.

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