SHARP OBJECTS: Amor de Mãe Mata?


A CONVIDADA DE HOJE DO CINEMARCO É A JORNALISTA FÁTIMA TORRI.

Amor de Mãe Mata?

É possível amar ao ponto de querer matar? 

Onde começa esse sentimento? E onde ele nos leva? 

Até onde uma pessoa pode ir para manter o objeto de seu amor grudado em si? 

 Parece que algumas mães são capazes de qualquer ato para que seu filho não seja a ´metade afastada de mim´, como diz Chico Buarque.

Esses questionamentos surgiram diante da série Sharp Objects, na HBO.

Uma mãe, para manter seu papel de domínio precisa se fazer tão necessária que sua função materna nunca termina.

Existe poder maior do que o de uma mãe diante de um  bebê  indefeso? Que não tem voz e força para  se defender? 

Esse poder é igualável ao de Deus. E não há controle externo. Ele se dá no silêncio ( barulhento) da relação mãe/ filho.

E é tão solitário! 

Na série,  descobri que existe uma  Síndrome de Munchausen,  quando as pessoas criam doenças para chamar atenção.

No caso da personagem da mãe a doença se estende: Síndrome de Munchausen por Procuração.

Não vou dar spoiler. 

 Apenas dizer que em toda mãe há gradações, claro, desses sintomas de querer o filho para si.  Para sempre. 

Desde a vontade de ´engolir de volta ´até  tratá-lo como um bebezinho a vida inteira. Bebês, sabemos precisam incondicionalmente de uma mãe.   

Trago aqui o relato da jornalista Juliana Jeziorny, colaborada da Fala Feminina, que nos fala do livro:

“Quando li o livro Sharp Objects não fazia nem ideia que engravidaria. Então, ao ler essa história eu só consegui sentir repulsa por uma mãe que queria ver suas filhas doentes para poder controlá-las, por uma mãe que era indiferente, pouco afetuosa e que até abertamente dizia não gostar de uma das filhas. Hoje, como mãe, vejo o quanto essa mãe precisava de ajuda. Não que algo que ela fez seja justificado. Mas ela sofreu muito também na infância e repetiu padrões para as suas filhas, as adoecendo- corpo e alma. Perdeu uma das filhas, nunca conseguiu superar, por quem sabe, não ter suporte e ajuda para o momento. Hoje pra mim fica muito mais claro que os reflexos de uma mãe ausente e doente podem ser devastadores na vida de seus filhos”

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