NÃO OLHE PARA CIMA: A Polêmica Não Se Justifica

Não há como deixar de achar engraçada esta polêmica fratricida em torno do filme NÃO OLHE PARA CIMA, produção americana lançada pela NETFLIX nas últimas semanas do ano de 2021. O mundo (e o Brasil de forma particularmente apaixonada) vem se dividindo sobre o filme dirigido por Adam McKay. Uns a elevam à categoria de clássicos do cinema, como DOUTOR FANTÁSTICO, de Stanley Kubrick, a mais brilhante sátira política da história do cinema. Outros a desqualificam como se fossem novo O ATAQUE DOS TOMATES ASSASSINOS, um trash movie que marcou época. Obviamente, nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

DON’T LOOK UP segue a escola do humor americano que consagrou o enorme sucesso do Programa de TV, SATURDAY NIGHT LIVE, o SNL, que criou e tornou ídolos centenas de atores e cômicos em seus sketches sarcásticos e sardônicos, olhando com lupa as atitudes de pessoas famosas, celebridades, políticos e especialmente governantes americanos. Claro que cada um, conforme seu pensamento político, gosta mais ou menos de determinadas imitações.

O cineasta Adam McKay vem de dois filmes ótimos, em que usou a ideia de fazer o que no cinema se chama de Mockumentary, ou um falso documentário. A GRANDE APOSTA e VICE foram excelentes ao autopsiar o mercado financeiro mundial e a vida do Vice-Presidente Dick Cheney, sempre com muita criatividade e talento.

Aqui, em DON’T LOOK UP, ele entrou em seu projeto mais ousado e pretensioso. Reuniu um extraordinário grupo de atores (acho divertido ver alguns “críticos” dando opiniões sobre o talento de Cate Blanchett, Jennifer Lawrence, Leonardo Di Caprio, Meryl Streep e Jonnah Hill, um grupo que representa a “nata” atual de Hollywood) para fazer uma sátira ao mundo moderno.

Entram na roda, o governo americano, a imprensa mundial (em especial os “morning shows”de notícias que divulgam com sorrisos as tragédias e as bobagens), as redes sociais, a dependência por remédios, os “bilionários”que viram messias, as músicas de “causas” que surgem rapidamente nestas horas, as organizações mundiais e por aí vai. Sobra para todo mundo.

Era um projeto ambicioso. É evidente que cometeu alguns “escorregões” sérios. Há algumas cenas e diálogos francamente exagerados e desagradáveis. Muitas vezes se tem a nítida sensação de estar vendo uma farsa que perdeu o fio.

Mas também há muitas coisas boas (aliás acho que uma maioria expressiva). Dá para dar boas risadas com alguns diálogos e piadas do roteiro. O filme não é nem a obra prima referida pelos que o amam nem a porcaria vista pelos que o odeiam.

Em resumo, acho que em cinco anos, ninguém mais vai lembrar de NÃO OLHE PARA CIMA.

Esta polêmica – principalmente as brigas e os xingamentos a amigos antigos nas redes sociais – não se justificam. Como quase todas. O tempo vai mostrar isto.

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