GRAND PRIX: Na Década de 60, John Frankenheimer e o CINERAMA mostraram a Fórmula Um como Nunca foi Vista

O fato de entrar em cartaz o aguardado FORD VS FERRARI, de James Mangold, com Christian Bale e Matt Damon me remeteu ao melhor filme da história do cinema sobre corridas de automóvel. Em 1966, o cineasta novaiorquino John Frankenheimer dirigiu GRAND PRIX um filme sobre o circo da Fórmula Um nos anos sessenta. Ganhou 3 Oscars (Som, Edição de Som e montagem).

O filme teve como chamariz comercial que era rodado e apresentado em CINERAMA, uma tecnologia recém disponível que trazia imagens (e telas) de um tamanho prodigioso. Aqui em Porto Alegre, o cinema que mais exibia filmes em CINERAMA era o Cine Baltimore, na Avenida Osvaldo Aranha. Em São Paulo, era o Cine Comodoro. A campanha de marketing de GRAND PRIX dizia que o filme levava o espectador para dentro da ação. E a técnica de filmagem de acoplar câmeras nos carros em velocidade realmente dava a sensação única de estar dentro da corrida.

GRAND PRIX focalizava principalmente três pilotos: o francês Jean-Pierre Sarti (excelente trabalho do ator Yves Montand) da equipe Ferrari, o americano Pete Aron (James Garner) e o britânico Scott Stodard (Brian Bedford). Os três disputam as principais corridas e o título de campeão metro a metro a cada etapa, em episódios de muito perigo, risco, acidentes, coragem e loucura.

Com eles estão os chefes de equipes, como o lendário Toshiro Mifune (vindo do extraordinário sucesso de OS SETE SAMURAIS, de Akira Kurosawa), Adolfo Celi e Jack Watson. E, como não poderia deixar de ser, havia também as lindas e inteligentes mulheres que orbitavam no circo, no filme a jornalista Louise Frederickson (Eve Marie Saint), Jessica Walter, a inesquecível cantora e atriz francesa Françoise Hardy e Genevieve Page. Um elenco extraordinário.

O filme ainda tem um roteiro top escrito por Robert Alan Arthur, com diálogos, personagens e situações que jamais baixam de interesse. GRAND PRIX foi uma produção tão espetacular que se deu ao luxo de trazer particpações especiais de vários campeões da Fórmula UM, em cameos inovadoras: Grant Hill, Juan Manuel Fangio, Jim Clark, Jochen Hindt e Jack Brabham. Ah, como lembra o cinéfilo Isaac Menda, uma extraordinária trilha sonora de autoria de Maurice Jarre, durante muitos anos usado por emissoras nas transmissões de corridas.

Vi GRAND PRIX várias vezes na minha infância. Era um filme impressionante. Pela produção excepcional, sem dúvida, mas por nos trazer, pela primeira vez (e a melhor na história do cinema) o fascinante mundo dos corredores e do circo formado em torno deles por empresários, jornalistas, técnicos e esposas e outras mulheres.

Entre os diálogos inesquecíveis, meu favorito é o de uma conversa entre o corredor Sarti e a jornalista Louise: “Sarti: Antes de você sair, quero lhe contar uma coisa. Não sobre os outros, mas sobre mim. Eu costumava sair em pedaços. Eu via um acidente como esse e ficava tão fraco por dentro que queria sair – pare o carro e vá embora. Eu mal podia me fazer passar por isso. Mas eu sou mais velho agora. Quando vejo algo realmente horrível, ponho o pé no fundo. Difícil! Porque eu sei que todo mundo está levantando o dele”. Louise Frederickson: “Que maneira terrível de vencer”. Jean-Pierre Sarti: “Não, não há uma maneira terrível de vencer. Só há vitória”.

Memorável. Como o filme GRAND PRIX.

The fact that James Mangold‘s long-awaited FORD VS FERRARI, with Christian Bale and Matt Damon, is released this weekend, brought me the best movie in the history about car racing. In 1966, New York filmmaker John Frankenheimer directed GRAND PRIX a movie about the Formula One circus in the 1960s. GRAND PRIX won 3 Oscars(Sound, Sound Effects and Editing).

The movie had its commercial gimmick that was shot and presented in CINERAMA, a newly available technology that brought images (and screens) of a prodigious size. Here in Porto Alegre, the cinema that most showed films in CINERAMA was Cine Baltimore, on Avenida Osvaldo Aranha. In Sao Paulo, it was Cine Comodoro. GRAND PRIX’s marketing campaign said the movie took the viewer into the action. And the filming technique of docking cameras in cars at speed really gave the unique feeling of being in the race.


GRAND PRIX mainly focused on three drivers: Frenchman Jean-Pierre Sarti (excellent work by team actor Yves Montand), as driver of the iconic Ferrari, American Pete Aron (James Garner) and the English Scott Stodard (Brian Bedford). The three compete in the main races and the title of championship meter by meter at each race, in episodes of great danger, risk, accidents, courage and madness.

With them are team leaders such as the legendary Toshiro Mifune (coming from the extraordinary success of Akira Kurosawa‘s The Seven Samurai), Adolfo Celi and Jack Watson. And, of course, there were also the beautiful and intelligent women who orbited the circus, in the film the journalist Louise Frederickson (Eve Marie Saint), Jessica Walter, the unforgettable French singer and actress Françoise Hardy and Genevieve Page. An extraordinary cast.

The film still has a top screenplay written by Robert Alan Arthur, with dialogues, characters and situations that never get lower in interest. GRAND PRIX was such a spectacular production that it had the luxury of bringing in special appearances from several Formula One champions in innovative cameos: Grant Hill, Juan Manuel Fangio, Jim Clark, Jochen Hindt and Jack Brabham. Ans, besides that, as remember the cinephile Isaac Menda, it also has an outstanding soundtrack, by Maurice Jarre, that was used for several years, as theme of races transmission by midia stations.

I saw GRAND PRIX several times in my childhood. It was an impressive movie. For the exceptional production, no doubt, but for bringing us, for the first time (and the best in film history) the fascinating world of pilots and the circus formed around them by businessmen, journalists, coaches and wives and other women.

Among the unforgettable dialogues, my favorite is a conversation between Sarti and journalist Louise: Jean-Pierre Sarti Before you leave I want to tell you something. Not about the others, but about myself. I used to go to pieces. I’d see an accident like that and be so weak inside that I wanted to quit – stop the car and walk away. I could hardly make myself go past it. But I’m older now. When I see something really horrible, I put my foot down. Hard! Because I know that everyone else is lifting his. Louise Frederickson What a terrible way to win. Jean-Pierre Sarti No, there is no terrible way to win. There is only winning.

Memorable. Like the movie GRAND PRIX.

4 Replies to “GRAND PRIX: Na Década de 60, John Frankenheimer e o CINERAMA mostraram a Fórmula Um como Nunca foi Vista”

  1. Faltou comentar a excelente trilha sonora que, por muito tempo, foi utilizada pelas emissoras de Tvorecki na transmissão da Fórmula Um. Abs

    Enviado do meu iPhone

    >

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  2. Vi o filme uma única vez, em 1966 ou 1967, numa matinê do Cine Internacional, em Santana do Livramento, mas me marcou o diálogo em que que o piloto disse que pisava fundo quando havia um acidente horrível. Filme para rever. Excelente comentário, caro Marco. Abração

    Curtido por 1 pessoa

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