7500: Saudades do Bisavô AEROPORTO

7500, filme da Alemanha, Áustria e EUA que a NETFLIX está exibindo é o longa-metragem de estreia do cineasta alemão (indicado ao Oscar de Curte Metragem) Patrick Volrath. Já escrevi que imagino a extrema dificuldade em fazer um primeiro filme. O cineasta deve querer colocar na tela todas as dezenas (ou centenas) de ideias que lhe vieram à cabeça em toda sua vida de cinéfilo. Até porque não sabe se e quando fará um segundo filme.

Claro que o alemão Volrath (co-autor do roteiro) tinha a tempos esta história na cabeça: mostrar um tentativa trágica e sangrenta de sequestro de um avião de passageiros, por terroristas islâmicos, vista apenas de dentro da cabine do avião, um espaço notoriamente pequeno, apertado e claustrofóbico.

Não deu certo. 7500 é um filme chato. Apesar do extraordinário esforço de seu protagonista, o ator californiano Joseph Gordon-Levitt (ótimo seis anos depois de SNOWDEN), que faz o co-piloto Tobias Ellis. Tobias e sua namorada – a aeromoça Göcke (Aylin Tesel) iniciam um vôo Berlim-Paris, em uma noite normal de trabalho. Bem no início do vôo, três homens tentam invadir a cabine de comando armados com facas de vidro. O que se passa é uma sucessão de crimes, gritos, barulhos sem fim e muita angústia, durante os 93 minutos do filme.

Como já disse, há apenas uma cena filmada fora da cabine. A impressão proposital de claustrofobia é muito acentuada pelo único expediente do filme que me pareceu original e criativo: o filme não tem música, A trilha sonora é composta exclusivamente por ruídos do próprio enredo. Neste sentido é particularmente irritante o fato de alguém ficar batendo na porta da cabine durante todo filme.

Neste final de semana, li uma resenha jornalística sobre filmes que se passam em aviões. O jovem crítico citou os óbvios APERTEM OS CINTOS QUE O PILOTO SUMIU, RED EYE e SULLY. Curiosamente não mencionou a franquia AEROPORTO, onde está o pai de todos os filmes de aviões, o antológico filme de George Seaton (dizem que co-dirigido por Henry Hathaway), com Burt Lancaster, Jean Seberg, Dean Martin, Jacqueline Bisset, Helen Hayes e George Kennedy. Isto que este provavelmente seja ainda, 50 anos depois, o melhor de todos. Abismo geracional.

AEROPORTO tem tudo o que faltou a 7500.

7500, a film from Germany, Austria and the USA that NETFLIX is showing is the debut feature film by the German filmmaker (nominated for Oscar for Short Film) Patrick Volrath. I already wrote that I imagine the extreme difficulty in making a first film. The filmmaker must want to put on the screen all the dozens (or hundreds) of ideas that came to his head in his entire life as a film buff. Especially because he doesn’t know if and when he will make a second film.

Of course, the German Volrath (co-author of the script) had this story in his head for some time: showing a tragic and bloody attempt to hijack a passenger plane by Islamic terrorists, seen only from inside the plane’s cabin, a notoriously small, cramped and claustrophobic space.

It didn’t work. 7500 is a boring film. Despite the extraordinary effort of its protagonist, Californian actor Joseph Gordon-Levitt (excellent, six years after SNOWDEN), who plays co-pilot Tobias Ellis. Tobias and his girlfriend – flight attendant Göcke (Aylin Tesel) start a Berlin-Paris flight on a normal night of work. Right after the start of the flight, three men try to break into the cockpit armed with glass knives. What happens is a succession of crimes, screams, endless noises and a lot of anguish, during the 93 minutes of the film.

As I said, there is only one scene filmed outside the cabin. The purposeful impression of claustrophobia is very accentuated by the unique expedient of the film that seemed to me original and creative: the film has no music, the soundtrack is composed exclusively of noises from the plot itself. In this sense, it is particularly irritating that someone is knocking on the cabin door throughout the film.

This weekend, I read a journalistic review about films that take place on airplanes. The young critic cited the obvious AIRPLANE, RED EYE and SULLY. Interestingly, he did not mention the AIRPORT franchise, the father of all airplane films, the first chapter and anthological film by George Seaton (said to be co-directed by Henry Hathaway), with Burt Lancaster, Jean Seberg, Dean Martin, Jacqueline Bisset, Helen Hayes and George Kennedy. This is probably still the best one, 50 years later. Generational abyss.

AIRPORT is everything that 7500 lacked to be.

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