STILLWATER: Um Drama Tão Bem Feito Quanto Melancólico

Fazia horas que eu estava namorando o filme STILLWATER, do cineasta americano Tom McCarthy na Apple TV+. Quando um filme tem early release, o aluguel está em torno de 20 dólares. Depois de duas ou três semanas cai para 5 dólares. Paciência é uma arte a ser praticada.

Ontem me presenteei uma sessão de STILLWATER. O fato de ter sido dirigido pelo homem por trás do excepcional SPOTLIGHT (Oscar de Melhor Direção) e ser estrelado por Matt Damon, um ator que capricha nas escolhas de sua carreira (vide o ótimo THE LAST DUEL, de Ridley Scott) era quase uma garantia de excelência.

STILLWATER é uma delícia de se ver. Uma história muito dramática mostra um pai operário em Oaklahoma (bronco e conservador até os ossos) que vê sua filha jovem presa por assassinato da namorada em Marselha, França, onde tinha ido estudar depois do suicídio da mãe.

Ex-alcoólatra e pai ausente, Bill vê no episódio uma chance (mesmo remota) de se redimir na vida. A “luz no fim do túnel” vem na pista nova sobre o caso, que a filha fica sabendo na penitenciária e passa a ele para ser levada à advogada. Mas por uma série de obstáculos, Bill é obrigado a ele mesmo ir atrás da pista. A vida é brutal.

Sem falar uma palavra de francês, Bill tem extrema dificuldade em se comunicar. Virginie, uma ex-vizinha de hotel (a ótima Camille Cottin) e sua filha Maya (a italiana Lilou Siauvaud) são a ajuda que ele necessita. A ternura do relacionamento surge como um oásis na vida de Bill, ajudando muito na missão de libertar a filha.

Bill é Matt Damon. Acho que Damons cada vez trabalha melhor. Em STILLWATER ela está grandalhão e quase com dificuldade em se movimentar, o que acentua a sensação de sufocamento. A filha presidiária é mais um trabalho de Abigail Breslin, a menina mágica de LITTLE MISS SUNSHINE, crescida e mais gordinha. Allison teve uma vida difícil, pela morte da mãe, a distância do pai, a aridez da cidade natal em Oaklahoma e, quando acha o amor de sua vida, se envolve numa tragédia que lhe leva ao cárcere. A vida é brutal.

McCarthy se mostra outra vez um cineasta diferenciado. Seus personagens são humanos. As emoções são tão reais que agente sente junto com eles. As dificuldades também.

Bill não pode ter tudo. É obrigado a escolher. Não hesita. Mas a escolha lhe traz de volta a melancolia habitual. A vida é brutal.

Mas STILLWATER é um grande filme.

I had been looking at American filmmaker Tom McCarthy‘s movie STILLWATER on Apple TV+ for weeks. When a movie has an early release, the rent is around $20. After two or three weeks it drops to $5. Patience is an art to be practiced.

Yesterday I gave myself a STILLWATER session. The fact that it was directed by the man behind the exceptional SPOTLIGHT (Oscar for Best Direction) and that it starred Matt Damon, an actor who excels in his career choices (see the great THE LAST DUEL, by Ridley Scott) was almost a guarantee of excellence.

STILLWATER is a delight to behold. A very dramatic story shows a working-class father in Oaklahoma (broken and conservative to the bone) who sees his young daughter arrested for the murder of her girlfriend in Marseille, France, where she had gone to College after her mother’s suicide.

Ex-alcoholic and absent father, Bill sees in the episode a chance (even remote) to redeem himself in life. The “light at the end of the tunnel” comes in the new clue about the case, which the daughter learns in the penitentiary and passes on to him to be taken to the lawyer. But through a series of obstacles, Bill is forced to go after the track himself. Life is brutal.

Without speaking a word of French, Bill finds it extremely difficult to communicate. Virginie, a former hotel neighbour (great Camille Cottin) and her daughter Maya (Italian Lilou Siauvaud) are the help he needs. The tenderness of the relationship appears as an oasis in Bill’s life, helping a lot in his quest to free his daughter.

Bill is Matt Damon. I think Damons works better and better. In STILLWATER he is big and almost having trouble moving, which accentuates the feeling of suffocation. The inmate daughter is another superb work of Abigail Breslin, the magical girl of LITTLE MISS SUNSHINE, grown up and chubby. Allison has had a difficult life, her mother’s death, her father’s distance, the aridity of her hometown in Oaklahoma, and when she finds the love of her life, she is involved in a tragedy that leads to prison. Life is brutal.

McCarthy shows himself to be a distinguished filmmaker again. His characters are human. The emotions are so real that we can feel them along with them. Difficulties too.

Bill can’t have it all. He is forced to choose. He doesn’t hesitate. But the choice brings him back to his usual melancholy. Life is brutal.

But STILLWATER is a great movie.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.