Outra Guerra, Senhores?

Quando o ser humano se mete em mais uma guerra sem sentido (isto não é redundância?), rememoro como o cinema já mostrou, em inúmeros filmes, a loucura das guerras.

Quatro lembranças.

GLÓRIA FEITA DE SANGUE, de Stanley Kubrick é um brilhantíssimo filme do mestre que se passa durante a Primeira Guerra Mundial. PATHS OF GLORY é baseado em um livro de Humphrey Cobb. O Coronel Dax (Kirk Douglas), comandante de um batalhão francês defende seus soldados quando são levados a corte marcial por recusarem uma missão suicida. Um obra prima.

APOCALIPSE NOW, de Francis Ford Coppola é, certamente um dos mais contundente libelos cinematográficos contra as guerras, mostrando por dentro a loucura de todas elas. É uma sucessão de imagens magníficas, como os ataques dos helicópteros no amanhecer do Vietnam, ao som de Cavalgada das Valquírias, de Wagner, aos monólogos inesquecíveis de Marlon Brando. Mas há uma cena da qual me lembro perfeitamente, na qual um soldado conta para Martin Sheen que eles guarnecem uma ponte que é sistematicamente destruída pelos vietcongs durante a noite. No dia seguinte, sob fogo cerrado, os americanos reconstroem a ponte. Até ela ser destruída outra vez, à noite.

JOHNNY VAI A GUERRA, de Dalton Trumbo. O roteirista e cineasta perseguido no episódio da Lista Negra, escreveu e dirigiu contando a história do jovem (narrador do filme) Joe Bonham um recruta que acorda, perfeitamente consciente em uma cama de hospital, sem os braços, as pernas, olhos, nariz, orelhas, língua e maxilares. Deprimido quer morrer. Mas este direito não lhe é concedido.

A BATALHA DE ARGEL, de Gillo Pontercovo. Ainda lembro de uma manhã de domingo, quando o Clube de Cinema de Porto Alegre, através do imortal Paulo Fontoura Gastal, programou para o Cinema Um Sala Vogue uma exibição deste filme. O trabalho de Pontecorvo, com atores não profissionais contando a luta do povo argelino para se tornar independente da França é nada menos que poderoso. A Legião Estrangeira Francesa enfrenta a revolução argelina com os dois lados mergulhando em atos de violência extrema como tortura, atentados, sabotagens e, naturalmente mortes. Saí do cinema deslumbrado pelo filme e deprimido pela estupidez humana.

Há muitos outros. Mas estes, na minha opinião, são emblemáticos.

O homem devia ir mais ao cinema. Pelo menos antes de iniciar outra guerra.

When the human being gets involved in yet another senseless war (isn’t this redundancy?), I remember how the cinema has already shown, in countless films, the madness of wars.

Four memories.

PATHS OF GLORY, by Stanley Kubrick is a brilliant film by the master that takes place during the First World War. PATHS OF GLORY is based on a book by Humphrey Cobb. Colonel Dax (Kirk Douglas), commander of a French battalion, defends his soldiers when they are court-martialed for refusing a suicide mission. A masterpiece.

APOCALYPSE NOW, by Francis Ford Coppola is certainly one of the most forceful cinematic libels against wars, showing from the inside the madness of all of them. It is a succession of magnificent images, such as the helicopter attacks at dawn in Vietnam, to the sound of Wagner’s Ride of the Valkyries, to Marlon Brando‘s unforgettable monologues. But there is one scene I remember perfectly, in which a soldier tells Martin Sheen that they are manning a bridge that is systematically destroyed by the Vietcong during the night. The next day, under heavy fire, the Americans rebuild the bridge. Until it was destroyed again, at night.

JOHNNY GOES TO WAR, by Dalton Trumbo. The screenwriter and filmmaker persecuted in the Black List episode, wrote and directed the story of young (film narrator) Joe Bonham a recruit who wakes up, perfectly conscious in a hospital bed, without arms, legs, eyes, nose, ears, tongue and jaws. Depressed wants to die. But this right is not granted.

THE BATTLE OF ALGIERS, by Gillo Pontercovo. I still remember a Sunday morning, when the Clube de Cinema de Porto Alegre, through the immortal Paulo Fontoura Gastal, programmed a screening of this film for Cinema Um Sala Vogue. Pontecorvo’s work, with non-professional actors, recounting the struggle of the Algerian people to gain independence from France, is nothing short of powerful. The French Foreign Legion faces the Algerian revolution with both sides plunging into acts of extreme violence such as torture, bombings, sabotage and, of course, deaths. I left the cinema dazzled by the film and depressed by human stupidity.

There are many others. But these, in my opinion, are emblematic.

The man should go to the movies more. At least before starting another war.

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