COMO NOSSOS PAIS, de Lais Bordansky é um filme que tem muitos méritos e, sem dúvida, está muito acima da média da produção nacional recente. Seu roteiro tem algumas situações e diálogos extremamente interessantes e há pelo menos uma cena que entra para a antologia do cinema brasileiro pela sua beleza, sensibilidade e humanismo: a atriz Clarisse Abujamra ao piano tocando a música COMO NOSSOS PAIS, para simbolizar a morte da personagem Clarice.

O filme se passa no cotidiano de uma família de classe média, em que Rosa(Maria Ribeiro) cria as duas filhas e segue uma carreira frustrada em publicidade, deixando de lado seu sonho em ser escritora de teatro. Quase nunca a seu lado está o marido Dado(Paulo Vilhena), um ambientalista que viaja o tempo inteiro defendendo as causas que abraça e fica ausente de sua casa para desespero da esposa.

A terceira personagem é a mãe Clarice (Clarisse Abujamra), uma mulher sofrida e amargurada que cehaga ao final da vida cheia de segredos e frustrações em relação aos dois filhos.

O quarto personagem do filme é o pai Homero, vivido por Jorge Mautner, uma pessoa com demência mas que guarda o lirismo das relações que teve com os filhos na infância e não consegue enfrentar qualquer dificuldade da vida atual.

Acho que o tom naturalista e quase de crônica do dia a dia de COMO NOSSOS PAIS, ao mesmo tempo em que é um achado do filme, fazendo com que o espectador tenha a sensação de estar ao lado dos personagens vendo diálogos de pessoas que conhece da vida real, retirou do filme a chance de ganhar um patamar mais elevado, uma grandez universal, principalmente como decorrência de algumas frases que ficaram simplórias, ainda mais ditas por atores como Maria Ribeiro (que luta muito pela sua personagem mais não consegue ir às notas mais altas) e Paulo Vilhena (que segue sendo um ator fraco).

COMO NOSSOS PAIS é um ótimo filme de se ver a primeira vez, mas duvido que alguém o guarde como um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Poderia ter ido mais longe.

 

LIKE OUR PARENTS, by Lais Bordansky is a film that has many merits and undoubtedly is well above the average of recent national production. Its script has some extremely interesting situations and dialogues and there is at least one scene that enters the anthology of Brazilian cinema for its beauty, sensitivity and humanism: the actress Clarisse Abujamra at the piano playing the song LIKE OUR PARENTS, to symbolize the death of the character Clarice.

The film takes place in the daily life of a middle class family, in which Rosa (Maria Ribeiro) creates her two daughters and follows a frustrated career in advertising, leaving aside her dream of being a theater writer. Almost never by her side is the husband Dado (Paulo Vilhena), an environmentalist who travels all the time defending the causes that he embraces and is absent from his house to the despair of his wife.

The third character is the mother Clarice (Clarisse Abujamra), a suffering and embittered woman who closes at the end of her life full of secrets and frustrations regarding her two children.

The fourth character of the film is the father Homero, lived by Jorge Mautner, a person with dementia but who keeps the lyricism of the relationships he had with his children in childhood and can not face any difficulty of the current life.

I think the naturalistic and almost chronic tone of the day to day of LIKE OUR PARENTS, at the same time that is a finding of the film, making the viewer have the sensation of being next to the characters seeing dialogues of people that knows of the real life, removed from the film the chance to win a higher plateau, a universal grandeur, mainly as a result of some phrases that have become simple, even more said by actors like Maria Ribeiro (who fights a lot for her character but can not go to the higher notes) and Paulo Vilhena (who remains a weak actor).

LIKE OUR PARENTS is a great movie to see the first time, but I doubt anyone will keep it as one of the best Brazilian films of all time. It could have gone further.