O SILÊNCIO DOS INOCENTES: 30 anos do Meu Filme Preferido

A CONVIDADA DE HOJE DO CINEMARCO É A CINÉFILA E ADVOGADA ISABELLA MACIEL DE SÁ.

Neste ano, “O Silêncio dos Inocentes” (“The Silence of the Lambs”) completa 30 anos.

E segue sendo até hoje o meu filme preferido. Tem o seu lugar de honra compartilhado com “A Hora Mais Escura” (“Zero Dark Thirty”) isto lá é verdade… Mas, entre Clarice e Maya, eu fico com a primeira.

Todos nós, amantes de cinema ou não, cinéfilos ou não, temos uma lista de preferidos. Confesso ser muito difícil para eu fazer uma lista com meus Top 20, que dirá dos meus Top 10 (até porque só com a saga de “Star Wars” lá se vão 12 filmes).

Mas “O Silêncio dos Inocentes” é o MEU filme.

Fazendo uma pesquisa para este texto, encontrei algumas informações novas até para mim! Após o lançamento, “O Silêncio dos Inocentes” tornou-se apenas o terceiro filme na história do cinema a ser reconhecido com os prêmios Oscar nas cinco categorias principais: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado. Os outros dois filmes que conquistaram esta mesma premiação são “Aconteceu naquela noite” (“It happened one night”) e “Um Estranho no Ninho” (“One flew over the cuckoo’s nest”) sendo que “O Silêncio dos Inocentes” permanece como o mais recente e último filme a receber os “Big Five”.

Foi também o primeiro filme amplamente considerado como um filme de terror a vencer o Oscar de Melhor Filme, e o terceiro desse gênero a ser indicado, depois de “O Exorcista” (“The Exorcist”) e “Tubarão” (“Jaws”). O filme é considerado “culturalmente, historicamente e esteticamente” importante pela Biblioteca do Congresso e foi escolhido para ser preservado no National Film Registry em 2011.

Eu não sou daquelas cinéfilas que conseguem distinguir muito bem o peso que cada componente de um filme tem no todo, como por exemplo o Marco, ou meu filho, Rodrigo, ou um amigo dele, o Spencer, conseguem fazer. Em geral, eu só sei que gosto do resultado ou não. Mas no caso específico deste filme é diferente.

Parece ser unanimidade que Jonathan Demme imprime uma direção notável nas cenas entre Hannibal Lecter e Clarice Starling, o que resultou em interpretações inigualáveis de Anthony Hopkins e Jodie Foster. Até eu consigo ver que o roteiro de Ted Tally é excelente e vai nos apresentando pouco a pouco uma Clarice contida, focada, determinada a se formar com distinção na Academia do FBI a fim de honrar a memória de seu pai, também um policial, morto em serviço. Do figurino ao sotaque, dos olhares que mais escondem do que revelam, Jodie Foster constrói um personagem que parece ser a mais certinha agente da história do FBI.

Mas a grande verdade é que Clarice se revela uma agente indisciplinada, que segue sua intuição acima de qualquer treinamento. Em resumo: uma “selvagem e inconformada”, como eu! Ela ignora os procedimentos, não trabalha em dupla com nenhum outro agente, e por isso não tem cobertura, nem apoio. São os seus sentimentos, que ela tenta tão desesperadamente controlar, que a permitem ver ou enxergar além.

Anthony Hopkins, por sua vez, interpreta o psiquiatra canibal, Hannibal Lecter, que, entre outros reconhecimentos, acabou recebendo o título de ‘maior vilão da história’ pelo American Film Institute. Dizem que Anthony Hopkins começou a construir o personagem pelo seu “andar”, pela forma de caminhar. As tiradas sarcásticas, o praticamente inexistente piscar de olhos, a loucura e fúria aprisionadas dentro de um corpo cuja mente é nada mais que brilhante. São pouco mais de vinte e quatro minutos em cena que lhe renderam um Oscar de Melhor Ator pela sua imbatível interpretação!

