BELA VINGANÇA: Um Notável e Inteligente Revide

A figura da vigilante, aquela pessoa que sofre uma violência brutal que lhe deixa um trauma insuportável, motivando-o a tomar a justiça nas próprias mãos já motivou inúmeros filmes e séries de TV. Desde o precursor DESEJO DE MATAR, com Charles Bronson, até filmes ótimos (o que é muito difícil), como VALENTE, com Jodie Foster ou o clássico western MAIS FORTE QUE A VINGANÇA, com Robert Redford.

BELA VINGANÇA (PROMISING YOUNG WOMAN), que a jovem diretora londrina Emerald Fennell (36 anos) escreveu e dirigiu de forma brilhante, com um trabalho de interpretação antológico da também londrina Carey Mulligan se candidata ao topo dos filmes sobre Vigilantes, narrando de forma cinematograficamente impecável e criativa uma história dark que mantém os olhos e mentes dos espectadores fixamente presos à tela durante os 113 minutos do filme.

Carey Mulligan é uma atriz diferenciada. Já se tinha visto ótimos trabalhos dela em filmes como AN EDUCATION, SHAME e AS SUFRAGISTAS. Como somente as grandes atrizes conseguem, Mulligan é uma camaleoa, vivendo com igual talento uma mulher tímida e frágil ou uma leoa em busca vingança, fria e calculista, capaz de qualquer sacrifício em nome de sua missão.

A personagem de Cassandra é memorável. No decorrer do filme se vai entendendo as raízes do trauma dela e os porquês de uma ex-estudante de medicina trabalhar numa modesta e charmosa Cafeteria de uma amiga. Aliás é na cafeteria que se nota pela primeira vez a extraordinária cenografia do filme, criando ambientes (o que é a casa dos pais de Cassandra?) originalmente desenhados pela própria Fennell, conforme ela contou no ótimo podcast DIRECTORS ON DIRECTORS do Variey, onde falou com a ascendente Olivia Wilde (https://variety.com/video/olivia-wilde-emerald-fennell-directors-on-directors-full-conversation/).

A merecidíssima indicação de Fennell ao Oscar de Melhor Diretor (junto com outras 4 igualmente muito justas: filme, atriz, roteiro e montagem) recompensa um trabalho nitidamente superior, onde a arte do cinema é exercida de forma muito criativa sem abandonar a fidelidade ao lado noir de sua história, mesmo em um filme que usa as cores vívidas como mais um recurso cênico maravilhoso.

Adam Brody (que cena pré-créditos), Ray Nicholson, Sam Richardson, Alfred Molina, Clancy Brown, Jennifer Coolidge, Laverne Cox, Alison Brie (magnífica), Alli Hart, Loren Paul e Gabriel Oliva fazem um elenco maravilhoso e cheio de talento.

O final do filme é uma lição de como fazer um “twist”. As guinadas do enredo nos finais de filmes têm alguns exemplares ilustres que entraram para a história do cinema, como O PLANETA DOS MACACOS, SEVEN ou O SEXTO SENTIDO. BELA VINGANÇA se alista nesta relação com um fecho brilhante que deixa o espectador entre deslumbrado e chocado em igual medida.

PROMISING YOUNG WOMAN é um filme brilhante em todos os sentidos

The figure of the vigilante, that person who suffers brutal violence that leaves him (or her) with an unbearable trauma, motivating him (or her) to take justice into his own hands has already motivated countless films and TV series. From the precursor DEATH WISH, with Charles Bronson, to great films (which is very difficult), like THE ONE, with Jodie Foster or the classic western JEREMIAH JOHNSON, with Robert Redford.

PROMISING YOUNG WOMAN, which young London director Emerald Fennell (36 years old) wrote and directed brilliantly, with an anthological interpretation work by also Londoner Carey Mulligan applying for the top films on vigilants, narrating in a cinematographically impeccable and creative way a dark story that keeps the eyes and minds of the viewers fixedly fixed to the screen during the 113 minutes of the film.

Carey Mulligan is a distinguished actress. Great works of hers had already been seen in films like AN EDUCATION, SHAME and THE SUFRAGISTS. As only great actresses can do, Mulligan is a chameleon, living with equal talent a shy and fragile woman or a lioness seeking revenge, cold and calculating, capable of any sacrifice in the name of her mission.

Cassandra’s character is memorable. Throughout the film, the roots of her trauma are understood and the reasons why a former medical student works in a modest and charming friend’s small Cafeteria. In fact, it is in the cafeteria that the extraordinary stage design of the film is noticed for the first time, creating environments (what is Cassandra’s parents’ house?) originally designed by Fennell herself, as she told in the great podcast DIRECTORS ON DIRECTORS of Variey, where she spoke with ascendant Olivia Wilde (https://variety.com/video/olivia-wilde-emerald-fennell-directors-on-directors-full-conversation/).

Fennell’s well-deserved nomination for the Oscar for Best Director (along with 4 others who are equally fair: film, actress, script and editing) rewards a clearly superior job, where the art of cinema is exercised in a very creative way without abandoning fidelity to the noir side of his story, even in a film that uses vivid colors as another wonderful scenic feature.

Adam Brody (what a pre-credits scene), Ray Nicholson, Sam Richardson, Alfred Molina, Clancy Brown, Jennifer Coolidge, Laverne Cox, Alison Brie (magnificent), Alli Hart, Loren Paul and Gabriel Oliva make a wonderful cast and full of talent.

The end of the film is a lesson in how to make a “twist”. The twists of the plot at the end of films have some illustrious examples that have entered the history of cinema, such as THE PLANET OF THE APES, SEVEN or SIXTH SENSE. PROMISING YOUNG WOMAN joins this notable list with a brilliant closure that leaves the viewer in awe and shocked in equal measure.

PROMISING YOUNG WOMAN is a brilliant film in every way.

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