Muitos amigos meus falaram mal de THE BIG SHORT (A GRANDE APOSTA), de Adam McKay, dizendo que o filme era confuso, verborrágico e monótono. Inicio dizendo que não achei nada disto. E olha que sou daqueles que não lê nem olha jornais econômicos ou cadernos de economia. Mas acho que o pessoal envolvido com o filme fez uma ginástica (bem sucedida por sinal) em decodificar para os leigos aquela verdadeira cascata de termos técnicos envolvidos nos incríveis fatos que levaram a maior crise econômica dos Estados Unidos desde o crash da Bolsa de 1929. Foram muito criativos. Aquelas mini entrevistas com celebridades para fazer metáforas com certos fatos (como Margot Robbie na banheira ou Selena Gomez na roleta) foram um recurso genial. Da mesma forma, gráficos, verbetes de dicionários, entrevistas com strippers e outras cenas absolutamente heterodoxas que quebram a narrativa e a levam para bem longe na monotonia. Depois veio a seleção de três ou quatro dos melhores atores da geração atual: Christian Bale, Steve Carell, Ryan Gosling e Brad Pitt lideram um time que consegue ser, ao mesmo tempo dramático para dar ideia da catástrofe que estava por vir, grave para mostrar a irresponsabilidade do que se fez e cômicos para dar uma pita de “nonsense” no ocorrido. Tudo com muita coragem de colocar o dedo na ferida, sem medo. Sim, por que, na minha opinião, THE BIG SHORT optou por ser um filme que denuncia o episodio, documenta o que ocorreu, mas ao mesmo tempo, não deixa de lançar um olhar satírico sobre um sistema que permite que isto aconteça, por exemplo liberando que a fiscal passe o final de semana com o advogado do banco fiscalizado onde está buscando emprego. Em realidade são inúmeras as cenas neste tom tragicômico. O certo é que, onde se arriscou a apostar, THE BIG SHORT se deu bem. Vi o filme eletrizado. Achei roteiro e direção impecáveis. Merece o sucesso que alcançou.