Refilmar um filme clássico pode parecer um desafio, mas por vezes assume a grandeza de um trabalho impossível. Em 1998, o diretor Andrew Davis (que fez o ótimo O FUGITIVO, mas também cometeu coisas indefensáveis como FORÇA EM ALERTA e EFEITO COLATERAL) resolveu refilmar DISQUE M PARA MATAR, um policial clássico de Alfred Hitchcock, com Grace Kelly e Ray Milland.

DISQUE M PARA MATAR tem uma das histórias policiais mais inteligentes e elaboradas do cinema, adaptada da peça teatral de Frederick Knott. Um marido prestes a ser abandonado pela esposa, contrata um marginal para assassiná-la. Na hora do crime, ela termina matando o assassino e o marido tem que alterar todo o plano inicial.

A refilmagem partiu deste enredo, alterando pontos essenciais. Conseguiu reunir um elenco excelente, liderado por Michael Douglas, Gwyneth Paltrow, um jovem Vigo Mortensen e David Suchet.

O filme vai bem até o crime, criando um clima de suspense, misturado com a tensão erótica do casal de amantes prestes a ser desmascarado. Mas depois da morte, tudo começa a ser atropelado, sucedendo-se uma série de cenas absolutamente sem sentido, como os protagonistas (dois milionários novaiorquinos) virarem assassinos quase perfeitos, frios e calculistas, sem qualquer hesitação na hora de tirar a vida de alguém.

A parte final do filme deixa muito a desejar. Inclusive por relegar o detetive (um belo personagem) a um segundo plano na intriga.

Criar um bom enredo policial é muito difícil (tantas são as histórias neste gênero). Terminar um bom enredo policial é uma arte para poucos. Aqui se viu claramente a diferença entre o gênio Alfred Hitchcock e o artesão Andrew Davis. Há um abismo entre os dois filmes.

Refilming a classic movie may seem like a challenge, but sometimes it takes on the grandeur of impossible work. In 1998, director Andrew Davis (who did the THE FUGITIVE, but also committed indefensible things like UNDER SIEGE and COLLATERAL EFFECT) decided to rework DIAL M TO MURDER, a classic Alfred Hitchcock thriller with Grace Kelly and Ray Milland.

DIAL M FOR MURDER has one of the most intelligent and elaborate police stories of the cinema, adapted from Frederick Knott’s play. A husband about to be abandoned by his wife, hired a killer to assassinate her. At the time of the crime, she ends up killing the murderer and her husband has to change the whole initial plan.

The remake came from this plot, changing essential points. It managed to reunite an excellent cast, led by Michael Douglas, Gwyneth Paltrow, a young Viggo Mortensen and David Suchet.

The film goes well until the crime, creating a climate of suspense, mixed with the erotic tension of the pair of lovers about to be unmasked. But after death, everything starts to get run over, with a series of absolutely senseless scenes happening, as the protagonists (two New York millionaires) turn out to be almost perfect assassins, cold and calculating, without any hesitation in taking the life of someone .

The final part of the film leaves much to be desired. Even for relegating the detective (a great character) to the background in the intrigue.

Creating a good police plot is very difficult (so many are the stories in this genre). Finishing a good thriller plot is an art for a few. Here was clearly the difference between the genius Alfred Hitchcock and the craftsman Andrew Davis. There is an abyss between the two films.