JEAN JACQUES BEINEIX: Morreu o Criador de BETTY BLUE

Na década de 80. o cineasta Jean Jacque Beineix apareceu no panorama cinematográfico como um cometa.

Seu primeiro filme era um prodigioso thriller francês sobre um mensageiro que se envolve com uma cantora de ópera, numa trama que tinha fitas de gravador, música clássica e uma Paris belíssima. O filme era DIVA. Estonteamente lindo.

Em 1983, na Mostra Internacional de São Paulo, vi o segundo longa metragem de Beineix: A LUA NA SARJETA. A entrada de Nastassja Kinski em cena, dirigindo um carro esporte vermelho foi uma das cenas mais lindas que vi em todos os meus anos de paixão pelo cinema. LA LUNE DANS LE CANIVAUX tinha Gerard Depardieu, Victoria Abril, Dominique Pinon, Vittorio Mezzogiorno filosofando e divagando em Paris enquanto o protagonista busca vingar a morte da irmã. Mas Nastassja e o carro vermelho marcaram época.

Em 1986, no Projeto Cultural Cinema à Meia Noite do Cine ABC, em Porto Alegre, atravessei a madrugada vendo o terceiro filme de Beineix: BETTY BLUE. A incrível cena de sexo que abre o filme (dizem que uma transa real entre a protagonista Béatrice Dale e o ator Jean-Hughes Anglade), ao som de uma trilha sonora maravilhosa de Gabriel Yared antecipava outro cult movie de Beineix. Saímos do cinema totalmente deslumbrados. Anos depois, comprei um DVD que tinha uma versão integral de 37o2 LE MATIN. Eram mais de três horas dos delírios de Beineix e das loucuras de Dale. Interminável.

Em 1989, em outra Mostra Internacional de São Paulo, vi numa tela gigante do Cine Metrópole, ROSSELYNNE E OS LEÕES. BEINEIX contava uma história meio sem sentido sobre uma linda domadora (Isabelle Pasco) que ficava quase duas horas dentro de uma jaula de circo, vestindo um sumário biquini dourado e fazendo malabarismo entre leões. Outra viagem visual incrível.

Como surgiu, Beineix sumiu. Nunca mais vi um filme dele.

Hoje li que ele morreu aos 75 anos, em Paris.

Minha memória afetiva cinematográfica sempre vai ter Beineix e seus delírios visuais incríveis.

In the 1980s, filmmaker Jean Jacques Beineix appeared on the film scene as a comet.

His first film was a prodigious French thriller about a messenger who gets involved with an opera singer, in a plot that had tape recorders, classical music and a beautiful Paris. The movie was DIVA. Stunningly beautiful.

In 1983, at the São Paulo International Film Festival, I saw Beineix’s second feature film: THE MOON IN THE GUTTER. Nastassja Kinski‘s entrance on the scene, driving a red sports car, was one of the most beautiful scenes I’ve seen in all my years of passion for cinema. LA LUNE DANS LE CANIVAUX had Gerard Depardieu, Victoria Abril, Dominique Pinon, Vittorio Mezzogiorno philosophizing and rambling in Paris as the protagonist seeks to avenge his sister’s death. But Nastassja and the red car marked an era.

In 1986, at Cine ABC’s Cultural Cinema à Midnight Project, in Porto Alegre, I spent the night watching Beineix’s third film: BETTY BLUE. The incredible sex scene that opens the film (it is said that a real sex between the protagonist Béatrice Dale and the actor Jean-Hughes Anglade), to the sound of a wonderful soundtrack by Gabriel Yared, anticipated another cult movie by Beineix. We left the cinema totally blown away. Years later, I bought a DVD that had a full version of 37o2 LE MATIN. It was more than three hours of Beineix’s ravings and Dale’s madness. Endless.

In 1989, at another São Paulo International Exhibition, I saw ROSSELYNNE AND THE LIONS on a giant screen at Cine Metrópole. BEINEIX told a nonsensical story about a beautiful tamer (Isabelle Pasco) who spent almost two hours inside a circus cage, wearing a skimpy golden bikini and juggling lions. Another amazing visual trip.

As he appeared, Beineix disappeared. I’ve never seen one of his movies again.

Today I read that he died at the age of 75 in Paris.

My affective cinematic memory will always have Beineix and its incredible visual delusions.

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