Eu tive a sorte de assistir o meu filme preferido com o Marco, numa manhã de domingo, na sessão do “Clube de Cinema” em Porto Alegre. E jamais me esqueço da pergunta dele para mim ao final: “Qual é a cena mais violenta deste filme na tua opinião?” Mas voltemos ao filme. Acredito que 30 anos depois, nada do que eu escreva aqui será considerado um spoiler, mas se você ainda não viu esse filme, pare por aqui.

Leia somente até o final deste parágrafo, onde explico ao leitor qual a melhor qualidade do meu filme preferido: a edição ESPETACULAR de Craig McKay que é de tirar o fôlego! Na minha modesta opinião, uma das melhores da história do cinema.

“O que ele faz, Clarice? Qual é a primeira e principal coisa que ele faz, a que necessidade ele serve matando? Ele cobiça. Como começamos a cobiçar? Começamos cobiçando o que vemos todos os dias.” ~ Dr. Hannibal Lecter A partir daí a edição passa a contar a história e se sobressai quando Clarice concentra suas investigações na primeira vítima do assassino em série. É na sua casa que Clarice entende que “Buffalo Bill” retira a pele de suas vítimas para costurar uma “pele de mulher”, feita de pele humana, para ele. Clarice compartilha esta informação com Jack Crawford que agradece, diz já ter o nome do serial killer, Jame Gumb, e pede a Clarice que siga em busca de mais provas contra ele.

E é o que ela faz. Vai até a residência atual de um ex-vizinho da primeira vítima ao mesmo tempo que Jack Crawford e sua equipe chegam na suposta casa de Jame Gumb.

E é neste momento que acontece o espetacular twist do filme: ao mesmo tempo que Jack Crawford e sua equipe invadem uma casa vazia; o homem, que toda audiência sabe que é o serial killer “Buffalo Bill”, abre a porta para Clarice e se apresenta como Jack Gordon. Ele a convida a entrar sob o pretexto de ter um cartão de um filho da antiga proprietária da casa e é aí que Clarice vê uma mariposa posando numa caixa cheia de linhas de costura.

SOCORRO!!!!!

Tem início uma das sequências mais tensas da história do cinema, que acontece na escuridão dos porões da casa do assassino, com Clarice tremendo sem conseguir se controlar de tanto medo, mas seguindo em frente mesmo assim.

Como bem disse Pablo Bazarello, na sua coluna celebrando os 30 anos do filme, “uma verdadeira descida ao inferno”.

“O Silêncio dos Inocentes” se baseia no livro de Thomas Harris, da mesma forma que “Hannibal”, que virou filme em 2001, e “Dragão Vermelho”, que virou filme em 2002, respectivamente sequência e pré-sequência de “O Silêncio dos Inocentes”.

Uma dica: apesar de ter virado um cult, passe bem longe de “Caçador de Assassinos” (“Manhunter”), que foi a primeira adaptação de “Dragão Vermelho” para o cinema, em 1986, e quem dirige é Michael Mann.

Se eu ainda não consegui convencer o leitor de assistir o meu filme preferido, vá nem que seja para responder ao Marco qual é, na sua opinião, a cena mais violenta do filme.

“A luta continua”

This year, “The Silence of the Lambs” (“The Silence of the Lambs”) turns 30 years old.

And it remains my favorite movie to this day. It has its place of honor shared with “The Darkest Hour” (“Zero Dark Thirty”) this is true there… But between Clarice and Maya, I take the first.

All of us, movie lovers or not, movie buffs or not, have a favorite list. I confess to being very difficult for me to make a list with my Top 20, let alone my Top 10 (because just with the “Star Wars” saga there are 12 movies).

But “The Silence of the Lambs” is MY movie.

Doing a search for this text, I found some new information even for me! After its release, “The Silence of the Lambs” became only the third film in cinema history to be recognized with Oscar awards in five major categories: Best Picture, Best Director, Best Actor, Best Actress, and Best Adapted Screenplay. The other two films that won this same award are “It happened one night” and “One flew over the cuckoo’s nest” and “The Silence of the Lambs” remains as the latest and latest film to receive the “Big Five”.

It was also the first film widely regarded as a horror film to win the Oscar for Best Picture, and the third of its kind to be nominated, after “The Exorcist” and “Jaws” . The film is considered “culturally, historically and aesthetically” important by the Library of Congress and was chosen to be preserved on the National Film Registry in 2011.

