A SERPENTE DE ESSEX: Lá De Vez em Quando Aparece uma Série Autoral e Inovadora

A Apple TV+ lançou neste final de semana os dois primeiros capítulos (dos seis que compõem a história) da série inglesa A SERPENTE DE ESSEX, baseada no livro de Sarah Perry.

Na Inglaterra Vitoriana, uma mulher que recém enviuvou de um marido abusivo, se interessa por ir ao pequeno vilarejo de Aldwinter, em Essex, ver de perto a lenda local de uma serpente mitológica que volta e meia ataca a comunidade. Lá ela se envolve com um Padre, relacionamento que des[erta a ira da população conservadora.

Eu já tinha achado o enredo da série maravilhoso. Da mera leitura do argumento já ficava claro um campo fértil para metáforas entre a repressão sexual Vitoriana e a fálica serpente punidora. Mas o duo central de atores, Claire Danes e Tom Hiddleston elevaram em muito a qualidade da história, nos trazendo uma série realmente autoral e inovadora.

Claire Denis, desde seu aparecimento se mostra uma atriz excepcional. Sua Carrie Mathison – que sustentou a série HOMELAND – é um dos melhores personagens da era moderna da televisão. Um trabalho absolutamente diferenciado de uma grande atriz. Sua Cora Seaborne é apaixonada, traumatizada, corajosa e desbravadora. Uma mulher admiradora da ciência na Era Vitoriana. Os pesadelos que ela tem com os abusos sofridos em seu casamento são assuatadores.

To Hiddleston, o LOKI da MARVEL é outro que, a cada trabalho, se mostra fora do padrão. Seus personagens são cuidadosamente elaborados, com elementos visuais e corporais que caracterizam cada um deles. Aqui, faz um Padre Will Ransome impressionante em sua fé, obsessão por proteger seus fiéis e o abalo do que sente por Cora.

E entre eles há uma serpente que a comunidade afirma ser coisa do diabo.

O elenco é maravilhoso. Clemence Poesy, Frank Dillane, Hayley Squires, Dixie Egerickx, Michael Gibson, Lily-Rose Aslandogdu, Jamal Westman, Ryan Reffel e Zoë Scott fazem um cast sensacional, repleto de tipos humanos fascinantes.

A produção usa de forma perfeita a ambientação no interior da Inglaterra para criar uma atmosfera ao mesmo tempo misteriosa, belíssima e assustadora. A cenografia de interiores é impecável.

A trama ainda traz as barreiras e preconceitos que a medicina da época enfrentava em seu permanente confronto por evoluir. A ciência versus os preconceitos, barreiras religiosas e o obscurantismo.

Não sei até onde A SERPENTE DE ESSEX vai chegar. Sei que o início foi extraordinário.

Apple TV+ released this weekend the first two chapters (of the six that make up the story) of the English series THE ESSEX SERPENT, based on the book by Sarah Perry.

In Victorian England, a woman who has just been widowed from an abusive husband is interested in going to the small village of Aldwinter, in Essex, to see up close the local legend of a mythological serpent that occasionally attacks the community. There, she becomes involved with a priest, a relationship that rouses the ire of the conservative population.

I had already found the plot of the series to be wonderful. From the mere reading of the argument, a fertile field for metaphors between Victorian sexual repression and the phallic punishing serpent was already clear. But the central duo of actors, Claire Danes and Tom Hiddleston have raised the quality of the story a lot, bringing us a truly original and innovative series.

Claire Denis, since her appearance, has shown herself to be an exceptional actress. Her Carrie Mathison—who gave strength to the HOMELAND series—is one of the best characters of the modern era of television. An absolutely differentiated work of a great actress. Cora Seaborne is passionate, traumatized, courageous and a trailblazer. A woman who admired science in the Victorian Age. The nightmares she has about the abuse she suffered in her marriage are frightening.

Tom Hiddleston, MARVEL’s LOKI is another one that, with each work, proves to be out of the ordinary. Its characters are carefully crafted, with visual and bodily elements that characterize each one of them. Here, Father Will Ransome is impressive in his faith, obsession with protecting his faithful and the shake of his feelings for Cora.

And among them is a serpent that the community claims is the devil’s work.

The cast is wonderful. Clemence Poesy, Frank Dillane, Hayley Squires, Dixie Egerickx, Michael Gibson, Lily-Rose Aslanddogdu, Jamal Westman, Ryan Reffel and Zoë Scott make a sensational cast, full of fascinating human types.

The production perfectly uses the setting in the English countryside to create an atmosphere that is at once mysterious, beautiful and terrifying. The interior scenography is impeccable.

The plot still brings the barriers and prejudices that medicine at that time faced in its permanent confrontation to evolve. Science versus prejudice, religious barriers and obscurantism.

I don’t know how far THE ESSEX SERPENT will go. I know the beginning was extraordinary.

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