OS BRUTOS TAMBÉM AMAM: Um Faroeste de Referência

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É FLÁVIO BALESTRERI.

O faroeste é um dos meus gêneros cinematográficos favoritos. Mesmo que atualmente não se encontrem muitas produções do gênero, difícil não sentir saudade das matinês de domingo da minha infância/adolescência nas décadas de 1950 e 1960 em que não faltava o “filme de mocinho” na programação.

Penso que esse gênero tem como expoente máximo o trabalho de John Ford, que ajudou a impulsionar a carreira de John Wayne, e de Howard Hawks. Outros realizadores chegaram logo depois, assim como John Huston, Raoul Walsh, Michael Curtis, Cecil B. DeMille, George Stevens, Fred Zinnemann, Sam Peckinpah, Clint Eastwood, Kevin Costner. Realizadores como Fritz Lang e William Wyler, conhecidos em outros gêneros cinematográficos, também deixaram obras de referência. E não esquecendo ainda de Sergio Leone e de Sergio Corbucci, dos chamados western spaghetti.

Um dos faroestes norte-americanos que muito me tocou foi OS BRUTOS TAMBÉM AMAM (Shane), de 1953, clássico realizado por George Stevens (Assim Caminha a Humanidade, Um Lugar ao Sol). Vou resistir à tentação e não comentarei sobre esse título brasileiro do filme.  

Assisti SHANE, pela primeira vez, numa dessas reprises muito comuns na década de 1960. E já fui sabendo de toda a história. Tinha eu um tio, irmão mais novo de meu pai, que era aficionado por cinema a ponto de anotar detalhes dos filmes em maços de cigarros e caixas de fósforos para ajudá-lo a lembrar se precisasse mais tarde, já havia me contado o filme. E com tanta riqueza de detalhes, que tive a sensação de estar revendo o filme e não pela primeira vez.

Isso não impediu que eu me encantasse com a história do cavaleiro solitário Shane (Alan Ladd), que chega a uma pequena cidade e acaba se aproximando da família composta pelo colono humilde (Van Heflin) e sua esposa amorosa, dócil e prendada (Jean Arthur) e pelo filho pequeno (Brandon de Wilde). Num mundo onde a bala é a lei, a busca do protagonista por deixar para trás seu passado de violência acaba no meio de uma guerra por território que o força a reviver seus tempos de guerra.

SHANE, adaptado do romance de mesmo nome escrito em 1949 por Jack Schaefer, tem sequências memoráveis, como a em que o matador de aluguel (Jack Palance), numa sombria e desprezível personificação do Mal, fuzila um colono bêbado, e a do confronto final dentro do bar envolvendo Shane e o pistoleiro sob os olhos do menino que a tudo assistia por debaixo de uma mesa junto com seu cão.

O trecho final com menino correndo desesperadamente atrás de Shane, gritando pelo seu nome, sob um pôr do sol, é uma das mais inesquecíveis da história do cinema. A belíssima fotografia foi contemplada com o Oscar em 1954.

O clássico ainda serviu de inspiração para Clint Eastwood, que em 1985 realizou um de seus melhores faroestes, O CAVALEIRO SOLITÁRIO (Pale Rider), considerado um remake não oficial de SHANE.

TODAY’S CINEMARK GUEST IS FLÁVIO BALESTRERI.

The western is one of my favorite cinematographic genres. Even though there are currently not many productions of the genre, it is difficult not to miss the Sunday matinees of my childhood / adolescence in the 1950s and 1960s when there was no shortage of the “cowboy film” in the program.

I think that this genre has the greatest exponent of the work of John Ford, who helped to boost the career of John Wayne, and Howard Hawks. Other filmmakers arrived soon after, as did John Huston, Raoul Walsh, Michael Curtis, Cecil B. DeMille, George Stevens, Fred Zinnemann, Sam Peckinpah, Clint Eastwood, Kevin Costner. Directors like Fritz Lang and William Wyler, known in other cinematographic genres, have also left reference works. And not forgetting yet Sergio Leone and Sergio Corbucci, and the so-called western spaghetti.

One of the North American Westerns that touched me a lot was SHANE, from 1953, a classic made by George Stevens ( GIANT, A PLACE IN THE SUN). I will resist the temptation and will not comment on this Brazilian title of the film.

I watched SHANE, for the first time, in one of those very common reruns in the 1960s. I had an uncle, my father’s younger brother, who was fond of cinema to the point of jotting down details of the films on cigarette packs and matchboxes to help him remember if he needed it later, he had already told me the movie. And with such a wealth of details, I had the feeling that I was reviewing the film and not for the first time.

This did not stop me from being enchanted by the story of the lone rider Shane (Alan Ladd), who arrives in a small town and ends up approaching the family composed of the humble settler (Van Heflin) and his loving, docile and gifted wife. (Jean Arthur) and their young son (Brandon de Wilde). In a world where the bullet is the law, the protagonist’s quest to leave his past of violence behind ends in the midst of a war for territory that forces him to relive his wartime.

SHANE, adapted from the novel of the same name written in 1949 by Jack Schaefer, has memorable sequences, such as the one in which the hired killer (Jack Palance), in a dark and despicable personification of Evil, shoots a drunken settler, and the of the final confrontation inside the bar involving Shane and the gunslinger under the eyes of the boy who watched everything under a table with his dog.

The final stretch with a boy running desperately after Shane, screaming for his name, under a sunset, is one of the most unforgettable in the history of cinema. The beautiful photograph was awarded the Oscar in 1954.

The classic also served as inspiration for Clint Eastwood, who in 1985 made one of his best westerns, PALE RIDER, considered an unofficial remake of SHANE.

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