THE CARD COUNTER: Paul Schrader Volta à Cena em Drama Contundente

Paul Schrader já foi um dos meus cineastas favoritos. O roteirista de obras primas como TAXI DRIVER e TOURO INDOMÁVEL e diretor de filmaços como A MARCA DA PANTERA e MISHIMA habitou, nas décadas de 70 e 80, minha prateleira dos grandes.

Schrader andou meio sumido, mas agora, aos 76 anos, reaparece com um drama bem ao seu estilo: THE CARD COUNTER. Vi na Apple TV+.

William Tell (ninguém sabe o nome real do personagem), notável trabalho do ator Oscar Isaac (STAR WARS), é um ex-presidiário que cumpriu pena por ser um dos soldados fotografados torturando presos em Abu Ghraib. O filme parte do ponto de vista de que aquelas cenas desumanas deixaram traumas incontornáveis também nos torturadores.

Na prisão, William aprendeu a contar cartas e passa a vida vagando por cassinos onde ganha pequenas quantias para ir vivendo. Abaixo do radar, como ele diz quando procurador por uma mulher que trabalha para investidores que bancam jogadores profissionais. Ela é La Linda, ótimo personagem vivido pela atriz Tiffany Haddish.

O único contato de Tell com pessoas é feito através do jovem Cirk (Tye Sheridan), o órfão de outro ex-soldado que se matou pelos fantasmas do passado. Cirk diz que seu objetivo de vida é raptar, torturar e matar o Coronel Joe Gordo (Willem Dafoe), o chefe deles que hoje ganha a vida com palestras sobre segurança empresarial.

O filme é muito seco e dark. Há muito pouco espaço para imagens mais agradáveis, como quando La Linda leva William para um passeio noturno em uma passarela de luzes.

Paul Schrader sabe muito fazer uma narrativa cinematográfica. A ação é muito contida, mas o drama é igualmente poderoso.

Um pequeno respiro é dado pela trilha sonora, cujas canções abrem certo lirismo que contrasta com a narrativa cada cena mais dramática.

Talvez o assunto das torturas de Abu Ghraib merecesse mais aprofundamento.

De qualquer sorte, THE CARD COUNTER é um filme muito bem feito e que dá o recado que seu diretor e roteirista queria transmitir.

Paul Schrader was once one of my favorite filmmakers. The screenwriter of masterpieces such as TAXI DRIVER and RAGING  BULL and director of films such as CAT PEOPLE, AMERICAN GIGOLO and MISHIMA inhabited, in the 70’s and 80’s, my shelf of the greats.

Schrader was a little absent, but now, at 76, he reappears with a drama very much in his style: THE CARD COUNTER. I saw the film in Apple TV+.

William Tell (no one knows the character’s real name), wonderful acting job of actor Oscar Isaac (STAR WARS), is an ex-con who served time for being one of the soldiers photographed torturing prisoners at Abu Ghraib. The film starts from the point of view that those inhumane scenes left unavoidable traumas for the torturers as well.

In prison, William learned to count cards and spends his life wandering around casinos where he earns small sums to live on. Under the radar, as he says when soliciting for a woman who works for investors who bankroll professional gamblers. She is La Linda, a great character played by actress Tiffany Haddish.

Tell’s only contact with people is through young Cirk (Tye Sheridan), the orphan of another ex-soldier who was killed by the ghosts of the past. Cirk says his life’s goal is to kidnap, torture and kill Colonel Joe Gordo (Willem Dafoe), their boss who now earns his living by lecturing on corporate security.

The film is very dry and dark. There is very little room for more pleasant images, such as when La Linda takes William for a nighttime walk on a catwalk of lights.

Paul Schrader knows a lot about making a cinematic narrative. The action is very restrained, but the drama is just as powerful.

A little breath is given by the soundtrack, whose songs open a certain lyricism that contrasts with the narrative each scene more dramatic.

Perhaps the subject of the Abu Ghraib tortures deserves more depth.

Anyway, THE CARD COUNTER is a very well-made film that delivers the message that its director and screenwriter wanted to convey.

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