Silêncio, Por Favor!

Normalmente, eu tenho horror das pessoas que falam dentro do cinema. Até daquelas que fazem uma crítica profunda do filme ainda na descida dos degraus da sala escura. Teses filosóficas sobre os filmes na saída do cinema raramente trazem algo remotamente aproveitável.

De qualquer sorte, mais de cinco décadas indo ao cinema trouxeram umas poucas situações em que me deparei com comentários engraçados feitos por espectadores dentro do cinema.

Certa vez, na década de 80, fui ver uma reprise do clássico 20.000 LÉGUAS SUBMARINAS, de Richard Fleischer, rodado em 1954, com James Mason, Kirk Douglas, Paul Lucas e Peter Lorre. Filme mais adulto dos Estúdios Disney, baseado em um livro do genial Jules Verne, tinha uma cena em que o Capitão Nemo se põe em uma luta de vida ou morte com um polvo gigante que envolvia o submarino Nautilus. Em meio à cena de tirar o fôlego, dois meninos que estavam atrás de mim no cinema perguntaram um ao outro: “Por quem tu estás torcendo?” Me deu vontade de dizer a eles: “Não adianta torcer. O filme foi feito há quase 30 anos e o polvo perde.”

Outra vez fui ao Cine Bristol ver o lançamento (o que era raro no Bristol) do filme TESTEMUNHA FATAL (EYEWITNESS), que Peter Yates fez com Sigourney Weaver, William Hurt e Christopher Plummer, título que por algum motivo não interessara antes aos exibidores. Um zelador de um prédio testemunha um assassinato e se envolve romanticamente com a ambiciosa jornalista que cobre o caso para a televisão. Enquanto aguardava o início do filme, duas meninas comentam a meu lado. “Tu achas que alguém vai morrer no filme?” Considerando a palavra “fatal” do título nacional, realmente a probabilidade de haver uma morte no filme era gigantesca.

Finalmente, em uma sessão de E O VENTO LEVOU, no Cine Marrocos, tive a desventura de ter a projeção várias vezes interrompida por falta de energia elétrica. Quando o drama de Margareth Mitchell desandou a matar personagens, mais uma queda de luz interrompe a projeção. Num casal sentado próximo a mim, o homem pergunta à mulher: “O que estás achando?” Ela meio indiferente responde: “Acho que vai morrer todo mundo.”

São raras. Mas às vezes conversas dentro do cinema trazem algo engraçado.

Usually, I am horrified by the people who speak inside the cinema. Even those who make a profound criticism of the film while still descending the steps of the dark room. Philosophical theses about films at the cinema rarely bring anything remotely intelligent.

In any case, more than five decades of going to the cinema brought a few situations in which I came across funny comments made by viewers within the cinema.

Once, in the 80s, I went to see a replay of the classic 20,000 LEAGUES UNDER THE SEA, by Richard Fleischer, shot in 1954, with James Mason, Kirk Douglas, Paul Lucas and Peter Lorre. A more adult film from Disney Studios, based on a book by the brilliant Jules Verne, it had a scene in which Captain Nemo was involved in a life-and-death struggle with a giant octopus that involved the submarine Nautilus. In the midst of the breathtaking scene, two boys who were behind me at the cinema asked each other: “Who are you rooting for?” I wanted to tell them: “There’s no point in cheering. The film was made almost 30 years ago and the octopus loses.”

Again I went to Cine Bristol to see the release (which was rare in Bristol) of the film EYEWITNESS), which Peter Yates did with Sigourney Weaver, William Hurt and Christopher Plummer, a title that for some reason did not interest the exhibitors. A building janitor witnesses a murder and becomes romantically involved with the ambitious journalist who covers the case for television. While waiting for the beginning of the film, two girls comment beside me. “Do you think someone is going to die in the movie?” Considering the word “fatal” in the national title, the likelihood of a death in the film was really huge.

Finally, in an GONE WITH THE WIND session, at Cine Morocco, I had the disadvantage of having the projection interrupted several times due to a lack of electricity. When Margareth Mitchell‘s drama broke out to kill characters, yet another drop of light interrupts the projection. In a couple sitting next to me, the man asks the woman, “What do you think?” She half-heartedly replies, “I think everyone’s going to die.”

They are rare. But sometimes conversations inside the cinema bring something funny.

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