ELA DISSE: A Voz Delas ou o Respeito pelo Humano em um Filme Essencial

Ontem aluguei na Apple TV+, o Filme ELA DISSE, dirigido com incríveis talento e sensibilidade pela cineasta alemã Maria Schrader.

Duas horas e nove minutos depois, muito emocionado, pensei que o cinema segue nos proporcionando histórias, personagens e filmes sobre o humano, como poucas artes conseguem nos dias atuais.

Duas repórteres do The New York Times recebem a missão de investigar as denúncias de mulheres de assédio moral e sexual cometidos pelo mega produtor cinematográfico Harvey Weinstein, o poderoso dono da Miramax, naquela época uma das mais fortes de Hollywood.

Megan Twohey (Carey Mulligan) e Jodi Kantor (Zoe Kazan) se deparam com a reportagem que poderia mudar suas vidas. Mas enfrentariam dificuldades quase intransponíveis: o establishment de Hollywood, o poder político e financeiro de Weinstein, os acordos de confidencialidade assinados pelas dezenas de vítimas por ocasião dos pagamentos feitos a elas pelo ofensor, advogados excelentes a serviço de Harvey, a demanda de trabalho de uma investigação como essa, as exigências de seus casamentos e vidas familiares e por aí vai.

Bancadas por seus chefes Rebecca Corbett (Patricia Clarkson, incrível) e Dean Baquet (Andre Braugher extraordinário), as duas correm o mundo atrás das vítimas e conhecidos, tentando fazê-las contar o que houve com elas na relação tóxica com Weistein.

A história ganhou o Prêmio Pulitzer, mudou Hollywood (colocou Weinstein atrás das grades depois de quase uma centena de denúncias) e gerou o livro SHE SAID, escrito pelas duas jornalistas narrando a história das matérias jornalísticas.

As qualidades do filme são incontáveis e imensas. A autenticidade das filmagens dentro da redação real do The New York Times (vazia pela pandemia), a inteligente escolha da direção de não mostrar uma só cena de violência sexual, valorizando as narrativas das vítimas, o poder das histórias contadas por mulheres tão comuns quanto extraordinárias, tudo construiu um sério candidato a melhor filme de 2022.

Impossível não salientar os trabalhos de Mulligan e Kazan. A autenticidade das interpretações das duas é daqueles momentos que eternizam um filme. Elas conseguiram esse feito.

Emoção, humanismo, valorização do jornalismo, da liberdade de expressão, da sanidade dos ambientes de trabalho, respeito às mulheres, SHE SAID tem tudo junto e muito bem realizado.

O filme entra para uma pequena lista de filmes memoráveis sobre jornalismo e jornalistas. Uma lista que tem clássicos como TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE, REDE DE INTRIGAS, SPOTLIGHT, THE POST e A MONTANHA DOS SETE ABUTRES. O maior elogio que se pode fazer a ELA DISSE é que dá uma vontade tremenda de ser jornalista.

O filme está em cartaz nos cinemas brasileiros. Raros filmes, a gente diz que todos deveriam ver. ELA DISSE certamente é um desses.

Yesterday I rented on Apple TV+, the movie SHE SAID, directed with talent and sensibility by German filmmaker Maria Schrader.

Two hours and nine minutes later, very emotional, I thought that cinema continues to provide us with stories, characters and films about the human, as few arts can do today.

Two reporters from The New York Times are assigned the mission of investigating women’s allegations of moral and sexual harassment committed by the mega film producer Harvey Weinstein, the powerful owner of Miramax, at that time one of the strongest in Hollywood.

Megan Twohey (Carey Mulligan) and Jodi Kantor (Zoe Kazan) stumble upon the story that could change their lives. But they would face almost insurmountable difficulties: the Hollywood establishment, Weinstein’s political and financial power, the confidentiality agreements signed by the dozens of victims in connection with payments made to them by the offender, excellent lawyers at Harvey’s service, the demand for work from an investigation like this, the demands of their marriages and family lives, and so on.

Backed by their bosses Rebecca Corbett (Patricia Clarkson, incredible) and Dean Baquet (Andre Braugher, extraordinary), the two run the world after victims and acquaintances, trying to make them tell what happened in the toxic relationship with Weinstein.

The story won the Pulitzer Prize, changed Hollywood (it put Weinstein behind bars after almost a hundred denunciations) and spawned the book SHE SAID, written by the two journalists narrating the history of journalistic articles.

The qualities of the film are countless and immense. The authenticity of the footage inside the actual New York Times newsroom (empty due to the pandemic), the director’s intelligent choice of not showing a single scene of sexual violence, valuing the victims’ narratives, the power of stories told by women as common as extraordinary, all built a serious contender for best film of 2022.

Impossible not to highlight the works of Mulligan and Kazan. The authenticity of the interpretations of the two is one of those moments that make a film eternal. They achieved this feat.

Emotion, humanism, appreciation of journalism, freedom of expression, sanity of work environments, respect for women, SHE SAID has it all together and very well done.

The film joins a short list of memorable films about journalism and journalists. A list that has classics like ALL THE PRESIDENT’S MEN, NETWORK, SPOTLIGHT, THE POST and ACE IN THE HOLE. The highest compliment that can be paid to SHE SAID is that it makes you want to be a journalist.

The film is showing in Brazilian cinemas. Rare films, we say everyone should see. SHE SAID certainly is one of those.

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