AZOR: Drama Argentino Sobre os Bastidores do Poder

AZOR, do cineasta argentino Andreas Fontana (disponível no NOW) é mais um filme competente que vem do País vizinho. A gente vê com interesse o tempo inteiro.

A trama mostra a chegada de um banqueiro privado suíço a Buenos Aires, na época da ditadura, para substituir às pressas seu antecessor que se envolveu em negócios obscuros e teve que deixar a Argentina.

De família tradicional de banqueiros (seu avô foi um dos fundadores do banco), Ivan de Wiel chega pela primeira vez à Argentina no período mais difícil de sua história. A ditadura está em plena “guerra suja”, com as pessoas que se opõem simplesmente desaparecendo. Ivan é interpretado com naturalismo pelo ator belga Fabrizio Rongione.

Com ele chega a esposa Inès de Wiel, uma elegante mulher, cuja educação superior lhe permite observar tudo que está à volta e alimentar o esposo com material sempre qualificado. Ela é a atriz (e roteirista) Stéphanie Cléo, outro trabalho de alto nível.

A conivência da Igreja com o Governo é mostrada através das reuniões duras e cheias de segredos com o Monsenhor Tatoski (Pablo Torre Nilson fantástico).

O casal recém chegado vai estabelecendo seu caminho na Argentina, conhecendo pessoas, mantendo conversas onde as coisas mais importantes são as não ditas e vendo onde foram parar. O País estava em guerra e as pessoas ricas seguiam fazendo festas de gala e indo a corridas de cavalo.

O filme optou por evitar cenas explícitas relativas às ações da ditadura. vemos uma revista de pessoas numa rua, o fazendeiro que está arrasado porque sua filha desapareceu, mas nada é mostrado propriamente.

AZOR, em um dialeto dos banqueiros suíços – como explica Inès em uma cena maravilhosa – quer dizer “fazer que não viu nada”. Ela acrescenta que o marido é muito bom nisto.

O The New York Times, através de sua crítica de cinema Manohla Dargis, escreveu um ótimo texto sobre AZOR, intitulado “Um Mundo em Chamas: Discretamente”. Retrata bem a Argentina que se vê neste drama poderoso.

AZOR, by Argentine filmmaker Andreas Fontana (available on NOW) is another competent film that comes from the neighboring country. We watch with interest all the time.

The plot shows the arrival of a Swiss private banker in Buenos Aires, at the time of the dictatorship, to hastily replace his predecessor who got involved in shady deals and had to leave Argentina.

From a traditional family of bankers (his grandfather was one of the founders of the bank), Ivan de Wiel arrived in Argentina for the first time in the most difficult period of its history. The dictatorship is in the midst of a “dirty war”, with the people who oppose it simply disappearing. Ivan is interpreted with naturalism by the Belgian actor Fabrizio Rongione.

With him arrives his wife Inès de Wiel, an elegant woman whose higher education allows her to observe everything around her and feed her husband with always qualified material. She is the actress (and screenwriter) Stéphanie Cléo, another high profile work.

The relationship between Church and Government is very well showed through Monsignore Tatoski (wonderful acting by actor Pablo Torre Nilson).

The newly arrived couple is making their way in Argentina, meeting people, having conversations where the most important things are unsaid and seeing where they ended up. The Country was at civil war and the rich people still go to black tie parties and horse races.

The film chose to avoid explicit scenes relating to the actions of the dictatorship. We see a stop of people on a street, the farmer who is devastated because his daughter has disappeared, but nothing is shown properly.

AZOR, in a dialect of Swiss bankers – as Inès explains in a wonderful scene – means “to pretend that you haven’t seen anything”. She adds that her husband is very good at this.

The New York Times, through its film reviewer Manohla Dargis, wrote a great piece about AZOR entitled “A World on Fire: Discreetly”. It portrays well the Argentina that is seen in this powerful drama.

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