O DOCE AMANHÃ: Um Filme Impecável, Triste, Denso e Poético

Ontem, quando publiquei um post sobre o filme GUEST OF HONOUR, do cineasta egípcio Atom Egoyan, meu amigo e cinéfilo Eron Duarte Fagundes anotou que o Egoyan favorito dele era O DOCE AMANHÃ (THE SWEET HEREAFTER), de 1997, baseado no livro do escritor americano Russell Banks.

O filme foi indicado a dois Oscars (diretor e roteiro adaptado) e ganhou 34 prêmios internacionais, inclusive 4 no Festival de Cannes, incluindo a Palma de Ouro de Melhor Diretor para Atom Egoyan.

Fui atrás. É realmente um filme impressionante.

Um advogado especializado em buscar indenizações chega a uma pequena comunidade americana, onde um recente acidente com o ônibus escolar matou a maioria das crianças locais.

Ele vai tentando convencer as pessoas – ainda muito enlutadas e traumatizadas com o que aconteceu – a contratar seus serviços como advogado para buscar reparação pelo ocorrido.

Ian Holm, ator inglês morto em 2020, que tem em sua carreira de 139 trabalhos, alguns papéis marcantes. Certamente, o do advogado Mitchell se inscreve entre eles. É uma interpretação magnífica.

O elenco do filme de Egoyan é excelente. Sarah Polley (que canta de forma notável várias canções da trilha sonora), Bruce Greenwood, Tom McCamus, Gabrielle Rose, Alberta Watson, Maury Chaykin, Stephanie Morgenstern, Arsinée Khanjian fazem um grupo de personagens doloridos de forma impressionante.

A câmera de Egoyan faz o registro das conversas do advogado com os habitantes locais, quase como se estivesse fazendo um documentário. Mas os diálogos vão, aos poucos, desnudando os sentimentos das pessoas que sempre viveram ali e agora têm de conviver com aquela tragédia. A tristeza das pessoas é palpável. Os olhares e as palavras são demasiadamente doídas.

Certamente, o fato de ser advogado e trabalhar com responsabilidade civil, me acrescentou um elemento de familiaridade com o drama visto na tela. Foi ainda mais tocante e emocionante.

THE SWEET HEREFATER é cinema da melhor qualidade.

Yesterday, when I published a post about the film GUEST OF HONOUR, by Egyptian filmmaker Atom Egoyan, my friend and cinephile Eron Duarte Fagundes noted that his favorite Egoyan was THE SWEET HEREAFTER, from 1997, based on the book by American writer Russell Banks.

The film was nominated for two Oscars (director and adapted screenplay) and won 34 international awards, including 4 at the Cannes Film Festival, including the Palme d’Or for Best Director for Atom Egoyan.

I went to see the film. It really is an impressive film.

A lawyer specializing in seeking damages arrives in a small American community, where a recent school bus accident killed most of the local children.

He is trying to convince people – still very bereaved and traumatized by what happened – to hire his services as a lawyer to seek compensation for what happened.

Ian Holm, English actor who died in 2020, who has in his career of 139 works, some outstanding roles. Certainly, this one of attorney Mitchell is among them. It’s a magnificent interpretation.

The cast of Egoyan’s film is excellent. Sarah Polley (who notably sings several songs from the soundtrack), Bruce Greenwood, Tom McCamus, Gabrielle Rose, Alberta Watson, Maury Chaykin, Stephanie Morgenstern, Arsinée Khanjian make an impressively painful cast of characters.

Egoyan’s camera records the lawyer’s conversations with the locals, almost as if he were making a documentary. But the dialogues gradually lay bare the feelings of the people who have always lived there and now have to live with that tragedy. The sadness of the people is palpable. The looks and the words are too painful.

Certainly, being a lawyer and working in liability has added for me an element of familiarity to the drama seen on screen. It was even more touching and moving.

THE SWEET HEREFATER is cinema of the highest quality.

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