OS CINEMAS DE PORTO ALEGRE

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É BETO TURQUENITCH.

Quando criança, esperava as manhãs de domingo para ir ao cinema Avenida assistir desenhos animados com meus irmãos e meu pai. Depois íamos ate a Redenção alugar bicicleta e passear de barco. Tom e Jerry eram nossos preferidos. Não havia TV na época.

Já com 10 anos eram as tarde de domingo. Década de 60. Juntava meus gibis que já tinha lido. Eu e os meus amigos iam para frente do cinema Rio Branco. Comprávamos os ingressos para a matinê e íamos negociar os gibis. Um Tarzan ou Batman valia dois Zé Carioca, se fosse almanaque valia mais.

Felizes com os novos gibis . Entrávamos no cinema e comprávamos gauchinho , balas azedinhas,… e sentávamos com os olhos brilhando com as luzes se apagavam e entrava o Canal 100. Mostrando imagens fantásticas de futebol no Maracanã. Às vezes, tinha um jornal ,chapa branca, falando das obras dos milicos. Era plena época da ditadura. Vibrávamos com os trailers. E assistíamos um bom faroeste.

Esta magia contagiou toda uma geração. Victória, Cacique, Imperial, ABC, Ritz, Presidente, Capitólio, … haviam inúmeras salas de rua.

Na adolescência, o Baltimore, o Vogue passavam filmes de arte. Alguns como a Laranja Mecânica , vinham censurados. Havia uma tarja para esconder as partes íntimas nas cenas de sexo. Várias noites, ficávamos discutindo filmes como Morangos Silvestres tentando explicar o significado de cenas como a de um pé de galinha na geladeira.

Quando adulto, tinha o Mini Baltimore e seus ciclos de cinema. Virávamos às vezes mais de uma sessão e maratonávamos . Não havia Netflix.

Alguns anos mais tarde, surgiram os Shoppings e os cinemas de rua foram se acabando. O boom imobiliário fazia com que prédios horrorosos matassem os templos de magia.

Os blockbusters inundavam as Salas . Havia poucos cinemas com filmes bons. Guion, GNC Moinhos e o Espaço Unibanco no Bourbon eram as fontes que me alimentavam.

Resolvi então criar um Espaço que pudesse selecionar filmes independentes de várias filmografias que não tínhamos acesso. Criei um Instituto homenageando meu pai. O Instituto NT de Cinema. Filmes franco-canadenses, alemães, uruguaios, brasileiros, argentinos, iranianos, israelenses, … que não tinham salas para exibição passaram a contar com um Espaço em Porto Alegre. Montei uma pequena Sala de Cinema. Mas me sentia como no Cinema Paradiso. Uma Sala de 50 lugares, com lareira, numa casa tombada me alimentou por quase uma década. Tínhamos sessões de manha até a noite. Com multiprogramação.

Hoje, em época de pandemia, sinto um vazio que tento preencher com Netflix, Amazon, Now, Youtube,…. mas como explicar para esta nova geração que quando a luz se apaga e surgem as imagens na Tela de Cinema uma magia acontece?

As a child, I waited for Sunday mornings to go to the Avenida Theater to watch cartoons with my brothers and my father. Then, we went to Redenção Park to rent a bike and take a boat. Tom and Jerry were our favorites. There was no TV at that time.

At 10 years old it was Sunday afternoon. 1960s. I collected my comic books that I had already read. My friends and I went to the front of the Rio Branco Theater. We bought the matinee tickets and went to negotiate the comic books. A Tarzan or Batman was worth two Zé Carioca, if it were an almanac it was worth more.

Happy with the new comics. We went into the cinema and bought gauchinho, azedinhas, … and sat with our eyes shining with the lights going out and Canal 100 entered. Showing fantastic football images in Maracanã. Sometimes there was a newspaper, governist, talking about the works of the military. It was full of dictatorship. We vibrated with the trailers. And we finish watching a good western.

This magic has infected an entire generation. Victoria, Cacique, Imperial, ABC, Ritz, Presidente, Capitólio, … there were countless street theaters.

As teenagers, Baltimore, Vogue were showing art films. Some, like Clockwork Orange, were censored. There was littel black balls to hide the private parts in the sex scenes. Several nights, we were discussing films like Wild Strawberries trying to explain the meaning of scenes like a chicken foot in the refrigerator.

As an adult, he had the Mini Baltimore and his movie cycles. We would sometimes turn over more than one session and marathon. There was no Netflix.

A few years later, shopping malls emerged and street cinemas ended. The real estate boom caused horrific buildings to kill temples of magic.

Blockbusters flooded the theaters. There were few cinemas with good films. Guion, GNC Moinhos and Espaço Unibanco at Bourbon were the sources that fed me.

So I decided to create a space that could select independent films from various filmographies that we did not have access to. I created an Institute honoring my father. The NT Film Institute. French-Canadian, German, Uruguayan, Brazilian, Argentinean, Iranian, Israeli films, … that did not have theaters for exhibition, now have a space in Porto Alegre. I set up a small cinema room. But I felt like at Cinema Paradiso. A 50-seat room, with a fireplace, in a listed house has fed me for almost a decade. We had morning sessions until night. With multiprogramming.

Today, in a time of pandemic, I feel a void that I try to fill with Netflix, Amazon, Now, Youtube, …. but how to explain to this new generation that when the light goes out and the images appear on the Screen, a magic happens ?

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