O BECO DO PESADELO: Filme Noir de Guillermo del Toro é Cinema da Melhor Qualidade

O BECO DO PESADELO, mais recente trabalho do cineasta mexicano Guillermo del Toro (Oscar de Melhor Diretor por A FORMA DA ÁGUA) é uma trama noir que se inscreve nas melhores que o cinema já fez. É uma aula de contar uma história na tela.

Há que se dizer que o filme honra seus antecessores. Um dos meus favoritos é O DESTINO BATE A SUA PORTA, curiosamente refilmado anos depois da versão clássica com igual talento por Bob Rafelson, com Jack Nicholson e Jessica Lange.

O filme de Del Toro também é uma refilmagem de um clássico noir, O BECO DAS ALMAS PERDIDAS (NIGTHMARE ALLEY), de 1947, com Tyrone Power, dirigido por Edmond Goulding.

A riqueza do filme atual me parece imbatível. Um elenco incrível, com Bradley Cooper, Rooney Mara, Cate Blanchett, Willem Dafoe, Toni Collete, Richard Jenkins, Ron Perlman, Mary Steenburgen, David Strathairn e Holt McCallany. Poucas vezes tanta gente talentosa na arte de representar se juntou para contar uma história.

O roteiro do próprio Del Toro e de Kim Morgan (acho que uma mulher roteirista foi essencial neste caso), baseado no livro de William Lindsay Gresham é magnífico. Seus personagens, cenas e diálogos são daqueles que a gente quer guardar na memória. Quase como as gravações de suas sessões de terapia que a psiquiatra Dra Lilith Ritter faz em seu consultório.

Aliás, como pode Cate Blanchett estar cada dia mais perfeita como atriz. Como disse Manohla Dargis, no NYTimes, ela “não anda e senta, ela desliza e pousa”. É um dos tantos personagens essenciais na trama.

O protagonista Bradley Cooper consegue carregar seu Stanton Carlisle com altíssimo nível. Ele vai de um andarilho vigarista a um rico vidente prestigiado nas altas rodas e, de novo, à miséria de seu ser. Brilhante trabalho.

Temos que destacar a parte formal do filme. Cenografia, fotografia e música são igualmente perfeitos e se constituem em elementos essenciais da história trágica que testemunhamos.

NIGHTMARE ALLEY é um filmaço. O filme noir ganha mais um exemplar notável para a gente citar quando for explicar o gênero que mais mostra no cinema a vida como ela é.

NIGHTMARE ALLEY, the latest work by Mexican filmmaker Guillermo del Toro (Oscar for Best Director for THE SHAPE OF WATER) is a noir plot that is one of the best films ever made. It’s an on-screen storytelling of first class.

It has to be said that the film honors its predecessors. One of my favorites is THE POSTMAN ALWAYS RINGS YWICE, interestingly also a remake years after the classic version with equal talent by Bob Rafelson, with Jack Nicholson and Jessica Lange.

The Del Toro film is also a remake of a noir classic, 1947’s NIGTHMARE ALLEY, with Tyrone Power, directed by Edmond Goulding.

The richness of the current film seems to me unbeatable. An incredible cast, with Bradley Cooper, Rooney Mara, Cate Blanchett, Willem Dafoe, Toni Collete, Richard Jenkins, Ron Perlman, Mary Steenburgen, David Strathairn and Holt McCallany. Rarely have so many talented people in the art of acting come together to tell a story.

The screenplay by Del Toro himself and Kim Morgan (I think a female screenwriter was essential in this case), based on the book by William Lindsay Gresham, is magnificent. Its characters, scenes and dialogues are those that we want to keep in our memory. Almost like the recordings of her therapy sessions that psychiatrist Dr Lilith Ritter does in her office.

By the way, how can Cate Blanchett be more and more perfect as an actress. As Manohla Dargis said in the NYTimes, she “doesn’t walk and sit, she slides and lands.” She is one of so many essential characters in the plot.

The protagonist Bradley Cooper manages to charge his Stanton Carlisle to a very high level. He goes from a crooked wanderer to a wealthy fortune teller in high circles and, again, to the misery of his being. Brilliant work.

We have to highlight the formal part of the film. Scenography, photography and music are equally perfect and constitute essential elements of the tragic story we witness.

NIGHTMARE ALLEY is a great film. Film noir gains another remarkable example for us to cite when explaining the genre that most shows in cinema, life as it is.

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