TAMPOPO, OS BRUTOS TAMBÉM COMEM SPAGHETTI: Macarrão, Sexo e Cinema no Filme Cult de Jûzô Itami

Muitos anos trás, em uma Mostra Internacional de São Paulo, eu vi o filme TAMPOPO, OS BRUTOS TAMBÉM COMEM SPAGHETTI, de Jûzô Itami. Lembro que foi uma das surpresas da Mostra porque apesar da justificada fama do cineasta, a mescla de comédia, drama, sexo, cinema e macarrão era desconcertante e fascinante.

Ontem, 35 anos depois, fui rever TAMPOPO. A criatividade do filme segue intacta. A história de dois caminhoneiros que resolvem ajudar a dona de um pequeno restaurante de noodles a melhorar seu produto e sua loja, é absolutamente magnética.

Itami optou por um tom farsesco na narrativa (o filme abre com um casal chegando ao cinema e, depois de alguns minutos se dirigindo ao espectador de TAMPOPO) que lhe oportunizou conduzir a trama como uma mescla de filme de gastronomia (comidas e ingredientes estão o tempo todo na tela), comédia (há muitas situações cômicas maravilhosas) e momentos de um erotismo refinado e incendiário (como a cena da gema de ovo trocada no beijo entre os amantes).

O título nacional quis fazer uma homenagem a SHANE (aqui intitulado OS BRUTOS TAMBÉM AMAM). Tirando o óbvio equívoco entre spaghetti e macarrão, a tirada até faz sentido, porque por vezes a narrativa de Itami tangencia propositadamente os spaghetti westerns de Sergio Leone.

Aliás, o cinéfilo irá encontrar uma multiplicidade interminável de citações de filmes e gêneros do filme de Itami.

Jûzô Itami morreu misteriosamente (suicídio ou assassinato?) em 1997, aos 64 anos.

Perdemos todos nós e o cinema pela morte de um cineasta tão talentoso e criativo.

Many years ago, at an International Show in São Paulo, I saw the film TAMPOPO, by Jûzô Itami. I remember that it was one of Festival’s biggest surprises because despite the filmmaker’s justified fame, the mix of comedy, drama, sex, cinema and pasta was disconcerting and fascinating.

Yesterday, 35 years later, I went to see TAMPOPO again. The film’s creativity remains intact. The story of two truck drivers who decide to help the female owner of a small noodle restaurant improve her product and her store, is absolutely magnetic.

Itami opted for a farcical tone in the narrative (the film opens with a couple arriving at the cinema and, after a few minutes directly addressing the viewer of TAMPOPO) which gave him the opportunity to conduct the plot as a mixture of a gastronomy film (food and ingredients are on screen all the time), comedy (there are many wonderful comic situations) and moments of refined and incendiary eroticism (like the scene of the exchanged egg yolk in the kiss between lovers).

The national title wanted to pay homage to SHANE. Apart from the obvious misunderstanding between spaghetti and noodles, the catch even makes sense, because sometimes Itami’s narrative deliberately touches Sergio Leone‘s spaghetti westerns.

Incidentally, the movie buff will find an endless multiplicity of quotes from movies and genres in Itami’s film.

Jûzô Itami died mysteriously (suicide or murder?) in 1997, aged 64.

We lost all of us and cinema to the death of such a talented and creative filmmaker.


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