tick, tick…BOOM!: Lin-Manuel Miranda Segue Carreira Exitosa em Sua Estreia como Diretor

O novaiorquino Lin-Manuel Miranda já tinha nos dado duas peças extraordinárias do musical moderno: HAMILTON e INTO THE HEIGHTS, espetáculos da Broadway trazidos para as telas sob o talento dele. Me inscrevo entre os grandes fãs destes dois marcos recentes dos palcos, ótimos de se ver também nas telas.

Com TICK, TICK…BOOM!, Lin-Manuel Miranda oficialmente iniciou sua carreira como diretor de longa metragem. A partir do roteiro do musical escrito pelo falecido entertainer americano Jonathan Larson, Miranda ampliou TICK, TICK…BOOM! e, ao melhor estilo de Bob Fosse no extraordinário ALL THAT JAZZ, focalizou com lupa o processo criativo de Larson.

O ator californiano Andrew Garfield (A REDE SOCIAL, HOMEM-ARANHA, HACKSAW RIDGE) faz outro trabalho visceral de interpretação como o protagonista Jonathan Larson. Está certo que a história real de Larson tinha tudo para gerar um grande filme: talento, música e tragédia, em Nova Iorque.

O criador do célebre musical RENT (12 anos em cartaz na Broadway) considerado por muitos um marco revolucionário do musical novaiorquino, Larson morreu, muito jovem, aos 35 anos de idade, vítima de um aneurisma de aorta nas vésperas da estreia de RENT na Broadway. Algo pode ser mais trágico?

Quando vi a primeira vez o SPIDERMAN de Andrew Garfield, me lembro de ter saído do cinema com a sensação de que o ator Tobey McGuire (intérprete anterior do Aranha) devia estar constrangido. Andrew Garfield (que ainda é um jovem de 39 anos) já se mostrava um ator com muito mais recursos, mesmo mascarado e escondido atrás dos efeitos especiais. Aliás, a gente já tinha visto este talento nato no assustador THE SOCIAL NETWORK, onde ele viveu o personagem do brasileiro Eduardo Saverin na história do Facebook.

Aqui Garfield faz seu melhor trabalho até hoje. Recebeu o merecido reconhecimento da indicação ao Oscar de Melhor Ator. A emoção que ele transmite em cada cena como Larson nos deixa com a impressão de estarmos vendo um documentário. Tanto que as cenas reais de Larson, no final do filme, em nada criam a sensação de ruptura. Parece seguir sendo Andrew Garfield.

Lin-Manuel Miranda, como já tínhamos visto em HAMILTON e INTO THE HEIGHTS, sabe usar muito seu elenco de apoio, valorizando com solos maravilhosos os coadjuvantes. A linda Alexandra Shipp, o ótimo Robin de Jesus, uma surpreendente Vanessa Hudgens, Judith Light, Joshua Henry, Michaela Jaé Rodriguez e um incrível Bradley Wildford (vivendo o mito Stephen Sondheim) fazem um cast fora de série para acompanhar Garfield.

A triste história de Jonathan Larson, nas mãos talentosas de Lin-Manuel Miranda, se tornou um poderoso, emocionante, movimentado, nostálgico musical, onde várias cenas nos tiram a respiração por sua beleza única. Miranda vem se tornando o principal nome do gênero atualmente, investindo na multiplicidade, inclusão e diversidade de seus roteiros e elencos. Talento puro.

Em uma das tantas cenas memoráveis do filme, na manhã seguinte a primeira apresentação de seu novo trabalho, Larson liga para sua empresária para saber a reação da crítica. Ela lhe diz que foi muito positiva, mas que ninguém vai se interessar por um musical com naves espaciais. Ele pergunta desolado, o que vem a seguir. Ela diz: “Você começa a escrever o próximo. E depois de terminar aquele, você começa o próximo. E assim por diante, e é isso que é ser um escritor, querido. Você continua jogando-os contra a parede e torcendo contra a esperança de que, eventualmente, algo grude.”

Uma lição sobre a criação, sobre a Broadway e sobre a vida. Escreva o próximo.

New Yorker Lin-Manuel Miranda had already given us two extraordinary pieces of the modern musical: HAMILTON and INTO THE HEIGHTS, Broadway shows brought to the screen under his talent. I am among the big fans of these two recent milestones on stage, great to see on screen too.

With TICK, TICK…BOOM!, Lin-Manuel Miranda officially started his career as a feature film director. From the musical’s script written by the late American entertainer Jonathan Larson, Miranda expanded TICK, TICK…BOOM! and, in the style of Bob Fosse in the extraordinary ALL THAT JAZZ, focused with a magnifying glass on Larson’s creative process.

Californian actor Andrew Garfield (THE SOCIAL NETWORK, SPIDER-MAN, HACKSAW RIDGE) does another visceral piece of acting as protagonist Jonathan Larson. It’s true that Larson’s true story had everything to make a great movie: talent, music and tragedy, in New York.

The creator of the famous musical RENT (12 years on Broadway) and considered by many a revolutionary milestone in the New York musical, Larson died, very young, at the age of 35, victim of an aortic aneurysm on the eve of the premiere of RENT on Broadway. Can anything be more tragic?

When I first saw Andrew Garfield‘s SPIDERMAN, I remember leaving the theater with the feeling that actor Tobey McGuire (previous Spider-Man) must be embarrassed. Andrew Garfield (who is still 39 years old) already showed himself to be an actor with much more resources, even masked and hidden behind the special effects. By the way, we had already seen this natural talent in the scary THE SOCIAL NETWORK, where he played the character of the Brazilian Eduardo Saverin in the history of Facebook.

Here Garfield does his best work to date. He received the well-deserved recognition of the Oscar with the nomination for Best Actor. The emotion he conveys in each scene as Larson leaves us with the impression that we are watching a documentary. So much so that Larson’s actual scenes, at the end of the film, in no way create the sensation of rupture. Seems to still be Andrew Garfield.

Lin-Manuel Miranda, as we had already seen in HAMILTON and INTO THE HEIGHTS, knows how to use his supporting cast a lot, valuing his supporting cast as wonderful solos. The beautiful Alexandra Shipp, the great Robin de Jesus, an amazing Vanessa Hudgens, Judith Light, Joshua Henry, Michaela Jaé Rodriguez and an incredible Bradley Wildford living the myth Stephen Sondheim make an outstanding cast to accompany Garfield.

The sad story of Jonathan Larson, in the talented hands of Lin-Manuel Miranda, has become a powerful, moving, moving, nostalgic musical, where several scenes take our breath away for their unique beauty. Miranda has become the main name of the genre today, investing in the multiplicity, inclusion and diversity of its scripts and casts. Pure talent.

In one of the film’s many memorable scenes, the morning after the first performance of his new work, Larson calls his manager to get the critical reaction. She tells him that she was very positive, but that no one is going to be interested in a musical with spaceships. He asks desolately, what’s next. She says, “You start writing the next one. And after you finish that one, you start the next. And on and on, and that’s what it is to be a writer, honey. You just keep throwing them against the wall and hoping against hope that eventually something sticks..”

A lesson in creation, Broadway and life. Write the next one.

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