DRIVE MY CAR: Certamente um dos Melhores Filmes do Ano

Depois de ler uma enorme quantidade de críticas elogiosas a respeito do filme DRIVE MY CAR, do cineasta Ryûsuke Hamaguchi, consegui finalmente ver o filme ganhador – até agora – de 62 prêmios, inclusive três no Festival de Cannes, o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e 4 indicações para o Oscar 2022.

O filme de Hamaguchi merece todos estes elogios. Apesar de suas três horas de duração (o que quase sempre é um exagero), a quantidade de temas muito ricos que o roteiro aborda justifica esta duração acima da média.

Hidetoshi Nishijima vive o renomado diretor e ator de teatro Yusuke Kafuku que vive um casamento amoroso com a bela Oto Kafuku (a atriz Reika Kirishima), uma produtora de programas de TV ainda traumatizada pela perda da filha de 4 anos. Yusuke descobre que a esposa tem casos extraconjugais pouco antes dela falecer com uma hemorragia cerebral.

O personagem de Oto tem três feitos incríveis no decorrer do filme: quando o casal faz sexo, ela narra uma história que está criando; ela grava toda peça teatral TIO VANYA para o marido escutar no carro; sua personagem tem forte presença na trama, mesmo depois de sua morte.

Ainda de luto, Kafuku é convidado para dirigir uma versão da peça teatral clássica Tio Vânia na cidade de Hiroshima. Lá chegando, ele recebe a notícia de que a produção obriga todos seus contratados a usar os serviços de uma motorista profissional.

O roteiro de Haruki Murakami (história curta) – co-escrito pelo próprio cineasta Hamaguchi e Takamasa Oe – é dos mais brilhantes dos últimos tempos. Há uma quantidade de cenas e diálogos entre os personagens que deixam o espectador extasiado pela profundidade e beleza das colocações humanistas de sua história.

O amor pelo teatro e os detalhes da criação de uma peça são mostrados em detalhes por Hamaguchi, evidenciando sua paixão pela criação de obras de arte. A peça Tio Vania, de Anton Chekhov (assim como ESPERANDO GODOT, de Brecht que também tem um papel essencial na história) se prestam perfeitamente para o aprofundamento dos personagens, da história e dos relacionamentos entre eles.

Uma atriz muda traz outro tema poderoso do filme de Hamaguchi, a inclusão dos diferentes e sua contribuição única para a arte.

Em resumo, DRIVE MY CAR, de Ryûsuke Hamaguchi não somente vale muito a pensa ser visto, como acredito que vai ficar marcado como um dos mais belos estudos sobre as relações humanas trazidos às telas nos anos recentes.

After reading a huge amount of highly positive reviews about Ryûsuke Hamaguchi‘s film DRIVE MY CAR, I was finally able to see the film that has won – so far – 62 awards, including three at the Cannes Film Festival, the Golden Globe for Best Foreign Language Film and 4 Oscar nominations in 2022.

Hamaguchi’s film deserves all these recognition. Despite its three hours of duration (which is almost always an exaggeration), the pluralism of very rich themes that the script covers justifies this above-average duration.

Hidetoshi Nishijima plays renowned theater director and actor Yusuke Kafuku, who is in a loving marriage with the beautiful Oto Kafuku (actress Reika Kirishima), a TV show producer still traumatized by the loss of her 4-year-old daughter. Yusuke discovers that his wife is having extramarital affairs shortly before she dies of a brain hemorrhage.

The Oto character has three outstanding achievements in the film: when the couple have sex, she narrates a story that she is creating; she records all the play UNCLE VANYA for her husband to listen in the car; her presence is still powerful even after her death.

Still in mourning, Kafuku is invited to direct a version of the classic play Tio Vânia in the city of Hiroshima. There, he receives the news that the production forces all its contractors to use the services of a professional driver.

The screenplay by Haruki Murakami (short story) – co-written by filmmaker Hamaguchi himself and Takamasa Oe – is one of the most brilliant in recent times. There are a number of scenes and dialogues between the characters that leave the viewer entranced by the depth and beauty of the humanist placements of his story.

The love about theater and the details of creating a play are shown in detail by Hamaguchi, evidencing his passion for creating works of art. Anton Chekhov‘s Uncle Vanya (as well as Brecht’s WAITING GODOT, who also plays an essential role in the story) lend themselves perfectly to deepening the characters, the story and the relationships between them.

A mute actress brings another powerful theme to Hamaguchi’s film, the inclusion of the different and their unique contribution to the art.

In summary, DRIVE MY CAR, by Ryûsuke Hamaguchi, is not only worth seeing, but I believe it will stay as one of the most beautiful studies on human relations brought to the screen in recent years.

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