SCORPIO: No Auge da Guerra Fria, Tudo Era Ditado Pela Paranóia

Hoje voltamos a viver, pelo menos parcialmente, a paranóia da Guerra Fria. A ameaça vermelha parece estar ressuscitada.

Nas décadas de 50, 60 e 70, Hollywood se aproveitou dos perigos da Cortina de Ferro, para fazer filmes em que os comunistas eram ameaças permanentes ao chamado “mundo livre”.

Há muitos filmes clássicos do gênero envolvendo a Guerra Fria. O ESPIÃO QUE VEIO DO FRIO, baseado no livro de John Le Carré é um deles. SETE DIAS EM MAIO, DOUTOR FANTÁSTICO e TOPÁZIO são filhos da paranoia política. Um pouco mais moderno e envolvendo outro tipo de paranóia, A TRAMA, de Alan J. Pakula é um filme maravilhoso.

Ontem revi, depois de décadas, o filme SCORPIO, do cineasta Michael Winner (um inglês em quem se tinha esperança de ser um bom cineasta até que ele fez DESEJO DE MATAR).

Burt Lancaster (já meio passado) vive o espião Cross. Por uma série de amizades com pessoas “do outro lado”, ele vira alvo de seus chefes. Eles contratam o frio assassino francês Jean Laurier (Alain Delon no auge, usufruindo o sucesso como galã) para perseguir e matar Cross, com quem ele tinha trabalhado anos atrás.

A admiração recíproca dos protagonistas não impede uma perseguição violenta e interminável. Burt Lancaster e Alain Delon têm carisma mais do que suficiente para levar o filme com muita categoria.

Há tipos maravilhosos no filme como Paul Scofield vivendo o russo Sergei Zharkov, um diplomata que ajuda Cross até onde pode.

Quando alguém ameaça pensar sobre o que estão fazendo, logo ressurge a ameaça comunista de levar Cross e ter as informações secretas que ele tem.

É interessante rever o filme para sentir outra vez aquele clima de medo permanente que movia o mundo.

Até para não cairmos outra vez naquela paranóia.

Today, we live, at least partially, the paranoia of the Cold War. The red menace appears to be resurrected.

In the 50s, 60s and 70s, Hollywood took advantage of the dangers of the Iron Curtain to make films in which communists were permanent threats to the so-called “free world”.

There are many classic films of the genre involving the Cold War. THE SPY WHO CAME IN FROM THE COLD, based on the book by John Le Carré is one of them. SEVEN DAYS IN MAY, DOCTOR STRANGELOVE and TOPÁZIO are children of political paranoia. A little more modern and involving another kind of paranoia, THE PARALLAX VIEW, by Alan J. Pakula is a wonderful film.

Yesterday, after decades, I reviewed the film SCORPIO, by filmmaker Michael Winner (an Englishman who was expected to be a good filmmaker until he made DEATH WISH).

Burt Lancaster (already aged) plays the spy Cross. Through a series of friendships with people “on the other side”, he becomes the target of his bosses. They hire cold French assassin Jean Laurier (Alain Delon in his prime, enjoying his success as a heartthrob) to track down and kill Cross, whom he had worked with years ago.

The protagonists’ mutual admiration does not prevent a violent and interminable persecution. Burt Lancaster and Alain Delon have more than enough charisma to take the film with a lot of category.

There are wonderful guys in the movie like Paul Scofield playing Russian Sergei Zharkov, a diplomat who helps Cross as much as he can.

When someone threatens to think about what they’re doing, the communist threat to take Cross and have the secret information he has, resurfaces.

It is interesting to review the film to feel again that atmosphere of permanent fear that moved the world.

Even so we don’t fall into that paranoia again.

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