Fui ver OS 33, de Patricia Riggen, um pouco tocado pela crítica negativa de um jornal local que taxava o filme de “fake”. Todos os defeitos que se queira apontar no filme e que já se sabia antes da primeira cena ser rodada (exploração de um episódio real extraordinariamente dramático, produção internacional norte-americana que junta atores de diversos países latinos para ganhar muito dinheiro em todos aqueles mercados, mas que tem usar o idioma inglês para acessar os EUA, colocação de certos atores americanos em papeis absolutamente inadequados como o presidente chileno…), em minha opinião, não chegam próximos de tocar a incrível emotividade desta história que “se a gente não soubesse que aconteceu, ninguém acreditaria”. Certamente romanceada (bem, a meu ver), a narrativa flui rápida e sem um único momento de monotonia. Ah, a entrada de “Gracias a la Vida”, de Violeta Parra é de matar. Impossível não se envolver no drama, cuja única duvida era se o pior estava acima ou abaixo da superfície. Ver atores como Gabriel Byrne, Juliette Binoche, Rodrigo Santoro, a inglesa Naomi Scott, a chilena Cote de Pablo, a mexicana Kate de Castillo, o colombiano Juan Pablo Raba (excelente como o alcoólatra Dario) reforça uma situação, por si só, altamente dramática. Mas nada pode ser maior que esta armadilha que a vida preparou para aqueles 33 mineiros absolutamente incógnitos do interior do Chile e que viraram personagens de um fato mundialmente acompanhado ao vivo durante 69 dias em 2010. Talvez não seja um grande filme, mas a história é imbatível e merece, sem duvida, ser vista.