WHITE HOT: A ASCENSÃO E QUEDA DA ABERCROMBIE & FITCH – Documentário da NETFLIX Expõe a Exclusão a Qualquer Preço

Quem foi alguma vez na década passada a um shopping nos Estados Unidos, certamente vai lembrar as filas intermináveis que havia nas portas das lojas da marca Abercrombie & Fitch. As lojas não tinham vitrines e o acesso era dado por jovens belíssimos que faziam os papeis de recepcionistas, os rapazes de calça jeans apertada e sem camisa e as meninas de calça jeans (ainda mais apertada) e soutien. O interior da loja era com pouca luz e uma música ensurdecedoramente alta. Tanto fregueses como atendentes pareciam estar dançando dentro de uma balada de sábado à noite.

A NETFLIX está mostrando o documentário WHITE HOT: A ASCENSÃO E QUEDA DA ABERCROMBIE & FITCH, um filme da jovem cineasta Alyson Kleyman, um nome a ser seguido nos próximos anos.

O filme mergulha fundo no surgimento da marca que tem um alce como logotipo e que recrutava meninos e meninas através de uma rede de recrutadores que andavam pelos shoppings e ruas americanas atrás de corpos esculturais e rostos de modelos, para serem a “cara da Abercrombie”.

O idealizador e CEO da empresa Mike Jeffries se recusou a dar entrevista para o filme. Aparece aqui e lá com entrevistas (raras) e notas oficiais da companhia, emitidas a cada nova crise de imagem.

O assustador do episódio era a filosofia (quase indisfarçada) da empresa em não querer vender para pessoas que não fossem o modelo WASP, jovem, bonitos, malhados, brancos.

Um série de entrevistas com ex-integrantes da empresa dão muita força às alegações do roteiro de discriminação intencional e convicta de parte da A&F.

Um dos pontos mais interessantes é a participação da atual gestão da empresa, que defende que a Abercrombie mudou. Há uma diretoria de inclusão, a empresa passou a fazer modelos plus size, as publicidades incluem pessoas longe de serem modelos estereotipados e por aí vai. Até a música dentro das lojas baixou de volume : “A Abercrombie quer ouvir você”, diz o novo slogan do marketing atual da empresa.

Mesmo sendo um documentário, WHITE HOT: A ASCENSÃO E QUEDA DA ABERCROMBIE & FITCH tem momentos de filme de terror. Tristemente obrigatório.

Anyone who has been to a mall in the United States at any time in the past decade will surely remember the endless lines at the doors of Abercrombie & Fitch. The stores did not have windows and access was given by beautiful young people who played the roles of receptionists, the boys in tight jeans and no shirt and the girls in jeans (even tighter) and bra. The interior of the store was dimly lit and deafeningly loud music. Customers and servers alike appeared to be dancing inside a Saturday night club.

NETFLIX is showing the documentary WHITE HOT: THE RISE AND FALL OF ABERCROMBIE & FITCH, a film by young filmmaker Alyson Kleyman, a name to follow for years to come.

The film delves deep into the emergence of the moose brand that recruited boys and girls through a network of recruiters who roamed American malls and streets looking for sculpted bodies and models’ faces, to be the “face from Abercrombie”.

The company’s founder and CEO Mike Jeffries declined to be interviewed for the film. It pops up here and there with (rare) interviews and official company notes, issued with each new image crisis.

The scary thing about the episode was the company’s (almost undisguised) philosophy of not wanting to sell to people other than the WASP model, young, handsome, piebald, white.

A series of interviews with former members of the company lends much weight to the script’s allegations of intentional and outspoken discrimination on the part of A&F.

One of the most interesting points is the participation of the current management of the company, which argues that Abercrombie has changed. There is an inclusion board, the company started making plus-size models, advertising includes people far from being stereotypical models, and so on. Even the music inside the stores turned down: “Abercrombie wants to hear from you”, says the new slogan of the company’s current marketing.

Even though it’s a documentary, WHITE HOT: THE RISE AND FALL OF ABERCROMBIE & FITCH has horror movie moments. Sadly mandatory to see.

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