SPENCER: A Princesa Prisioneira Pede Socorro

SPENCER, filme dirigido pelo cineasta chileno Pablo Larrain merece, com sobras, todos os elogios que vem recebendo em sua carreira internacional. É um filme diferenciado.

A Princesa Diana – já na fase final de seu casamento com o Príncipe Charles – se junta à Família Real para passar o final de semana de Natal, na residência de Sandringham, em Norfolk. Durante três dias irá cumprir uma agenda formal onde há do bom e do melhor, menos liberdade de fazer o quer com seus filhos.

O retrato de Larrain faz da rotina da intimidade da Família Real Britânica é demolidor. Há momentos em que a gente parece estar assistindo um daqueles filmes sobre ditaduras cruéis em filmes distópicos onde a liberdade das pessoas foi totalmente suprimida.

Larrain já tinha se mostrado muito competente em filmes como NO!, NERUDA e na série LISEY’S STORY, um interessante exercício de suspense com Julianne Moore.

O IMDB lista mais de 20 filmes sobre Diane Spencer, entre documentários, ficção e séries (inclusive THE CROWN). Eu não vi nada parecido com SPENCER.

Em SPENCER, além de todos os recursos de uma produção impecável, acho que ele conta com dois recursos de altíssima qualidade: a atriz Kristen Stewart e o roteiro (inspiradíssimo) de Steven Knight.

O roteiro do autor britânico de filmes como THE HUNDRED FOOT JOURNEY e ALLIED é um dos melhores dos últimos anos. As cenas são dinâmicas, criativas, emocionantes, críticas (quase ácidas), numa verdadeira autópsia da rotina real em um final de semana de Natal em família. Há momentos brilhantes (não quero dar spoilers), mas a criatividade de Knight certamente ajudou muito o sucesso do filme de Larrain. Há muitas frases notáveis ditas pelos personagens de SPENCER. Mérito do roteirista.

Kristen Stewart é uma atriz notável. Desde o seu surgimento, bem menina, (hoje ela tem apenas 31 anos e já fez 56 filmes) ao lado de Jodie Foster, em PANIC ROOM, ela tem se mostrado capaz de uma evolução impressionante. Os filmes da franquia CREPÚSCULO quase marcaram sua carreira, mas ela soube sair de qualquer amarra, se jogando em filmes autorais como THE RUNAWAYS, ON THE ROAD e CLOUDS OF SILS MARIA.

Nos anos recentes, Stewart vem se tornando um dos nomes de sua geração. PERSONAL SHOPPER, CAFE SOCIETY (Woody Allen sempre ajuda na carreira), LIZZIE e SEBERG a colocaram na parte de cima da lista de atrizes atuais.

Acho que sua Diana, neste SPENCER vai fazê-la brigar pelo Oscar de Melhor Atriz deste ano, com a Lucille Ball de Nicole Kidman e outras deusas da tela. Trata-se de um trabalho muito rico, cheio de nuances interpretativas maravilhosas, um daqueles que a gente conta nos dedos a cada década.

Há inúmeras qualidades em SPENCER. O retrato da mente de Diana, uma menina mimada presa no que parecia um sonho e virou um pesadelo é realmente de impressionar.

O filme se permite até uma nota de sensualidade que surge desconcertante numa cena quase perdida do filme.

Impossível não destacar os trabalhos de Timothy Spall, Amy Mason (uma Ana Bolena incrível) e Sally Hawkins (talento puro). Eles elevam ainda mais o nível do filme de Larrain.

Acho que todo mundo devia ver SPENCER. A dualidade riqueza x humanidade (ou liberdade) está em discussão aqui como em poucos filmes recentes. É um filmaço.

SPENCER, a film directed by Chilean filmmaker Pablo Larrain, fully deserves all the praise it has received in its international career. It’s a different film.

Princess Diana – now in the final stages of her marriage to Prince Charles – joins the Royal Family for Christmas weekend at Sandringham’s home, in Norfolk. For three days she will fulfill a formal schedule where there is the best of the best, less freedom to do what she wants with her children.

Larrain’s portrayal of the intimate routine of the British Royal Family is shattering. There are times when we seem to be watching one of those films about cruel dictatorships in dystopian films where people’s freedom has been totally suppressed.

Larrain had already proved himself very competent in films like NO!, NERUDA and in the LISEY’S STORY series, an interesting exercise in suspense with Julianne Moore.

THE IMDB page lists more than 20 movies, documentaries and series about Diana Spencer (including THE CROWN). Eu have never seen something so brilliant as SPENCER.

In SPENCER, in addition to all the features of an impeccable production, I think he has two very high quality features: actress Kristen Stewart and the (very inspired) script by Steven Knight.

The screenplay by the British author of films like THE HUNDRED FOOT JOURNEY and ALLIED is one of the best in recent years. The scenes are dynamic, creative, exciting, critical (almost acidic), in a true autopsy of the real routine in a family Christmas weekend. There are brilliant moments (I don’t want to spoil it), but Knight’s creativity certainly helped Larrain’s film’s success a lot. There are several wonderful lines said by the characters of SPENCER. A writer’s merit.

Kristen Stewart is a remarkable actress. Since her emergence as a young girl (she is now only 31 years old and has already made 56 films) alongside Jodie Foster in PANIC ROOM, she has shown herself to be capable of an impressive evolution. The films in the TWILIGHT franchise almost marked her career, but she knew how to get out of any shackles, throwing herself in authorial films such as THE RUNAWAYS, ON THE ROAD and CLOUDS OF SILS MARIA.

In recent years, Stewart has become one of her generation names. PERSONAL SHOPPER, CAFE SOCIETY (Woody Allen always helps with her career), LIZZIE and SEBERG put her at the top of their list of current actresses.

I think Diana, in this SPENCER, will make her fight for the Oscar for Best Actress this year, with Nicole Kidman’s Lucille Ball and other screen goddesses. It is a very rich work, full of wonderful interpretive nuances, one of those that we count on our fingers every decade.

There are numerous qualities in SPENCER. The mind portrait of Diana, a spoiled little girl trapped in what seemed like a dream and turned into a nightmare is truly impressive.

The film even allows for a note of sensuality that appears disconcerting in an almost lost scene in the film. 

Impossible not to highlight the works of Timothy Spall, Amy Mason (an amazing Anne Boleyn) and Sally Hawkins (pure talent). They raise the bar even higher for Larrain’s film

I think everyone should see SPENCER. The duality of wealth x humanity (or freedom) is under discussion here as in few recent films. It’s a film.

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