Uma jovem de classe média mexicana é estuprada pelo filho rico de um industrial depois de uma balada. O confronto se transfere para os dois pais dos partícipes do crime: o milionário corruptor e o emocionalmente destruído empreendedor arrasado (justificadamente) pelo fato.
O problema é que todas as ideias de trama são tratadas no clima do que se convencionou chamar “novelão mexicano”. As cenas e diálogos são sempre gritados e buscam um tom trágico e quase operístico.
Tapas são encenados dramaticamente em classe fechados para aumentar o impacto das cenas.
Os ruins são péssimos e os bonzinhos são quase ingênuos demais.
Há ideia bem interessantes que são sonoramente desperdiçadas. Por exemplo: na cena em que a menina estuprada volta à adega onde se deu o crime ela lança um olhar para a câmera de segurança que filmou tudo. Teria ela visto a câmera na vez anterior? Isso nunca mais é sequer abordado.
O pai da moça que praticamente fecha um acordo milionário para enterrar o caso (e volta atrás com uma crise de consciência aos 90 minutos do segundo tempo) age como um paladino da justiça.
Tudo é muito oito ou oitenta. Seria muito melhor que o roteiro explorasse as dúvidas e dualidades humanas, especialmente em um caso tão complicado.
EL JUICIO poderia ter sido ótimo. Saiu bastante mal.