HOUSE OF GUCCI: Pai, Filho e Casa de Gucci

Ridley Scott outra vez acertou um segundo filme seguido. Isto foi bem comum no início da carreira dele, onde excelentes filmes eram a tônica: OS DUELISTAS, ALIEN, BLADE RUNNER. Mas sigo achando incrível como um cineasta de obras excepcionais, volta e meia, faz filmes indefensáveis: A LENDA, PROMETHEUS, O CONSELHEIRO DO CRIME. Está certo que como filma muito (já chegou a 57 longas dirigidos), ele tem dificuldade em mantar o altíssimo nível, por exemplo de THELMA & LOUISE, O GLADIADOR, FALCÃO NEGRO EM PERIGO, ROBIN HOOD, só para citar mais alguns ótimos títulos que Scott dirigiu.

Este ano, na minha opinião ele outra vez fez dois ótimos filmes seguidos. Já disse aqui que gostei muito de O ÚLTIMO DUELO, um filme de capa e espada que tem toda uma batida de western. É uma obra muito rica, cheia de metáforas, recursos narrativos muito criativos e que premia o espectador com cinema de alto nível.

Ontem finalmente vi A CASA GUCCI (HOUSE OF GUCCI). Ridley Scott acertou de novo.

O filme é uma narrativa densa (às vezes quase exagerada tipo uma ópera bufa), muito pesada (as traições são uma constante), ácida (o retrato de uma classe dominante vazia e gananciosa lembra o cinema de Visconti), uma produção requintada e um elenco extraordinário.

É muito bom ver uma história desta representada por Al Pacino, Jeremy Irons, Adam Driver (segue sua ascendência impressionante), Lady Gaga ( a condutora da trama), Jared Leto (o novo camaleão de Hollywood), Salma Hayek, Jack Houston, Reeve Carney e a francesa Camile Cottin (que tinha brilhado como Virginia em STILLWATER). É muito talento na arte de atuar, juntos na tela.

A história do esfacelamento da Família Gucci – baseada no livro escrito pela jornalista Sara Gay Forden, que tem o significativo título de HOUSE OF GUCCI: UMA HISTÓRIA SENSACIONAL DE ASSASSINATO, LOUCURA, GLAMOUR E GANÂNCIA – traz os bastidores impensáveis mesmo se sabendo que cada família tem as suas loucuras próprias.

Além de assassinato, loucura, glamour e ganância, há traições a granel, falsificações, fraudes fiscais, pirataria consentida de produtos, bruxaria, um cardápio completo de malfeitos, para dizer o mínimo.

A direção de Ridley Scott é precisa: ele deixa rolar um certo tom de novela (cai bem para uma família italiana cujos sentimentos são todos melodramáticos), mas segura a mão em aprofundar a miséria humana quando o valor principal é o dinheiro.

A decadência explícita de todos os que viviam em casas luxuosas, carros absurdamente caros, férias glamurosas em lugares obscenamente caros é, ao mesmo tempo, triste e típica deste tipo de história real. Quantos casos semelhantes já se viu na vida real e na ficção?

Há muitas cenas e diálogos brilhantes no filme. Cito apenas um. Num encontro entre Paolo Gucci e Patrizia Reggiani (Jared Leto e Lady Gaga), o primeiro lhe pergunta: “Você pode guardar um segredo?”. Ela responde: “Pai, Filho e Casa de Gucci”.

Vale muito a pena ver HOUSE OF GUCCI. E depois lamentar o que está aí ou apenas saber o que não fazer com sua vida.

Ridley Scott has again hit a second movie in a row. This was very common at the beginning of his career, where excellent films were the keynote: THE DUELISTS, ALIEN, BLADE RUNNER. But I still find it amazing how a filmmaker of exceptional works, time and again, makes indefensible films: THE LEGEND, PROMETHEUS, THE COUNSELOR. It is true that as he films a lot (he has already directed 57 features), he finds it difficult to maintain the very high level, for example of THELMA & LOUISE, THE GLADIATOR, BLACK HAWK DOWN, ROBIN HOOD, just to name a few more great titles Scott directed.

This year, in my opinion, he again made two great movies in a row. I’ve already said here that I really liked THE LAST DUEL, a sword movie that has a whole western beat. It is a very rich work, full of metaphors, very creative narrative resources and that rewards the spectator with high level cinema.

Yesterday I finally saw HOUSE OF GUCCI. Ridley Scott got it right again.

The film is a dense narrative (sometimes almost exaggerated like an opera bufa), very heavy (betrayals are a constant), acid (the portrayal of an empty and greedy ruling class reminds us of Visconti’s cinema), a production exquisite and an extraordinary cast.

It’s great to see a story like this represented by Al Pacino, Jeremy Irons, Adam Driver (continues his impressive ascending as an actor), Lady Gaga (the conductor of the plot), Jared Leto (the new Hollywood chameleon), Salma Hayek, Jack Houston, Reeve Carney and Frenchwoman Camile Cottin (who had shone as Virginia in STILLWATER). It’s a lot of talent in the art of acting, together on screen.

The story of the breakup of the Gucci Family – based on the book written by journalist Sara Gay Forden, which has the significant title HOUSE OF GUCCI: A SENSATIONAL STORY OF MURDER, MADNESS, GLAMOUR AND GREED – brings back the unthinkable behind the scenes that each family has its own madness.

In addition to murder, madness, glamor and greed, there are betrayals in quantity, forgeries, tax fraud, consensual product piracy, witchcraft, a full menu of misdeeds, to say the least.

Ridley Scott‘s direction is precise: he lets in a certain soap opera tone (fits an Italian family whose feelings are all melodramatic), but holds his hand in deepening human misery when the main value is money.

The explicit decadence of everyone who lived in luxurious homes, outrageously expensive cars, glamorous vacations in obscenely expensive places is both sad and typical of this kind of true story. How many similar cases have you seen in real life and in fiction?

There are many brilliant scenes and dialogue in the movie. I cite just one. In a meeting between Paolo Gucci and Patrizia Reggiani (Jared Leto and Lady Gaga), the man asks her: “Can you keep a secret?”. She replies, “Father, Son and House of Gucci”.

House of Gucci is worth seeing. And then cry for what’s there or just know what not to do with your life.

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