JUVENTUDE: Um Delicioso e Lírico Filme de Sorrentino Sobre a Idade

Nesta segunda-feira à noite, resolvi rever um dos mais recentes filmes (2015) do cineasta italiano Paolo Sorrentino: JUVENTUDE (YOUTH). Sorrentino encontrou uma fórmula de sucesso para seu cinema. Desde o sucesso (merecido) de A GRANDE BELEZA (2013), este napolitano de 52 anos vem trilhando o mesmo caminho. Uma história interessante, ótimos atores, uma trilha sonora evocativa de memórias afetivas marcantes e imagens belíssimas meio oníricas meio descontextualizadas, que seus críticos chamam de “imagens de anúncios comerciais”.

A verdade é que Sorrentino, como poucos, sabe fazer cinema na Itália de hoje.

YOUTH tem todos os elementos para agradar muito o espectador. Começa por uma dupla central de atores primorosa. Michael Caine é o maestro aposentado Fred Ballinger que passa um período em belíssimo resort de montanha ao lado de seu melhor amigo, o veterano cineasta Mick Boyle (Harvey Keitel outra vez antológico). Juntos ele vão discutir e refletir sobre a idade, a vida, os amores, os filhos, a arte, o mundo moderno, as memórias. Os diálogos são brilhantes.

Com eles está Lena, a filha do maestro, interpretada por uma encantadora Rachel Weisz. E, de quebra há o ator famoso de Hollywood, Jimmy Tree (Paul Dano, muito bom), a atriz icônica dos filmes de Boyle, Brande Morel (Jane Fonda em participação rápida e memorável), uma Miss Universo pensante e desaforada (a atriz romena Madalina Ghenea), Diego Maradona (extraordinário papel do ator argentino Roly Serrano) e outros tipos cativantes.

O filme tem uma dúzia de cenas maravilhosas. Como a dos dois idosos na piscina quando a Miss Universo resolve tomar um banho completamente nua. Acho que é uma cena “sorrentiana” típica. Muito expressiva em suas imagens e na falta de texto. Como a do velho maestro regendo uma orquestra de vacas. Ou o monge levitando.

YOUTH é uma delícia de filme. Acho que os mais idosos (ou maduros) terão mais motivos para gostar do filme. Quanta vivência dos protagonistas é perfeitamente reconhecível ao espectador mais velho.

Há melancolia, sem dúvida. Mas o sentimento predominante é a delícia de ver outro ótimo filme de Paolo Sorrentino, um cineasta no auge de sua criatividade.

This Monday night, I decided to review one of the most recent films (2015) by Italian filmmaker Paolo Sorrentino: YOUTH. Sorrentino found a successful formula for his cinema. Since the (deserved) success of THE GREAT BEAUTY (2013), this 52-year-old Napolitan has been following the same path. An interesting story, great actors, an evocative soundtrack of strong affective memories and beautiful images half dreamy half decontextualized, which critics call “images of commercials”.

The truth is that Sorrentino, like few others, knows how to make cinema in Italy today.

YOUTH has all the elements to really please the viewer. It starts with a central duo of exquisite actors. Michael Caine is the retired conductor Fred Ballinger who spends time at a beautiful mountain resort with his best friend, veteran filmmaker Mick Boyle (Harvey Keitel again anthologic). Together they will discuss and reflect on age, life, loves, children, art, the modern world, memories. The dialogues are brilliant.

With them is Lena, the maestro’s daughter, played by a charming Rachel Weisz. And, on top of that, there’s the famous Hollywood actor Jimmy Tree (Paul Dano, very good), the iconic actress of Boyle’s films, Brande Morel (Jane Fonda in a quick and memorable cameo), a thinking and brash Miss Universe (the Romanian Madalina Ghenea), Diego Maradona (extraordinary role of Argentinian actor Roly Serrano) and other captivating types.

The movie has a dozen wonderful scenes. Like the two elderly people in the pool when Miss Universe decides to take a bath completely naked. I think it’s a typical “Sorrentian” scene. Very expressive in its images and in the lack of text. Like the old conductor conducting an orchestra of cows. Or the monk levitating.

YOUTH is a movie delight. I think the older (or mature) will have more reasons to like the film. How much experience of the protagonists is perfectly recognizable to the older viewer.

There is melancholy, no doubt. But the prevailing feeling is the delight of seeing another great film by Paolo Sorrentino, a filmmaker at the height of his creativity.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.