Fui ver CAROL, de Todd Haynes com a expectativa de que seria o melhor filme do ano. Não achei. Problema meu. O filme é belíssimo. Mas ao contrário do que eu achava pelo material que já tinha lido e pelo trailer, todos os envolvidos no projeto optaram por dar ao romance da escritora Patrícia Highsmith um tratamento poético, quase o distanciamento de um filme oriental. Assim, o que prometia ser um drama poderoso, se tornou uma sequencia de cenas deslumbrantes (quase pinturas), fotografadas para o maior deleite do espectador, pontuadas com uma trilha sonora excepcional de Carter Burrel, onde pontifica uma versão inesquecível de KISS OF FIRE, cantada por Georgia Gibbs. A gente fica esperando aquela grande cena chegar…e ela não chega. Para minha surpresa, a Deusa Cate Blanchett desta vez achei superada pela ascendente Rooney Mara, cada vez melhor em seus trabalhos no cinema, indo de ingênua a dominante com absoluta desenvoltura. O filme vai aparecer muito nos Oscars, porque há categorias tipo figurino e cenografia em que deve ser aposta certa. Resumindo: o filme tem tudo de maravilhoso, mas, na minha opinião, para se tornar memorável, deveria ter feito uma opção mais contundente em sua forma de abordar o romance. Saí do cinema com esta sensação de que poderia ter sido e não foi. Apesar de tudo.