VIDAS DUPLAS: Muita Conversa (Inteligente) Sobre a Vida Moderna, Coisas Digitais e Afetos

O NOW da Claro está mostrando o filme VIDAS DUPLAS, dirigido pelo cineasta francês Olivier Assayas em 2018. Assayas é hoje um dos cineastas mais prestigiados no circuito dos festivais, graças a filmes intrigantes e criativos como PERSONAL SHOPPER e CLOUDS OF SILS MARIA.

Aqui ele enfoca cinco amigos em Paris, todos com a vida afetada pelas coisas da modernidade: telefones celulares onipresentes, livros que estão (ou não) deixando de ser fabricados em papel, radicalismos de ideias, políticos que não cumprem o que prometem, séries de TV que viciam, infidelidades mais ou menos explícitas, amores e solidões.

O filme tem um surpreendente senso de humor, algo inesperado no cinema de Assayas. Há uma cena, por exemplo em que a amante de um escritor lhe cobra que ele se inspirou na relação entre eles para o personagem de seu mais recente livro, o que a colocava em risco com o marido. Quando ele argumenta que disfarçou muito a personagem, tonando-a não identificável, ele dá como exemplo que na gráfica cena em que ela faz sexo oral nela no cinema, ele trocou o nome do filme, de STAR WARS: A AMEAÇA FANTASMA para o árido drama sobre o surgimento do nazismo A FITA BRANCA, de Michael Haneke.

Por sinal, há várias citações de filmes, séries e livros o que é mais um elemento de identificação do cinéfilo com o roteiro de Assayas.

O ótimo elenco tem a Dama Juliette Binoche, Guillaume Canet, Vincent McGaine, Christa Théret e Nora Ramzawi.

É verdade que a verborragia exagerada de diálogos e discussões intermináveis entre os personagens centrais por vezes se torna cansativa. Mas quem prestar atenção vai sempre identificar reflexões profundas e ácidas sobre a vida moderna no texto interpretado pelos protagonistas.

O livro impresso vai acabar? Os e-books são o futuro? Há um trecho do filme em que um defensor da digitalização diz à cética personagem de Juliette Binoche que quando ela viajar, poderá levar no Kindle toda sua biblioteca. Ao que ela responde: eu não preciso levar toda minha biblioteca em uma viagem.

Inteligente reflexão sobre benefícios e malefícios da vida digital com que nos deparamos todos os dias. O cinema de Olivier Assayas segue desafiador e criativo.

The streaming service NOW is showing the film DOUBLE VIES (NON-FICTION), directed by French filmmaker Olivier Assayas in 2018. Assayas is today one of the most prestigious filmmakers on the festival circuit, thanks to intriguing and creative films such as PERSONAL SHOPPER and CLOUDS OF SILS MARIA .

Here he focuses on five friends in Paris, all with their lives affected by the things of modernity: ubiquitous cell phones, books that are not being made on paper anymore, radicalism of ideas, politicians who don’t deliver on their promises , addictive TV series, more or less explicit infidelities, love and loneliness.

The film has a surprising sense of humor, something unexpected in Assayas cinema. There is a scene, for example, in which a writer’s mistress demands that he was inspired by their relationship with the character in his latest book, which put her at risk with her husband. When he argues that he disguised the character too much, making her unidentifiable, he gives as an example that in the graphic scene where she gives him oral sex in one movie theater, he changed the name of the film from STAR WARS: THE PHANTOM MENACE to the arid drama about the rise of Nazism THE WHITE RIBBON, by Michael Haneke.

By the way, there are several quotes from movies, series and books, which is another element of identification of the film buff with Assayas’ script.

The great cast has Dame Juliette Binoche, Guillaume Canet, Vincent McGaine, Christa Théret and Nora Ramzawi.

It’s true that the exaggerated verbiage of endless dialogues and discussions between the central characters sometimes gets tiring. But whoever pays attention will always identify deep and acidic reflections on modern life in the text interpreted by the protagonists.

Will the printed book run out? Are e-books the future? There is an excerpt from the film in which a character favourable to digitalization tells the skeptical Juliette Binoche character that when she travels, she will be able to take her entire library on her Kindle. To which she replies: I don’t need to take my entire library on a trip.

Smart reflection on the benefits and harms of digital life that we face every day. Olivier Assayas’ cinema remains challenging and creative.

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