MÃES PARALELAS: O Talento Diferenciado de Almodovar e Penélope em História Rica e Dramática

Vi ontem o novo filme de Pedro Almodovar, MÃES PARALELAS, em exibição nos cinemas e na NETFLIX.

O cineasta espanhol tem uma filmografia muito característica, onde enredos muito dramáticos são contados com pitadas de non sense que atribuem aos filmes uma certa comicidade muito típica – quase uma assinatura – de Almodovar.

MÃES PARALELAS conta a história de duas mulheres espanholas que se encontram no hospital, na hora de dar a luz para as duas filhas que geraram. Janis é uma fotógrafa famosa, de 40 anos, que engravidou de um homem casado, se separou dele e resolveu ter a filha sozinha. Ela é Penélope Cruz, a exuberante atriz espanhola que vem se tornando musa do cineasta.

A outra moça é Ana, uma jovem que foi estuprada por quatro rapazes em uma orgia regada a drogas e bebidas e que, por medo da repercussão resolveu não denunciar o fato e ter a filha. A atriz valenciana Milena Smit vive Ana, em interpretação emotiva e visceral.

A vida das duas vai se cruzar muito no futuro, a partir daquele encontro casual no hospital, onde Janis acalma Ana na hora mais importante de sua vida.

Paralelamente, Janis tem uma missão na vida que é conseguir a abertura de uma fossa onde foram executados e enterrados muitos homens – inclusive o Avô de Janis – de sua cidade natal (Castilla-La Mancha) durante a Guerra Civil Espanhola.

Almodovar sabe como poucos cineastas mesclar as duas narrativas. Uma serve de apoio a outra, ao mesmo tempo que a vida das duas protagonistas vai se cruzando ao longo do tempo.

Claro que Penélope Cruz é elemento essencial do filme. Aos 48 anos, no auge de sua beleza e de sua arte interpretativa, Penelope é uma presença magnética em cada cena onde aparece. Uma verdadeira musa.

Sigo achando que no início de sua carreira, Almodovar fez filmes mais contundentes e menos comportados. ÁTA-ME é, até hoje, meu Almodovar favorito. Mas MÃES PARALELAS se inscreve entre os melhores trabalhos do cineasta, que vem em ótima fase. PAIN AND GLORY, seu trabalho anterior já era um filme ótimo.

O cinema de Almodovar desperta paixões e ódios. Se você está no lado dos que gostam, MÃES PARALELAS vai lhe deliciar mais uma vez com o talento deste cineasta espanhol anárquico e contundente.

Ah, ele segue filmando maravilhosamente aos 73 anos, criando imagens belíssimas com sua câmera e mente altamente criativas.

Yesterday I saw Pedro Almodovar‘s new film, PARALLEL MOTHERS, in theaters and on NETFLIX.

The Spanish filmmaker has a very characteristic filmography, where very dramatic plots are told with hints of nonsense that give the films a certain comedy that is very typical – almost a signature – of Almodovar.

PARALLEL MOTHERS tells the story of two Spanish women who find themselves in the hospital, when it’s time to give birth to the two daughters they have given birth to. Janis is a famous photographer, 40 years old, who became pregnant with a married man, separated from him and decided to have her daughter alone. She is Penélope Cruz, the exuberant Spanish actress who has become the filmmaker’s muse.

The other girl is Ana, a young woman who was raped by four boys in an orgy filled with drugs and drinks and who, for fear of the repercussions, decided not to report the fact and have her daughter. The Valencian actress Milena Smit plays Ana, in an emotional and visceral interpretation.

Their lives will intersect a lot in the future, from that chance meeting at the hospital, where Janis calms Ana at the most important moment of her life.

At the same time, Janis has a mission in life which is to get the opening of a grave where many men were executed and buried – including Janis’s grandfather – from her hometown (Castilla-La Mancha) during the Spanish Civil War.

Almodovar knows how few filmmakers blend the two narratives. One supports the other, while the lives of the two protagonists intersect over time.

Of course, Penélope Cruz is an essential element of the film. At 48 years old, at the height of her beauty and her interpretive artistry, Penelope is a magnetic presence in every scene where she appears. A true muse.

I still think that at the beginning of his career, Almodovar made films that were more forceful and less well behaved. ATA-ME is, to this day, my favorite Almodovar. But PARALLEL MOTHERS is among the best works of the filmmaker, who is in a great phase. PAIN AND GLORY, your previous work was already a great movie.

Almodovar’s cinema arouses passions and hatred. If you are on the side of those who like it, PARALLEL MOTHERS will delight you once again with the talent of this anarchic and blunt Spanish filmmaker.

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