I’m not one of those moviegoers who can distinguish very well the weight that each component of a film has as a whole, like Marco, or my son Rodrigo, or a friend of his, Spencer, can do for example. In general, I just know that I like the result or not. But in the specific case of this movie it’s different.

It seems to be unanimous that Jonathan Demme prints a remarkable direction in the scenes between Hannibal Lecter and Clarice Starling, which resulted in unparalleled performances by Anthony Hopkins and Jodie Foster.

Even I can see that Ted Tally’s screenplay is excellent and is gradually introducing us to a restrained, focused Clarice, determined to graduate with distinction from the FBI Academy in order to honor the memory of her father, also a policeman, dead in service. From the costumes to the accent, from the looks that hide more than they reveal, Jodie Foster builds a character who seems to be the most accurate agent in FBI history.

But the truth is that Clarice is an undisciplined agent, who follows her intuition above any training. In short: a “wild and nonconformist” like me!

She ignores procedures, doesn’t work in pairs with any other agent, and therefore has no coverage or support. It is her feelings, which she is trying so desperately to control, that allow her to see or see beyond.

Anthony Hopkins, in turn, plays the cannibal psychiatrist, Hannibal Lecter, who, among other acknowledgments, ended up receiving the title of ‘greatest villain in history’ by the American Film Institute. It is said that Anthony Hopkins began to build the character by his “walk”, the way he walked. The sarcastic tirades, the virtually non-existent blinking, the madness and fury trapped inside a body whose mind is nothing but brilliant. It’s just over twenty-four minutes into the scene that earned him an Oscar for Best Actor for his unbeatable performance!

I was lucky enough to watch my favorite movie with Marco, on a Sunday morning, at the “Clube de Cinema” session in Porto Alegre. And I never forget his question to me at the end: “What is the most violent scene in this movie in your opinion?”

But let’s get back to the movie.

I believe that 30 years later, nothing I write here will be considered a spoiler, but if you haven’t seen this movie, stop here. Just read until the end of this paragraph, where I explain to the reader what the best quality of my favorite movie is: Craig McKay’s AMAZING edition that is breathtaking! In my humble opinion, one of the best in cinema history.

“What does he do, Clarice? What is the first and foremost thing he does, what need does he serve by killing? He covets. How do we start lusting? We start by coveting what we see every day.” ~ Dr. Hannibal Lecter

From then on, the edition starts to tell the story and stands out when Clarice focuses her investigations on the first victim of the serial killer. It is in her house that Clarice understands that “Buffalo Bill” removes the skin of his victims to sew a “woman’s skin”, made of human skin, for him. Clarice shares this information with Jack Crawford, who thanks him, says he already has the name of the serial killer, Jame Gumb, and asks Clarice to continue looking for more evidence against him.

And that’s what she does. Goes to the current residence of a former neighbor of the first victim at the same time as Jack Crawford and his team arrive at Jame Gumb’s supposed home.

And this is where the film’s spectacular twist takes place: at the same time as Jack Crawford and his team invade an empty house; the man, who every audience knows is the serial killer “Buffalo Bill,” opens the door for Clarice and introduces himself as Jack Gordon.

He invites her in under the pretext of having a card from a son of the former owner of the house and that’s when Clarice sees a moth posing in a box full of sewing thread.

HELP!!!!!

One of the most tense sequences in the history of cinema begins, which takes place in the darkness of the cellars of the murderer’s house, with Clarice trembling, unable to control herself with so much fear, but moving on anyway.

As Pablo Bazarello said in his column celebrating the film’s 30th anniversary, “a true descent into hell”.

“The Silence of the Lambs” is based on the book by Thomas Harris, in the same way as “Hannibal”, which became a film in 2001, and “Red Dragon”, which became a film in 2002, respectively the sequel and pre-sequel to “The Silence of the Innocents”. A tip: despite having become a cult, go well away from “Hunter of Assassins” (“Manhunter”), which was the first adaptation of “Red Dragon” for the cinema, in 1986, and who directs is Michael Mann.

If I still haven’t managed to convince the reader to watch my favorite movie, go even if it is to answer Marco what, in his opinion, is the most violent scene in the movie.

“The fight goes on”




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