DIREITO DE FAMÍLIA: Por que os Filmes Argentinos Seguem Surpreendendo Positivamente?

Vi ontem no Amazon Prime Video mais um filme argentino incrível: DIREITO DE FAMÍLIA (DERECHO DE FAMILIA), de Daniel Burman, feito em 2006.

O filme mostra o relacionamento de um jovem advogado, professor da Faculdade de Direito em Buenos Aires, cujo pai é um veterano e matreiro advogado forense, um sujeito que encanta a todos com sua arte de advogar sem preconceitos e preferências, a partir de um minúsculo escritório (“tem uma bela sala de reuniões que nunca foi utilizada”) comandado por uma secretária septuagenária que tudo organiza.

O pai é magnificamente interpretado por Arturo Goetz, um premiado ator argentino falecido em 2004, aos 70 anos. O humanismo de seu Bernardo Perelman é a alma do filme de Burman. O jovem Ariel Perelman e todos os seus pares se dedicam a estudar o que faz de Bernardo um advogado modelar, tão procurado por clientes e reconhecido por pares, juízes e empregados forenses.

O filme de Burman tem estes olhar (Airel observando Bernardo) com uma ternura emocionante. (Ö doutor Perelman sempre prefere ir até os clientes, se encontrando com eles no ambiente onde vivem.”) Bernardo sabe as datas de aniversário de todos os ascensoristas, porteiros e funcionários de cartório, seus times do coração e os nomes dos filhos e netos de todos eles.

Ariel se apaixonou e casou com uma linda ex-aluna da faculdade, a afetuosa e determinada Sandra (Julieta Diaz, linda), hoje uma professora de Pilates que segura a barra das dificuldades de criar um filho encantador.

DERECHO DE FAMILIA mostra outra vez que aprofundar a abordagem de um filme (há muitas cenas bem dramáticas da relação pai e filho) não lhe retira o humor portenho, algo delicioso de ser ver. O prédio do fórum ficar ameaçado de desabar pelo peso dos processos é uma tirada maravilhosa (já houve cena similar no extraordinário ESTE CRIME CHAMADO JUSTIÇA, de Dino Risi).

Um diálogo entre Sandra e o marido, depois de muitos anos casados: “Eu me aproximei de você na Faculdade porque admirava muito sua convicção em ensinar e transmitir a todos os alunos seu conhecimento. E você, por que se aproximou de mim?” “Sua bunda”, responde Ariel.

O professor Ariel seguidamente utiliza um truque de fazer um grande amigo interromper a aula vivendo um personagem fictício, como um ambientalista que quer proteger os pinguins, ou um ex-aluno que quer dar flores ao ex-professor. São cenas puras, quase ingênuas, mas incrivelmente humanas e carinhosas com os personagens do filme.

Como são todas as cenas com a impagável Norita (Adriana Aizemberg) a implacável secretária que organiza a vida profissional de Bernardo.

Claro que DERECHO DE FAMILIA tem um valor ainda maior para quem é advogado. Mas a emotividade do filme e de seus diálogos e personagens certamente tocarão a todos dispostos a ver outro ótimo título dos nossos vizinhos portenhos.

Yesterday I saw another amazing Argentine film on Amazon Prime Video: FAMILY LAW (DERECHO DE FAMILIA), by Daniel Burman, made in 2006.

The film shows the relationship of a young lawyer, professor at the Law School in Buenos Aires, whose father is a veteran and cunning forensic lawyer, a guy who enchants everyone with his art of advocating without prejudice and preferences, from a tiny office (“there is a beautiful meeting room that has never been used”) run by a septuagenarian secretary who organizes everything.

The father is magnificently played by Arturo Goetz, an award-winning Argentine actor who died in 2004 at the age of 70. The humanism of Mr. Bernardo Perelman is the soul of Burman’s film. Young Ariel Perelman and all his peers are dedicated to studying what makes Bernardo a model lawyer, so sought after by clients and recognized by peers, judges and forensic employees.

Burman’s film has these looks (Ariel watching Bernardo) with a touching tenderness. (“Dr. Perelman always prefers to go to the customers, meeting them in the environment where they live.) Bernardo knows the birthdays of all the elevator operators, porters and clerks, their favorite teams and the names of their children and grandchildren. of all of them.

Ariel fell in love with and married a beautiful former college student, the affectionate and determined Sandra (Julieta Diaz, beautiful), today a Pilates teacher who holds the bar in the difficulties of raising a charming son.

DERECHO DE FAMILIA shows once again that deepening the approach of a film (there are many very dramatic scenes of the father and son relationship) does not detract from the Buenos Aires humor, something delightful to see. The forum building being threatened with collapse by the weight of the lawsuits is a wonderful move (there was already a similar scene in the extraordinary IN NOME DEL POPOLO ITALIANO, by Dino Risi).

A dialogue between Sandra and her husband, after many years of marriage: “I approached you in college because I really admire your conviction in teaching and transmitting your knowledge to all students. And you, why did you approach me?” “Your ass,” Ariel replies.

Professor Ariel often uses a trick to make a good friend interrupt class by playing a fictional character, such as an environmentalist who wants to protect penguins, or a former student who wants to give flowers to the former teacher. These are pure, almost naive scenes, but incredibly human and affectionate with the characters in the film.

As are all the scenes with the priceless Norita (Adriana Aizemberg), the implacable secretary who organizes Bernardo’s professional life.

Of course, DERECHO DE FAMILIA has an even greater value for anyone who is a lawyer. But the emotionality of the film and its dialogues and characters will certainly touch everyone willing to see another great title from our Buenos Aires neighbors.

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