CINEMA PARADISO: Um Clássico Cinéfilo

No dia 02 de março de 1990, entrava em cartaz nos cinemas brasileiros um dos filmes de maior memória afetiva entre os apaixonados por cinema: CINEMA PARADISO, de Giuseppe Tornatore.

Há uma dezena de motivos para o filme ter conquistado este lugar tão especial em nossos corações.

O roteiro e a direção do italiano Giuseppe Tornatore têm uma sensibilidade raramente vista. Cada cena do filme derrama sentimento e humanismo. Há várias cenas nas quais as lágrimas brotam no espectador desavisadamente.

O relacionamento entre o operador de cinema Alfredo (Philippe Noiret, antológico) e o menino Totó (um angelical Salvatore Cascio) é daqueles que se vê uma vez na vida. Há um carinho, uma amizade e uma cumplicidade expressa apenas por olhares que são eternos e inesquecíveis.

Há cenas memoráveis, como a da projeção do filme na praça da cidade pelo mero movimento do espelho do projetor ou o protagonista, muitos anos depois vendo o rolo das cenas de beijo cortadas dos filmes por ordem do padre local. Coisa de gênio. apaixonado por cinema, como nós.

O ambiente da cabine de projeção, as dificuldades do cinema naqueles tempos (o carvão que dá luz pode causar um incêndio terrível), os cartazes de filmes clássicos ilustrando as cenas e as vidas das pessoas, tudo magnificamente escrito, representado e editado.

CINEMA PARADISO tem múltiplas versões. Originalmente foi lançado na Itália com 155 minutos. O lançamento internacional foi feito com uma versão de 124 minutos. Esta versão ganhou a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Em 2002, o diretor Tornatore lançou CINEMA PARADISO: THE NEW VERSION, com 173 minutos e cenas adicionais, como por exemplo uma em que o protagonista encontra anos depois seu amor Elena Mendola (Brigitte Fossey).

Eu frequentei muito, como Presidente do Clube de Cinema, cabines de projeção, conheci operadores cinematográficos heróicos e vi projetores que quebravam a todo tempo. Rolos de filmes em latas de alumínio, que atrasavam no transporte rodoviário. Filmes tinham que ser emendados para a sessão com uma cola feita de gelatina. Cortes de cenas inteiras pelo Serviço de Censura.

Tudo isto, de forma brilhante é homenageado em CINEMA PARADISO. O funeral de Alfredo – outra cena inesquecível – ao qual Totó comparece emocionado, simboliza o fim de uma era. Mais uma para o Cinema, esta arte imortal que nos encanta e emociona todos os dias.

On March 2nd, 1990, one of the films with the greatest affective memory among those in love with cinema was released in Brazilian cinemas: CINEMA PARADISO, by Giuseppe Tornatore.

There are a dozen reasons why the film has taken this very special place in our hearts.

The Italian Giuseppe Tornatore‘s script and direction have a sensitivity rarely seen. Every scene in the film oozes feeling and humanism. There are several scenes in which tears spring to the viewer unknowingly.

The relationship between the cinema operator Alfredo (Philippe Noiret, anthological) and the boy Totó (an angelic Salvatore Cascio) is one you see once in a lifetime. There is affection, friendship and complicity expressed only by looks that are eternal and unforgettable.

There are many memorable scenes, such as the projection of the film in the town square by the mere movement of the projector’s mirror or the protagonist, many years later, seeing the roll of kissing scenes cut from the films by order of the local priest. Genius thing. In love with cinema, like us.

The environment of the projection booth, the difficulties of cinema in those times (the coal that gives light can cause a terrible fire), the classic film posters illustrating the scenes and people’s lives, all beautifully written, performed and edited .

CINEMA PARADISO has multiple versions. It was originally released in Italy with 155 minutes. The international release was made with a 124-minute version. This version won the Palme d’Or at Cannes and the Oscar for Best Foreign Film. In 2002, director Tornatore released CINEMA PARADISO: THE NEW VERSION, with 173 minutes and additional scenes, such as one in which the protagonist meets his love Elena Mendola (Brigitte Fossey) many years later.

I went a lot, as President of the Film Club, into projection booths. I’ve known heroic movie operators and projectors that broke all the time. Film rolls in aluminum cans, which were delayed in road transport. Films had to be spliced ​​together for the session with a glue made of jelly. Cuts of entire scenes by the Censorship Service.

All this, brilliantly, is honored in CINEMA PARADISO. Alfredo’s funeral – another unforgettable scene – to which Totó appears moved, symbolizes the end of an era. Another one for Cinema, this immortal art that delights and excites us every day.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.