A. O. Scott., crítico do The New York Times, ao resenhar sobre THE HATEFUL EIGHT, usou três ou quatro vezes a expressão “é um filme de Quentin Tarantino.”
Na opinião dele, que considero um dos melhores, trata-se da expressão perfeita ou a única para definir o que se vê na tela.
Apesar deste ser o oitavo filme de Tarantino, cada vez mais é assim.
Para o bem ou para o mal.
Por exemplo, acho que por amar demais o que filma, Tarantino cada vez tem mais dificuldade em editar seus filmes que ficam loooongos, intermináveis, com cenas e mais cenas que poderiam ser muito bem decepadas por um montador com certo distanciamento.
Este OS OITO ODIADOS provavelmente seja o que mais tem isto.
Quase dá para dar um pulo no banheiro e voltar em certo trecho do filme que não faria diferença.
O lado bom de ser Tarantino, para quem acha o cinema dele o máximo como eu, é que são tantas coisas que revelam o amor dele pelo cinema (como por exemplo a trilha sonora magnifica de Enio Morricone), o talento único para escrever os diálogos afiados para dizer pouco, os personagens magníficos de uma galeria que a cada filme aumenta oscilando entre uma ausência de moral impressionante e uma capacidade de gestos de um código de honra e/ou de lealdade que aparece em horas inacreditáveis.
Quanto ao elenco, Samuel L. Jackson e Jennifer Jason Lee se destacaram dos demais, embora o veteraníssimo Bruce Dern e o cheio de cacoetes Walton Goggins também protagonizem cenas antológicas.
Em resumo, western tipo Sergio Leone, misturado com whodunnit a la Aghata Christie, em um local isolado pela neve no melhor estilo Iluminado de Kubric, com oito malucos se matando pela mao de Tarantino. O que eu achei?
Um filmaço !
Quanto ao banho de sangue e as cenas mais pesadas, acho que quem vai ver o filme de Tarantino já deve saber o que vem pela frente. Pelo menos depois dos 78 pés e cabeças decepadas em KILL BILL, 13 anos atrás! Ou não?